Oficial peruano conclui mestrado em segurança nos EUA

Peruvian Officer Earns Master in Security in the US

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
agosto 31, 2018

O Capitão-de-Fragata da Marinha de Guerra do Peru Eduardo Díaz, integrante das Forças Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha, tornou-se o segundo oficial da força militar peruana a participar do Programa Internacional de Luta Contra o Terrorismo da Universidade de Defesa Nacional (NDU em inglês) dos Estados Unidos, em Washington, D.C. O oficial obteve o grau acadêmico de mestrado em Estudos de Segurança Estratégica em maio de 2018.

A convite do Grupo Consultivo e de Ajuda Militar dos EUA, o CF Díaz fez parte desse programa no período de 3 de julho de 2017 a 31 de maio de 2018. Os 87 alunos de 29 países que fizeram o curso são membros das forças armadas, de unidades especiais e de agências envolvidas na luta contra o terrorismo e no combate às ameaças transnacionais em seus países.

“O programa nasceu a partir dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001, quando o governo dos Estados Unidos reformulou toda a sua estratégia”, disse à Diálogo o CF Díaz. “Os EUA consideraram a necessidade de formar assessores militares e civis em nível estratégico contra o terrorismo e de criar uma rede global com todas as nações parceiras, entre elas o Peru.”

O programa educacional foi dividido em três ciclos. O primeiro foi voltado aos estudos de filosofia, das diferentes ideologias e à análise dos grupos terroristas e insurgentes. No ciclo seguinte, os alunos aprenderam como combater os grupos e analisaram as diversas estratégias empregadas por diferentes países em todo o mundo. No último ciclo, os participantes se concentraram na criação e implementação de estratégias e assessoria para seus respectivos países.

Eles analisaram ainda a segurança nacional e a democracia dos EUA. “No processo, eu entendi que a guerra não acontece apenas no campo militar. O programa nos ensina a analisar as raízes do problema para que um diagnóstico correto seja feito”, disse o CF Díaz. “O campo militar é apenas uma das ferramentas que o Estado pode e deve empregar contra os insurgentes. Há aspectos econômicos, sociais e culturais os quais precisamos aprender como relacionar e empregar.”

Linhas de força

O CF Díaz disse que atualmente todos nós sabemos que os grupos radicais são ameaças transnacionais que atentam contra a comunidade global, tais como al-Qaida, Estado Islâmico, Boko Haram, Al Shabaab, Hamas, Hezbolá, Sendero Luminoso e Exército de Libertação Nacional. Ele comentou ainda que a América Latina deve dar mais atenção ao terrorismo porque o risco aflora onde existem alvos atraentes e vulneráveis.

As regiões do Peru que compreendem o Valle dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro (VRAEM, em espanhol), por exemplo, são vulneráveis ao terrorismo. Trata-se de uma área de difícil acesso e sem comunicação, onde a população vive isolada.

“Isso se transforma em um ninho que pode ser utilizado por algum grupo. Sabe-se que onde há um vazio, alguém o preenche; a ausência do Estado permitiu que o Sendero Luminoso desenvolvesse fortes relações com o narcotráfico”, disse o ministro da Defesa do Peru José Huerta Torres em um comunicado. “As Forças Armadas estão empenhadas em combater esse flagelo social [terroristas aliados ao narcotráfico] que permanece no VRAEM.”

“Depois de ter estudado e aprendido sobre os diferentes grupos terroristas e insurgentes, creio que a questão do terrorismo pode ser solucionada no meu país. Quando se combate esse tipo de insurgência, é preciso atacar a raiz”, garantiu o CF Díaz. “A insurgência tem muitos braços, que denominamos linhas de força. Há uma linha de força militar, outra política, uma econômica e a internacional. De repente nós só vemos a parte militar, quando deveríamos [combater] todas as linhas de força.”

Segundo o Índice Global de Terrorismo 2017, elaborado pelo Instituto para a Economia e a Paz, três quartos de todas as mortes por terrorismo no planeta acontecem em apenas cinco países: Turquia, Israel, Iraque, Afeganistão e Nigéria. Os mesmos países vêm sendo os mais afetados pelo terrorismo anualmente desde 2013.

“As ameaças transnacionais nos obrigam a ter uma resposta internacional; não podemos nos isolar do mundo para combater uma ameaça que passa por diferentes países”, disse o CF Díaz. “O terrorismo tem um aliado, o narcotráfico, que se desloca em nível [global]. Se o combatermos em nível internacional, privaremos o terrorismo de sua principal fonte de financiamento.”

Rede internacional contra o crime global

“Sou grato à Marinha de Guerra do Peru e ao governo dos Estados Unidos pela oportunidade de cursar o programa de mestrado, um programa rigoroso e eficiente que possibilitou uma coesão entre nós [os alunos]”, acrescentou o CF Díaz. “Sinto que pertenço a uma rede internacional contra o crime global. Nós também estreitamos as pontes acadêmicas profissionais e os laços de amizade, uma ponte importante quando se trabalha contra essas ameaças.”

Os graduados do programa se somam a uma rede de mais de 500 profissionais dedicados a combater o terrorismo em mais de 80 países. Os ex-alunos aplicam sua formação e sua associação através da rede para conseguirem um resultado significativo no cumprimento de sua missão, informa a NDU, em sua página na internet.

“É primordial manter a rede de contatos e estar atualizados no tema, porque o terrorismo está sempre em evolução”, finalizou o CF Díaz. “Eu sou uma prova de que os companheiros de classe importam. Aconselho os graduados a manter e usar as redes que criaram.”
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