SICOFAA está preparado para responder aos desastres naturais

SICOFAA está preparado para responder aos desastres naturais

Por Geraldine Cook
janeiro 13, 2020

Entrevista da Diálogo com o Coronel da Força Aérea dos Estados Unidos Michael Ingersoll, secretário-geral do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas (SICOFAA), durante uma visita às instalações da sede localizada na Base da Força Aérea Davis-Monthan, em Tucson, Arizona

Diálogo: Qual é o foco operacional do SICOFAA?
Coronel da Força Aérea dos Estados Unidos Michael Ingersoll, secretário-geral do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas: O foco operacional do SICOFAA está direcionado à resposta aos eventos de ajuda humanitária e desastres naturais. Estamos envolvidos em um sistema de cooperação entre 21 países e contamos com a rede do Sistema de Informática e Telecomunicações das Forças Aéreas Americanas e com a Plataforma Virtual de Cooperação, conhecida como SAVICO.

Diálogo: Qual é a prioridade do SICOFAA atualmente?
Cel Ingersoll: Os países membros do SICOFAA se preparam para o exercício real Cooperação VII, que será realizado em Rionegro, Colômbia, em agosto de 2020. O exercício Ángel de los Andes também será realizado, como parte do exercício real.

Diálogo: Qual é o propósito de organizar esses exercícios?
Cel Ingersoll: Os exercícios em tempo real nos permitem comprovar que estamos bem preparados para assumir uma emergência, especialmente em uma região como a nossa, que é suscetível a desastres naturais frequentes, como furacões, terremotos, incêndios florestais etc. O SICOFAA tem como objetivo organizar eventos “ao vivo” para estabelecer a padronização dos procedimentos incluídos no Manual de Operações Aéreas Combinadas, criado para atender às situações de emergência, e que nos possibilita melhorar a interoperabilidade, criar uma linguagem operacional comum e pôr em prática as operações de comando e controle. Os exercícios ajudam a reduzir os riscos operacionais quando se utilizam os recursos das diferentes forças aéreas participantes. O benefício mais importante desses exercícios é pôr em prática as diversas ferramentas de que o SICOFAA dispõe para prestar assistência humanitária e ajuda durante os desastres naturais.

Diálogo: O senhor poderia citar um caso particular recente onde o SICOFAA foi ativado?
Cel Ingersoll: Entre os dias 21 de agosto e 7 de setembro [de 2019], nós ativamos a plataforma SAVICO para apoiar a coordenação dos eventos de ajuda humanitária e assistência em desastres, durante os incêndios florestais ocorridos na região do Amazonas e que afetaram a Bolívia, o Brasil e o Paraguai. Catorze países membros conseguiram, através da SAVICO, compartilhar informações sobre os requerimentos efetuados pelos países afetados pelos incêndios florestais. O resultado dessas informações ajudou tanto para o conhecimento da situação como para facilitar a coordenação da ajuda solicitada de equipamentos e recursos.

Diálogo: O SICOFAA precisa ter uma autorização diplomática para ser ativado?
Cel Ingersoll: Os membros do SICOFAA podem fazer uma pré-coordenação da ajuda humanitária que o país em emergência requer, mas precisamos da aprovação diplomática para enviar equipamentos ou pessoal.

Diálogo: O SICOFAA colabora com países não membros?
Cel Ingersoll: Sim. Existem países na região que não pertencem à organização, mas, por serem países vizinhos, receberão ajuda. Por exemplo, ajudamos as Bahamas por ocasião do desastre causado pelo Furacão Dorian. Nessa ocasião, o SICOFAA estabeleceu a coordenação e o fluxo de informações entre os governos das Bahamas e da República Dominicana, o que permitiu o deslocamento rápido de recursos até a ilha afetada.

Diálogo: O êxito do SICOFAA já se expandiu a outras regiões fora do hemisfério Ocidental?
Cel Ingersoll: Sim. A África nos solicitou que compartilhemos nossa experiência e as lições aprendidas. Há três anos, a Força Aérea dos Estados Unidos na África, com sede na Alemanha, solicitou conhecimentos detalhados sobre nosso sistema de cooperação aérea. Desde então, estamos trabalhando em equipe e dessa cooperação nasceu a Associação das Forças Aéreas Africanas. Ajudamos a associação a elaborar seu plano estratégico e atualmente assessoramos para que realize seu primeiro exercício virtual de ajuda humanitária e assistência durante desastres naturais. Da mesma maneira, a Conferência de Comandantes e Chefes Aéreos do Pacífico nos convidou para participar de suas conferências.

Diálogo: O senhor acredita que os desastres naturais ocorridos na região nos últimos anos tenham despertado o interesse de outros países para pertencerem ao SICOFAA?
Cel Ingersoll: Sim. A Costa Rica e Belize são países observadores do SICOFAA e esperamos realizar futuramente as coordenações respectivas para avaliar a viabilidade de integrá-los ao sistema em sua totalidade. Existe também um interesse de alguns países do Caribe para se envolverem na organização, como ocorre com as Bahamas, com quem já estamos em contato.

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