Forças especiais do Peru, Colômbia e EUA realizam exercício Lanza del Sur

Peruvian, Colombian, and U.S. Special Forces Conduct Southern Spear Exercise

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
novembro 09, 2017

Após um longo processo de evolução, que partiu do interesse comum entre Estados Unidos, Peru e Colômbia para fortalecer a cooperação regional em segurança e defesa, terminou o primeiro jogo de planejamento conjunto e combinado de operações especiais Lanza del Sur. Graças a um memorando de entendimento entre o Comando de Operações Especiais Sul (SOCSOUTH, por sua sigla em inglês) do Comando Sul dos Estados Unidos, o Comando de Inteligência e Operações Especiais (CIOEC) das Forças Armadas do Peru e o Comando Conjunto de Operações Especiais (CCOES) do Comando General das Forças Militares da Colômbia, o Ministério da Defesa do Peru enviou uma delegação de 13 pessoas para participar do jogo de guerra em Homestead, Flórida, de 13 a 19 de agosto.

“O objetivo do jogo é potencializar as capacidades de resposta das forças de operações especiais”, disse à Diálogo o Almirante-de-Esquadra da Marinha de Guerra do Peru Francisco Calisto Giampietri, comandante do CIOEC. “[Desejamos] elevar o intercâmbio de informações e inteligência, desenvolver procedimentos de cooperação mútua e o uso da força na luta contra os crimes derivados do narcotráfico e do terrorismo na fronteira comum entre Peru e Colômbia.”

O treinamento de fortalecimento de capacidades dirigido pelo SOCSOUTH foi dividido em três fases: discussões iniciais, linha de planejamento e um jogo de guerra virtual. Na terceira fase, as três nações prepararam o terreno para que as forças de elite verifiquem, em 2018, as áreas onde serão implementadas as frotas e as forças para executar o exercício real em 2019, em uma zona mútua na fronteira entre Peru e Colômbia.

A magnitude das forças a serem utilizadas estará relacionada diretamente com a informação e a inteligência reunidas pelos países participantes. Segundo o Alte Esq Calisto, o componente especial será potente e capaz de enfrentar qualquer desafio que possa se apresentar no desenvolvimento da operação que envolve controlar uma área determinada de território.

“Além da ação militar, há um forte componente de cooperação e inteligência”, ressaltou o Alte Esq Calisto. “Isso moverá sistemas de intercâmbio de informações e inteligência, que resultem em operações controladas por meio do sistema de comando e controle, que permitirão movimentos táticos e operacionais das patrulhas de forma combinada.”

O Lanza del Sur é desenvolvido por dois grupos de forças armadas que têm experiência real neste tipo de combate. “Peru e Colômbia estão em constante ação militar”, declarou à Diálogo Mario Macon, analista independente em assuntos de defesa e forças armadas do Peru. “A Colômbia administrou seus problemas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o Peru com o Sendero Luminoso e outros grupos terroristas.”

“O exercício é um exemplo de como o Departamento de Defesa dos EUA promove enfoques colaborativos para abordar desafios de defesa compartilhados e facilita os esforços de nossos parceiros para exportar segurança a toda a região e a todo o mundo”, disse o Major do Exército dos EUA César Santiago, oficial de Relações Públicas do SOCSOUTH. “Os exercícios multilaterais, como este e o PANAMAX, também permitem que as nações parceiras melhorem a interoperabilidade da segurança e o conhecimento institucional.”

Os desafios da coordenação e do planejamento

A barreira lógica do idioma e dos sistemas de comunicação foram os principais desafios da coordenação e do planejamento do exercício Lanza del Sur 2017. “O fato de envolver um país que não fala espanhol na equação faz com que haja necessidade de tradução ou interpretação”, disse o Alte Esq Calisto. “No entanto, eles [SOCSOUTH] fizeram um grande esforço para participar com falantes de espanhol.”

Como participam três exércitos diferentes com equipes que não são necessariamente comuns, os procedimentos claramente estabelecidos devem ser padronizados tanto no nível operacional do exercício virtual quanto no nível tático para entrar no campo de batalha real. A partir desta abordagem, o SOCSOUTH trabalhou na compatibilidade dos sistemas de comunicação para orientar as ações das forças armadas durante o exercício e contribuir para o sucesso da manobra militar das unidades de elite do Peru e da Colômbia.

“O uso de armas é outra parte que é homologada nessas atividades. No Peru, as Forças Armadas têm armamento diferente”, disse Macon. “A Marinha de Guerra do Peru é totalmente compatível com a OTAN. A Força Aérea tem sistemas mistos. Neste sentido, as forças especiais são mantidas em uma situação intermediária.”

Principal preocupação

O CIOEC, criado em 2010, funciona com as tropas de elite peruanas do Exército, da Marinha de Guerra e da Força Aérea em uma ação conjunta. O trabalho do comando especial compreende treinamento e preparação do pessoal militar e a realização de operações no Vale dos rios Apurimac, Ene e Mantaro (VRAEM). “Atualmente, a principal preocupação do CIOEC, embora na verdade seja o VRAEM, não se exime de ter presença em qualquer outra parte do território nacional, onde exista algum risco para a segurança do país ou seus habitantes.”

O CIOEC apoia as operações do Comando Especial do VRAEM, do Comando Conjunto das Forças Armadas, da Direção contra o Terrorismo e da Direção Antidrogas da Polícia Nacional do Peru. Todas as instituições estão dedicadas a fortalecer as missões contra as organizações criminosas dedicadas ao narcotráfico e aos terroristas remanescentes.

“As operações conjuntas no VRAEM contribuíram para a captura e a neutralização dos principais líderes criminosos”, destacou o Alte Esq Calisto. “Desenvolvemos diversas operações, que permitiram capturar vários comandos de peso gravitacional especial dentro da organização terrorista e que possibilitaram enfraquecer as ações desse tipo de gangue criminosa que existe neste momento no VRAEM.”

Aliança para estender o braço de ação

“O SOCSOUTH não só apoia o CIOEC com o Lanza del Sur. O Peru tem uma relação de longa data com o Comando Sul dos Estados Unidos”, destacou o Alte Esq Calisto. “Hoje, a questão do intercâmbio com o Comando das Forças Especiais do Sul está se expandindo.”

“Além disso, com este tipo de exercícios, o Peru alcança um prestígio em nível internacional e em nível de comandos especiais também”, acrescentou Macon. “Há a possibilidade de ter mais exercícios, uma capacitação maior nesse tipo de treinamento, modernidade e um novo conceito de filosofia.”

“O narcotráfico e o terrorismo devem ser combatidos com a maior potência possível. Aliar-se com um país como os EUA por meio do SOCSOUTH nos permite estender nosso braço de ação”, acrescentou o Alte Esq Calisto. “Nós nos apoiamos mutuamente e somamos capacidades para fortalecer o esforço na luta contra esse tipo de ilícitos que ultrapassa as fronteiras.”

“Valorizamos profundamente os investimentos de nossos parceiros no fortalecimento da cooperação hemisférica”, finalizou o Maj Santiago. “Por meio de atividades de desenvolvimento de capacidades e um intercâmbio maior de informações, permitimos aos nossos parceiros pressionar em múltiplas frentes as redes de ameaças; Lanza del Sur é outro exemplo desse esforço de ativação.”
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