Governo salvadorenho propõe-se a cobrar imposto de segurança de capital

Por Dialogo
maio 25, 2011


O Governo de esquerda salvadorenho quer cobrar de 2 mil grandes contribuintes um imposto para arrecadar US$ 120 milhões por ano para o combate à criminalidade, o que foi recebido com cautela pelos empresários, que pediram para conhecer antes as ações que serão financiadas com tais recursos.



Após ter procurado assessoria no Governo direitista da Colômbia – onde se aplica um imposto similar – o presidente esquerdista Mauricio Funes apresentou a proposta no dia 20 de maio perante a Comissão Consultiva para temas da nação, que tem como finalidade dotar o Estado de mais recursos para combater “com mais impacto a criminalidade”.



A Comissão, formada por líderes políticos e um ex-presidente direitista (outros se negaram), fará um pronunciamento em breve sobre esta proposta, antes que Funes a envie ao Congresso.



“Estamos pensando em um imposto que não afete o processo de recuperação econômica do país”, declarou Funes, primeiro governante de esquerda salvadorenho, ao assinalar que as médias e pequenas empresas estão fora da cobrança.



O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de El Salvador, Luis Cardenal, reconheceu que o problema da segurança “nos preocupa e afeta a todos”, mas não aceitou a proposta do importo por ser “inconveniente” e “mal planejada”.



O dirigente empresarial lamentou em uma entrevista por telefone com a AFP que a proposta tenha sido anunciada “em linguagem divisionista, classista e populista”, e que o Governo fizera crer à população que a medida só afetaria os mais ricos.



“Isto (o tributo) deve ser analisado, deve ser consultado, e não deve ser feito unilateralmente com linguajar populista, e sem ser acompanhado de outras medidas que são igual ou mais importantes que os recursos”, assinalou Cardenal.



Ele insistiu em que “antes de investir mais dinheiro (na segurança), o que deveriam fazer é procurar a forma de a Polícia voltar a ganhar a confiança do povo, e isso passa por uma depuração e uma reorganização das quais necessita a instituição policial, porque em cada quadrilha criminosa sempre existe um mau policial infiltrado”.



Funes declarou, em 23 de maio, que quem pagará serão os 2.360 contribuintes de “alta renda”, dos quais 1.900 são pessoas jurídicas (empresas), que não realizarão novas distribuições de bens, e sim que poderão deixar de gastar em segurança privada se a criminalidade for reduzida.



“Ao invés de dar esse dinheiro a umas quantas agências de segurança que não lhes dão a segurança da qual necessitam (os empresários), que o repassem ao Estado”, enfatizou Funes.



Uma das vozes que respalda o imposto é o arcebispo de São Salvador, José Luis Escobar, que o considerou “justo”, em 22 de maio, porque será aplicado aos que têm mais, e para aprová-lo recomendou um diálogo para que seja negociado “com boa vontade”.



“Se o Governo diz que para enfrentar a violência é necessário haver um fundo, parece-me que é legítimo, e que o Governo tem todo o direito e obrigação de garantir (…) a paz do país”, comentou Escobar.



A violência gerada pela delinquência comum e as quadrilhas deixa uma média diária de 12 homicídios em El Salvador, um dos mais altos índices da América Latina.






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