Preparados para operar em conjunto

Preparados para operar em conjunto

Por Geraldine Cook/Diálogo
fevereiro 02, 2018

Planejar, conduzir e avaliar as missões operacionais são a missão do Vice-Almirante Raúl Cerdán Ruíz como comandante geral de Operações do Pacífico (COMOPERPAC) da Marinha de Guerra do Peru. Desde que assumiu o comando em janeiro de 2017, o V Alte Cerdán lidera as unidades das forças de Superfície, Submarinos, Aviação Naval, Fuzileiros Navais e Operações Especiais.

Durante uma visita ao Comando Sul dos Estados Unidos, o V Alte Cerdán concedeu uma entrevista à Diálogo. Ele falou sobre as projeções institucionais do COMOPERPAC, o foco militar, a cooperação interagências e internacional na luta contra o narcotráfico e a interoperabilidade de sua organização.

Diálogo: Qual é a missão do COMOPERPAC?

Vice-Almirante Fernando Raúl Cerdán Ruíz, comandante geral de Operações do Pacífico da Marinha de Guerra do Peru: o COMOPERPAC, como órgão de linha da Marinha de Guerra do Peru, é um braço operacional da instituição cuja missão é realizar o planejamento estratégico operacional, preparar, conduzir e avaliar as operações e atividades logísticas dos comandos operacionais e zonas navais sob sua responsabilidade, formulando suas doutrinas com o objetivo de contribuir para o cumprimento dos objetivos institucionais.

Diálogo: Qual é seu principal foco militar como comandante do COMOPERPAC?

V Alte Cerdán: O principal foco militar é o de agir como comando operacional marítimo dentro do Comando Conjunto das Forças Armadas, preparando forças profissionais para ações conjuntas, altamente treinadas, dotadas tecnologicamente e com capacidade de entrar em ação de forma imediata, observando as regras de utilização da força.

Diálogo: Como o COMOPERPAC contribui para combater as principais ameaças à segurança do Peru?

V Alte Cerdán: O COMOPERPAC contribui para combater as ameaças de hoje treinando e preparando o nosso pessoal, que será destacado aos comandos especiais da organização conjunta nos Vales dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro, e ao Comando de Inteligência e Operações Especiais, para enfrentar principalmente as ameaças de grupos terroristas remanescentes, aliados ao narcotráfico. Também oferecemos apoio às intervenções no âmbito marítimo contra os diferentes crimes, em coordenação com a autoridade marítima nacional, em várias funções que incluem o narcotráfico e a mineração ilegal, entre outros.

Diálogo: Qual é a importância de ser uma entidade interagências formada pelos comandos da Força de Superfície, da Força de Submarinos, das Operações Especiais, da Aviação Naval e dos Fuzileiros Navais? Como vocês coordenam suas ações conjuntas?

V Alte Cerdán: O COMOPERPAC, apesar de participar de acordo com as diretivas da política de Estado e do setor de defesa de forma coordenada com outras entidades do Estado, não é em si uma entidade interagências. A organização administrativa considera como parte de sua formação cinco forças operacionais, que no momento de operar se unem em uma organização de tarefa para o cumprimento da missão. Neste sentido, as ações conjuntas são coordenadas pelo Comando Conjunto das Forças Armadas e pela Marinha de Guerra do Peru por meio do COMOPERPAC, que coloca os meios navais à disposição, com o objetivo de complementar sua utilização com as outras instituições.

Diálogo: O Peru foi anfitrião do UNITAS, exercício naval multinacional conhecido como o maior e mais antigo, em julho de 2017. Que lições aprendidas e experiências esse exercício deixou?

V Alte Cerdán: Assumimos o desafio com muita responsabilidade e conseguimos apreciar o profissionalismo e a dedicação dos integrantes de cada grupo e de cada delegação participante. As operações incluíram a sincronização de operações marítimas com as operações anfíbias, que em outras ocasiões agiram em tempos diferentes e como organizações separadas, tornando-se uma excelente prova da interoperacionalidade dos meios participantes dos diferentes países. O UNITAS 58-17 foi um dos exercícios UNITAS com maior exigência e treinamento dos últimos anos. Ele pode ser aperfeiçoado ainda mais para garantir o apoio mútuo contra as ameaças comuns, por meio da coordenação internacional, de uma comunidade de doutrina, entendimento mútuo, além de aumentar as medidas de confiança entre nossas instituições.

