Resgate nas fronteiras centro-americanas

Rescue on Central American Borders

Por Roberto López Dubois/Diálogo
abril 18, 2017

Um grupo de 21 unidades das Forças Armadas do Panamá, da Costa Rica e da Guatemala participou, de 6 a 30 de março, do curso Busca e Resgate (SAR, por sua sigla em inglês), oferecido nas instalações do Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT) e patrocinado pelo Escritório de Aduanas e Proteção Fronteiriça dos Estados Unidos (CBP, por sua sigla em inglês), em conjunto com a Embaixada dos Estados Unidos no Panamá. A capacitação foi ministrada por três instrutores norte-americanos e oito do SENAFRONT. Participaram quatro unidades da Guatemala, três da Costa Rica e 14 do Panamá. Os participantes tiveram aulas de resgate técnico em vários tipos de terrenos e na água. Além disso, receberam capacitação em controle de comando de incidentes e medicina tática, entre outros. O objetivo do curso foi o de que os participantes compreendessem a importância do trabalho em equipe e da segurança pessoal, desenvolvessem a habilidade de realizar buscas de pessoas em situações críticas e identificassem, reconhecessem e controlassem os perigos de se realizar um resgate. “Não sabemos o que pode acontecer; qualquer emergência como uma inundação ou o fato de alguém cair é um risco. Para atender esses casos, o Panamá e os outros países merecem ter uma equipe que possa ajudá-los a qualquer momento”, disse o Capitão Joshua Valenzuela, supervisor do SAR do CBP e coordenador do treinamento. Ele afirmou que a experiência de trabalhar com instrutores do SENAFRONT foi positiva porque “assumiram o comando e realizaram muito bem o processo de formação”, acrescentou. A primeira parte da jornada educacional foi oferecida nas salas de aula do SENAFRONT, onde os participantes aprenderam técnicas de resgate vertical, aquático e de primeiros socorros. Então foram para acampamentos militares de treinamento para revisar e melhorar seus conhecimentos, transferindo-se depois para o campo de prática. Essa fase foi realizada na província de Chiriquí, em uma área de floresta na região fronteiriça entre Panamá e Costa Rica. Cenários O Cap Valenzuela explicou que a área usada para os cenários de prática é parecida com a das regiões fronteiriças. Isso permitiu que os participantes desenvolvessem novos conhecimentos e aprendessem técnicas para atender a possíveis emergências em diferentes pontos operacionais. Esse tipo de instrução possibilita que as unidades das forças armadas das nações parceiras adquiram conhecimentos que lhes possibilitem trabalhar de forma coordenada, sobretudo em situações de emergência ou causadas por desastres naturais, em caso de falta de pessoal. “[O curso] É de extrema importância porque trabalham em áreas inóspitas, com montanhas, florestas e rios caudalosos. Graças à capacitação, eles terão o conhecimento necessário para salvar seus colegas ou a população civil que esteja em nossa área de operação”, disse o Terceiro Sargento Danys Nieto, instrutor das Forças Especiais do SENAFRONT. Experiências vividas Em 15 de julho de 2015, quatro membros do Exército Nacional da Colômbia caíram em um precipício durante o patrulhamento na área de fronteira com o Panamá, na selva de Darién. Unidades do Agrupamento das Forças Especiais do SENAFRONT chegaram para apoiar os trabalhos de resgate. “Foi algo muito difícil, mas como tínhamos o treinamento e a capacidade física e mental, pudemos fazer o resgate com êxito”, narrou o 3º Sgt Nieto. “Os trabalhos de resgate duraram aproximadamente sete horas. Graças a Deus e com a ajuda dos meus colegas, resgatamos os soldados”, lembrou. “Os militares colombianos sobreviveram ao incidente graças ao trabalho conjunto e à instrução do curso SAR”, finalizou o 3º Sgt Nieto. No verão de 2016, unidades do SENAFRONT foram surpreendidas pela grande quantidade de pessoas que saíam dos caminhos da selva, na tentativa de ir da América do Sul até os Estados Unidos. As autoridades estimam que umas 20.000 pessoas passaram pela região este ano. “Os imigrantes atravessaram a selva a pé, sem treinamento nem capacidade física para a travessia. Vinham famílias inteiras com crianças”, narrou à Diálogo o comissário Cristian Hayer, diretor do SENAFRONT. Devido aos relatos de quem acabava de chegar, as autoridades descobriram que muitas pessoas ficaram perdidas dentro da selva. As unidades entraram na selva para realizar patrulhamentos e socorrer quem havia ficado pelo caminho. Os resgatados foram levados a albergues, onde receberam apoio humanitário e foram ajudados a cumprir com as formalidades que lhes permitiriam continuar suas rotas. “Para resolver esse tipo de imprevisto, é importante capacitar continuamente o pessoal da instituição e oferecer às outras entidades, nacionais e estrangeiras, o conhecimento que nos permita estar preparados para a busca e o resgate de vidas humanas”, concluiu Hayer.
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