Forças Armadas do Peru intensificam presença na MINUSCA

Peruvian Armed Forces Increase Their Presence in MINUSCA

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
novembro 08, 2017

Com o propósito de fortalecer a continuidade do trabalho das Forças Armadas do Peru em missões internacionais e de apoio à Organização das Nações Unidas (ONU), militares da Companhia de Engenharia do Peru foram deslocados para a República Centro-Africana no âmbito da Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA, por sua sigla em francês). A segunda companhia peruana, composta por 145 militares peruanos do Exército, 41 da Marinha de Guerra e 19 da Força Aérea, iniciou em 5 de setembro a implantação e instalação de material e equipamento da missão. “Os soldados realizam trabalhos de construção e manutenção de aeródromos, estradas e pontes”, afirmou o General-de-Brigada do Exército do Peru Fernando Fitzcarrald Guerrero, chefe do Escritório de Assuntos Internacionais do Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru (CCFFAA). “Isto faz parte do trabalho atribuído pelo organismo internacional, sendo relevado anualmente por um período de 10 anos.” Entre as ações que os militares realizam na África está a remoção de terra para a construção de um aeródromo. Além disso, trabalham na reabilitação, construção e manutenção de pistas não asfaltadas, assim como na reparação, construção e manutenção de heliportos e no transporte de materiais de construção. A participação das Forças Militares do Peru na MINUSCA acontece segundo o memorando de entendimento assinado entre o Peru e a ONU em 11 de novembro de 2003. A primeira Companhia de Engenharia do Peru, com 205 militares, viajou para a cidade de Bangui, capital da República Centro-Africana, em 6 de janeiro de 2016, para realizar o processo de indução e administração. Posteriormente, se deslocaram para a cidade de Bouar, perto de Camerún, para contribuir com o reparo de 35 campos de aviação. O Gen Bda Fitzcarrald contou que no decorrer da implantação da primeira companhia foram atribuídas outras tarefas. Atualmente, ela tem a responsabilidade de edificar dois aeródromos, além de construir e fazer a manutenção de 490 quilômetros de estrada em áreas distintas dos setores de responsabilidade da missão. “Esse trabalho envolve o emprego de uma grande quantidade de recursos humanos e materiais em uma área geográfica selvagem”, detalhou o Gen Bda Fitzcarrald. “Trabalhamos com elevadas temperaturas, presença de grupos armados e diversas enfermidades endêmicas presentes, particularmente a malária, que afetaram o nosso pessoal. Elas foram minimizadas até o momento com a profilaxia adequada e medidas de tratamento preventivo.” “O Peru e suas Forças Armadas estão muito comprometidos com o trabalho solidário da ONU para acabar com a atual situação de conflito”, comentou com a Diálogo César Ortiz Anderson, presidente da Associação Pró-Segurança Cidadã do Peru, uma associação civil sem fins lucrativos que fornece serviços de segurança no Peru. “As Forças Armadas estão altamente capacitadas para proporcionar este tipo de cooperação em nível nacional e internacional.” Mais apoio para a paz “Durante os dois anos de presença na África, o destacamento peruano cumpre com eficácia e eficiência as tarefas encomendadas pela missão”, disse o Gen Bda Fitzcarrald. “Está previsto o deslocamento de pessoal militar adicional para a missão, em coordenação com o Departamento de Operações de Manutenção da Paz.” Em coordenação com a Marinha de Guerra do Peru, o CCFFAA iniciou o processo de planejamento para viabilizar a participação de uma Companhia de Fuzileiros Navais Mecanizada, um navio de reposição logística com um helicóptero embarcado e uma fragata de mísseis com um helicóptero embarcado. Provavelmente, a oficialização da apresentação será realizada em 2018, devido ao tempo necessário para planejar logística, orçamento, equipamento, organização e adequação às normas da ONU, entre outros. “A contribuição do Peru para as missões de paz se traduz em pessoal e material, no intuito de garantir a proteção da população”, disse o Gen Bda Fitzcarrald. “Além disso apoia o processo de transição, facilita a assistência humanitária, a promoção e proteção dos direitos humanos, apoia a desmobilização e a reintegração nas diferentes missões em que participamos.” “Cada destacamento em missões internacionais e de apoio à ONU é uma oportunidade para as forças armadas, porque as unidades militares reforçam suas habilidades e formam recursos humanos altamente qualificados”, acrescentou Ortiz. O Peru conta com oficiais nos postos de observadores militares e estado-maior nas missões na República Democrática do Congo, no Sudão do Sul, em Darfur e Abyei, segundo informação do CCFFAA. Experiência contra o terrorismo “O mundo muda em muitos aspectos. A tendência mundial indica mais terrorismo e processos de mudanças climáticas muito agressivos. Devemos ter gente preparada para enfrentar essas ameaças. É melhor que as forças armadas se preparem em missões de paz”, resumiu Ortiz. “Quanto maior a participação, maior será a experiência, como também o reconhecimento internacional.” As Forças Militares peruanas não procuram apenas uma maior participação nas operações de paz. Também procuram implementar mecanismos para encorajar e aumentar a participação do pessoal militar feminino na manutenção da paz com oficiais deslocados de estado-maior e observadores militares. Para o Gen Bda Fitzcarrald, “a experiência adquirida em missões de paz aumenta a habilidade das Forças Armadas em operações de combate, reconhecimento e segurança de instalações”.
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