Diálogo: Que importância tem o trabalho conjunto regional e internacional, tanto com os Estados Unidos quanto com outras nações parceiras da região, por exemplo, na luta contra o narcotráfico, com a Força Naval do Pacífico da Marinha Nacional da Colômbia?

V Alte Cerdán: O trabalho conjunto com as nações parceiras da região é de extrema importância. A luta contra o narcotráfico é permanente e o COMOPERPAC, segundo a legislação nacional, coloca os meios materiais e humanos disponíveis à disposição para combater os crimes cometidos no mar, com a liderança da autoridade marítima nacional. Esse esforço também é compartilhado com várias agências regionais, inclusive várias dos Estados Unidos, como a NAS [Divisão de Assuntos Antinarcóticos], o JIATF South [Força Tarefa Conjunta Interagentes Sul] e a DEA [Agência Antidrogas dos EUA] entre outros. Além disso, há um trabalho intenso, com excelentes resultados, com a Marinha Nacional da Colômbia, graças aos vínculos estabelecidos ao longo dos anos.

Diálogo: Com respeito ao trabalho das Forças Armadas no atendimento em caso de desastres naturais, como o COMOPERPAC participou na ajuda às vítimas dos efeitos do Niño Costero no Peru, em março de 2017?

V Alte Cerdán: Participamos ativamente da ajuda aos afetados e enviamos todos os meios e materiais disponíveis, navais e aeronavais, a exemplo do envio das Bases Modulares Móveis, dos veículos anfíbios e do transporte logístico, que foram fundamentais como primeira resposta para proteger a vida dos nossos compatriotas. Posteriormente, estivemos em várias operações de ajuda humanitária às populações afetadas, coordenando de uma forma interagências com várias entidades do Estado para a distribuição de carga e alimentos nos diferentes portos, por meio de pontes marítimas e aéreas, atendendo a emergências de forma multifocal ao mesmo tempo. Nossa forma de agir demonstrou a versatilidade e a utilidade multifuncional dos meios navais em condições críticas. Estamos muito satisfeitos com o que fizemos e aprendemos, permitindo que possamos melhorar ainda mais no futuro.

Diálogo: A Força de Submarinos, com mais de 100 anos de existência, é reconhecida internacionalmente por suas capacidades no alistamento de suas embarcações. Quais são as projeções a curto e médio prazo para essa força?

V Alte Cerdán: Como oficial qualificado em submarinos, estou muito orgulhoso de nossa Força de Submarinos, que hoje é reconhecida internacionalmente por seu profissionalismo. Os membros que a integram têm um treinamento exigente, que faz com que a comunhão homem-máquina seja a ideal para operar nas condições mais adversas.

As projeções a curto e médio prazo estão baseadas no processo de modernização de todas as suas unidades, tanto na área eletrônica quanto em engenharia, e inclui projetos de pesquisa e desenvolvimento que deram excelentes resultados operacionais, como o sonar e o sistema de controle de tiro Kallpa. Além disso, estamos constantemente melhorando nossos currículos com respeito à capacitação e instrução do pessoal que tripula os submarinos, com a implementação de novos simuladores e a participação em vários exercícios multinacionais. Esse é o caso do exercício SUBDIEX, que envia um submarino para o litoral Leste e Oeste dos Estados Unidos para operar com suas forças navais desde 2002.

Diálogo: Qual é seu principal desafio para 2018?

V Alte Cerdán: Nosso principal desafio é o de alcançar os mais altos padrões na preparação da força para o uso em diversas funções, como cumprir os compromissos operacionais dispostos pelo Comando Geral para 2018, incluindo os exercícios multinacionais da região e do mundo, como RIMPAC, UNITAS, SUBDIEX, SIFOREX, Dawn Blitz, Bold Alligator, entre outros.

Diálogo: O senhor gostaria de acrescentar algum comentário para os leitores da região?

V Alte Cerdán: Estamos preparados e dispostos a interoperar com outros países contra as ameaças transnacionais que ameaçam a paz do hemisfério e do mundo, além de renovar nosso compromisso de ter o pessoal e o material prontos para apoiar operações de ajuda humanitária durante os desastres que afetam as diversas populações, dentro ou fora do país.

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