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Presidente interina Áñez nomeia nova cúpula militar e nega “golpe” na Bolívia

Presidente interina Áñez nomeia nova cúpula militar e nega “golpe” na Bolívia

Por AFP
novembro 15, 2019

A nova presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, nomeou no dia 13 de novembro uma nova cúpula militar e negou ter chegado ao poder através de um “golpe de Estado”, como afirma o ex-presidente Evo Morales, asilado no México.

“Não há um golpe de Estado na Bolívia, há um reposicionamento constitucional”, afirmou Áñez em uma coletiva de imprensa no Palácio Quemado, a casa do governo, um dia depois de ter assumido o poder. A dirigente reiterou que convocará eleições “no prazo mais curto possível”.

“O único golpista desse país foi Evo Morales”, disse Áñez, afirmando que o ex-presidente esquerdista indígena desconsiderou o veredito popular em um referendo que foi contra a reeleição por prazo indefinido em 2016 e na eleição de 20 de outubro, quando conquistou uma vitória polêmica que a oposição atribuiu a uma “fraude”. O escrutínio deflagrou as violentas manifestações em massa que levaram à sua renúncia.

“Não aceitarei qualquer outra saída que não seja a de eleições democráticas”, afirmou a presidente direitista, que era a segunda vice-presidente do Senado quando tomou as rédeas do país no dia 12 de novembro.

A advogada, de 52 anos, assumiu o poder em uma controvertida sessão legislativa, sem quórum regulamentar, preenchendo o vazio de liderança criado com as renúncias de Morales e dos demais funcionários na linha sucessória.

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez (à esq), prestou juramento ao comando militar no seu primeiro dia no poder, no palácio presidencial de Quemado, em La Paz, no dia 13 de novembro de 2019. (Foto: Jorge Bernal / AFP)

Sua proclamação foi avalizada pelo Tribunal Constitucional, enquanto os chefes militares e policiais lhe declararam sua lealdade.

No dia 13 de novembro, nomeou uma nova cúpula militar de cinco oficiais, designando como comandante em chefe das Forças Armadas o General de Exército Sergio Carlos Orellana, em uma cerimônia que contou com a presença de cerca de 50 oficiais.

O “Estado precisa de nós, agora mais do que nunca, para manter a paz”, disse o Gen Ex Orellana em um discurso, no qual pediu aos seguidores de Morales que “deixem de lado suas atitudes intransigentes”.

A governante também nomeou um novo chefe do Estado-Maior da Defesa, além de novos comandantes em chefe do Exército, da Marinha de Guerra e da Força Aérea. Áñez elogiou “a atitude democrática das Forças Armadas e da Polícia”, que abandonaram Morales.

A nomeação do Gen Ex Orellana implicou a passagem para a reserva do General de Exército Williams Kaliman, nomeado chefe das Forças Armadas há um ano por Morales e que se negou a enviar suas tropas para reprimir as manifestações da oposição e os motins policiais deflagrados no dia 8 de novembro.

A presidente disse ainda que está “trabalhando na questão” do seu gabinete ministerial e fez uma advertência aos partidários de Morales para que cessem os protestos nas ruas. “A partir de agora, não permitiremos que ponham obstáculos à nossa frente”, declarou.

No entanto, na mesma hora tiveram início confrontos entre seguidores de Morales e policiais a umas três quadras do palácio do governo, cujos arredores estavam bloqueados pelos policiais.

Áñez também convocou “os funcionários públicos para retornarem imediatamente a seus postos de trabalho”, após três semanas de bloqueios nas ruas e paralisações. Entretanto, ela advertiu que fará mudanças nas chefias das instituições do Estado: “todos os cargos públicos deverão ser postos à disposição do novo governo”.

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