Secretário interino de Defesa busca fortalecer parceria no hemisfério

Secretário interino de Defesa busca fortalecer parceria no hemisfério

Por Jim Garamone/DOD News
dezembro 31, 2020

Christopher C. Miller, secretário interino de Defesa dos EUA, enfatizou a necessidade de fortalecer parcerias no hemisfério ocidental, durante a Conferência dos Ministros da Defesa das Américas, realizada virtualmente no dia 3 de dezembro de 2020.

A conferência, organizada pelo Chile, celebra 25 anos de reuniões. Os ministros discutiram a situação das Américas e como os países do hemisfério podem trabalhar em conjunto mais estreitamente.

“Nossas nações compartilham interesses comuns que transcendem nossas diferenças, incluindo assistência humanitária, auxílio em desastres e combate às ameaças transnacionais”, disse Miller, nas considerações iniciais da conferência. “Além disso, com nossos parceiros de opinião semelhante, compartilhamos valores comuns, tais como direitos humanos, democracia e respeito ao Estado de Direito.”

Miller afirmou que a realização da conferência é ainda mais importante porque o sistema internacional das regras em vigor desde o final da II Guerra Mundial está sob “pressão” da China e da Rússia.

Esses países trabalham para enfraquecer a ordem livre e aberta e explorar as nações em benefício da Rússia e da China. As duas grandes potências competidoras frequentemente usam práticas predatórias e coerção para submeter as nações menores à sua vontade.

“Ao mesmo tempo, os problemas que representam as organizações criminosas transnacionais, a intranquilidade social, os desastres naturais e a pandemia global ameaçam ainda mais a paz e a segurança que todos trabalhamos com tanto afinco para construir nas últimas duas décadas e meia”, disse Miller.

Há três nações problemáticas no hemisfério: Cuba, Nicarágua e Venezuela. Os ministros da Defesa precisam discutir sobre essas três nações e sobre os esforços para persuadi-las a voltar a um governo democrático através de eleições livres e justas, para pôr fim à violência em seus países, declarou.

Embora os países discordem quanto a alguns eventos na região, há mais em que concordam, disse o secretário interino, elogiando os esforços no hemisfério para melhorar a assistência humanitária e a ajuda em desastres. Os países também estão trabalhando em conjunto no combate às ameaças transnacionais.

“No âmbito da assistência humanitária e da ajuda em desastres, reconhecemos que esses desafios ultrapassam as fronteiras, ameaçando o bem-estar de todos os nossos cidadãos”, afirmou Miller. “Isso requer que busquemos meios de trabalhar juntos em toda a região, com a maior eficiência possível.”

Miller destacou o mecanismo de cooperação em desastres do Chile, uma ferramenta que facilita o intercâmbio de informações quanto à assistência humanitária e à capacidade de resposta aos desastres entre os Estados participantes da conferência.

“Da nossa parte, estou orgulhoso de ver que o Comando Norte dos EUA e o Comando Sul dos EUA [SOUTHCOM] […] puseram em prática 441 projetos de auxílio para combater o coronavírus, apoiando 30 nações nas Américas do Norte, Central e do Sul e no Caribe, com um valor total de US$ 30,4 milhões”, disse ele.

Soldados do 228º Regimento de Aviação do 1º Batalhão da Força-Tarefa Conjunta Bravo e da Companhia de Apoio ao Quartel-General do Batalhão das Forças do Exército realizam operações conjuntas de transporte de carga suspensa na Base Aérea de Soto Cano, Honduras, no dia 31 de agosto de 2020. (Foto: Soldado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Jose González)

Ele também salientou o destacamento do navio-hospital USNS Comfort em 2019 na região para prestar assistência humanitária e ajuda médica aos refugiados venezuelanos.

“No final de 2021, destacaremos novamente o Comfort na região para aliviar a pressão sobre nossos parceiros e aumentar sua resiliência”, declarou Miller.

O secretário também enfatizou a prova piloto da Equipe de Resposta de Assistência à Saúde do SOUTHCOM. Trata-se de um destacamento aeromédico com foco em pacientes não COVID-19 que necessitam de atenção médica urgente na América Central e no Caribe.

A mais recente temporada de furacões – a mais ativa desde que são feitos registros climáticos – também contou com o SOUTHCOM na prestação de ajuda às nações mais duramente atingidas na América Central, realizando 243 missões, salvando 850 vidas e distribuindo mais de 450 toneladas de ajuda humanitária para os parceiros atingidos pelos furacões Eta e Iota.

“Nossos corações estão com aqueles que perderam seus entes queridos, seus lares e sua subsistência devido a esses desastres naturais; e esses eventos mostram a importância do nosso trabalho conjunto nessa conferência”, ressaltou o secretário interino.

As organizações criminosas transnacionais continuam sendo uma ameaça na região. De drogas a refugiados e armas, esses grupos fomentam a violência e a corrupção onde quer que estejam, acrescentou.

“Estou orgulhoso do progresso que fizemos nessa frente, mas ainda precisamos fazer mais para eliminar a predação dos recursos tanto pelos agentes estatais quanto pelos grupos criminosos, o que aumentou este ano”, disse o secretário interino. “Atividades tais como mineração ilegal, tráfico de animais selvagens e pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, ameaçam a segurança econômica e nacional e prejudicam nossa busca pela estabilidade e prosperidade.”

Miller também falou sobre o 20º aniversário da Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre Mulheres, Paz e Segurança.

“Reconhecemos que uma instituição militar faz o seu melhor quando é inclusiva e representativa da sociedade que defende, e quando leva em consideração as necessidades únicas de segurança de toda a população”, disse. “Por isso, o Departamento de Defesa tem o compromisso de criar uma força de trabalho mais diversificada em todos os níveis, promovendo oportunidades iguais para todos e garantindo a incorporação das perspectivas de homens e mulheres em nossos planos, políticas e operações.”

Ele elogiou as nações parceiras que estão trabalhando para aumentar a participação significativa das mulheres nos setores de defesa e segurança, promovendo sua segurança.

“Fazer isso garantirá a potencialização da ampla gama de talentos que cada uma de nossas nações oferece para combatermos os desafios à segurança no século XXI”, concluiu.

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