Sendero Luminoso busca amparo legal aos 20 anos da captura de seu líder

Por Dialogo
setembro 13, 2012


Abimael Guzmán, líder histórico da guerrilha do Sendero Luminoso, completou 20 anos de prisão no dia 12 de setembro. A captura de Guzmán e do estado-maior da guerrilha marcou o declive do Sendero Luminoso, mas seus remanescentes subsistiram em aliança com o narcotráfico nos vales de plantação de coca do sudeste peruano e, segundo as autoridades, uma ramificação atua politicamente em sindicatos peruanos, com uma linha moderada.

O governo acredita que o Sendero Luminoso esteja atualmente procurando reativar-se através do Movimento pela Anistia e Direitos Fundamentais (Movadef), considerado o braço legal do senderismo.

“O Movadef não é um braço político do Sendero Luminoso porque não existe um corpo, ou seja, uma força militar mobilizada”, disse à AFP Mirko Lauer, analista político e colunista do jornal La República.

“A estrutura militar do Sendero Luminoso está derrotada e embargada por seu próprio líder, que disse: nada de luta armada enquanto eu estiver preso”, diz Lauer ao lembrar o apelo de Guzmán da prisão para dar “uma trégua à guerra, uma parada no caminho”.

A existência de remanescentes do Sendero nos vales de plantio de coca no sudeste do Peru, em uma região geográfica conhecida como VRAEM (Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro), não está ligada a Guzmán, que os renegou por estarem vinculados ao tráfico de drogas.

“O Sendero Luminoso do VRAEM é usurpado por quadrilhas de narcotraficantes que utilizam a marca SL para limpar o rosto e não passar por delinquentes”, declarou Lauer à AFP.

Segundo outros especialistas no conflito, parece que os peruanos das novas gerações ignoram, em sua maioria, o que representaram a guerra e o terror provocados pelo Sendero Luminoso.

“O motivo disso é que não há partidos políticos nem debates que lembrem a experiência nefasta que o Sendero significou para a história peruana”, disse à AFP Fernando Rospigliosi, um sociólogo estudioso da violência no Peru, que foi ministro do Interior em 2004.

“O trabalho de investigação da Comissão da Verdade e Reconciliação (2003) foi minimizado. Esse era o instrumento de que se dispunha para gerar debates e evitar o ressurgimento político de grupos como o Sendero”, acrescentou Rospigliosi.

O chefe do Sendero Luminoso foi capturado por uma unidade de inteligência policial em 12 de setembro de 1992, em uma casa de Lima, durante uma operação onde não se disparou um só tiro.

Desde então Guzmán, hoje com 77 anos, vive isolado em uma prisão em uma base naval do porto de Callao, onde cumpre pena de prisão perpétua.

Um ano depois de sua detenção, em 1993, Guzmán solicitou um “acordo de paz” para recuperar a liberdade, mas sua iniciativa foi rechaçada pelos sucessivos governos do Peru. Nesse contexto surgiu o Movadef, liderado pelos advogados de Guzmán: Manuel Fajardo e Alfredo Crespo.

Em janeiro passado, o Movadef tentou inscrever-se como partido político. A iniciativa fracassou porque as autoridades peruanas alegaram que o grupo “possui uma ideologia que tem como praxe a violência para tomar o poder”.





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