Ministério da Defesa do Peru busca melhorar resposta a desastres naturais

Por Dialogo
abril 04, 2016




O governo peruano transferiu o Instituto Nacional de Defesa Civil (INDECI) ao Ministério da Defesa (MINDEF) para melhorar e maximizar a eficiência da resposta do governo a desastres naturais. O Exército, a Força Aérea e a Marinha do país realizaram um encontro inicial com o INDECI para planejar os esforços de cooperação.

O INDECI, um organismo governamental, foi designado ao MINDEF em 19 de fevereiro através da norma 002-2016-ED porque suas operações foram consideradas estreitamente relacionadas às políticas de segurança e defesa nacional, como informou o jornal oficial El Peruano
em 20 de fevereiro. A mudança fortalece o MINDEF, responsável pela mobilização durante emergências e por supervisionar e monitorar os órgãos descentralizados de governo sob sua órbita, assumindo um papel de liderança quando ocorrem desastres naturais.

Após a promulgação do decreto, o ministro da Defesa, Jakke Valakivi, e o General (r) Alfredo Murgueytio, chefe do INDECI, mantiveram uma reunião de coordenação em 24 de fevereiro que contou com a presença de membros do Comando Conjunto das Forças Armadas, liderado pelo Almirante Jorge Ricardo Moscoso Flores. O encontro permitiu “afinar os níveis de coordenação entre o INDECI e as Forças Armadas do Peru, dando-lhes as boas-vindas e incorporando-os às futuras reuniões que lhes permitirão complementar os esforços conjuntos”, disse Valakivi.

Como organismo especializado no programa de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres, o INDECI coordena e interage com diversas entidades de resposta e reabilitação quando as necessidades superam as capacidades dos governos locais e regionais. Mantém uma relação técnica e operacional com as Forças Armadas, que executa uma resposta imediata nas zonas afetadas.

“Por exemplo, o INDECI lidera o Serviço Nacional de Busca e Salvamento Terrestre, integrado pelas Forças Armadas e outras entidades de resposta a desastres”, disse o Gen Murgueytio a Diálogo
. “Essa plataforma para a coordenação nos permite interagir com outras agências para planejar o resgate de pessoas presas em edifícios desmoronados.”

MINDEF e INDECI protegem civis


A união entre o INDECI e o MINDEF beneficiará a população em caso de um desastre em grande escala. A mudança também “melhorará a coordenação no uso dos recursos humanos e materiais das Forças Armadas durante ações de resposta”, explicou o Gen Murgueytio. “Também contribuirá para armazenamento, custódia, transporte e distribuição de artigos de ajuda humanitária, além de prestar apoio na recepção de produtos fornecidos como parte da cooperação internacional que chegará após a passagem pela aduana.”

O INDECI se une ao Instituto Geográfico Nacional, à Comissão Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Aeroespacial, à Escola Nacional de Marinha Mercante Almirante Miguel Grau e ao Serviço Nacional de Fotografia Aérea como organismo público no âmbito do MINDEF. Através das Forças Armadas e em Coordenação com o INDECI, o MINDEF respondeu aos danos da inundação provocada pelo fenômeno El Niño em todo o país. Em 25 de fevereiro, o Comando Conjunto das Forças Armadas mobilizou mais de 700 soldados nas zonas afetadas.

O Comando Operacional do Centro participou com 272 efetivos da 1ª Brigada de Forças Especiais, além de 10 veículos de apoio, para reabrir as regiões atingidas da Rodovia Central e da ferrovia, que estavam bloqueadas pelos deslizamentos de terra e as enchentes dos rios no distrito de San Mateo, província de Huarochirí. O Comando Operacional do Norte coordenou-se com a Defesa Civil para oferecer 62 veículos militares em assistência à missão nas áreas de Tumbes, Chachapoyas e Piura.

Por sua vez, o Comando Operacional do Sul prestou apoio com a mobilização de 500 militares e máquinas pesadas para reforçar as proteções das estradas e colocar sacos de areia na área de Cerro Calzón Colorado em Arequipa. Os soldados também ajudaram a desbloquear as estradas onde se acumulavam detritos.

Comando Especial intensifica treinamento


Em resposta aos níveis crescentes de água no Rio Alto Urubamba, que causaram inundações em fazendas, o Comando do Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro intensificou as atividades de treinamento e avaliação em estreita coordenação com a Defesa Civil em Echarate. “No cenário recente do fenômeno El Niño, o INDECI aumentou a capacidade de armazenamento de bens de ajuda humanitária no norte do país com o uso de instalações das Forças Armadas”, diz o Gen Murgueytio.

Entre o fim de 2015 e 28 de março de 2016, o El Niño afetou mais de 100.000 pessoas. Seus impactos deixaram 20 mortos, 28 feridos e 8.000 desabrigados, segundo o Conselho Nacional de Gestão de Riscos para o fenômeno El Niño. Além disso, 1.210 casas desmoronaram, 1.229 ficaram inabitáveis e mais de 24.200 sofreram danos.

Nas últimas duas semanas de março, as autoridades registraram 31 emergências em 14 regiões, incluindo Amazonas, Piura, Huánuco, Ayacucho e Lima. Poucos meses após o início do ano letivo, 14 edifícios escolares desabaram, 24 foram declarados inabitáveis e 393 sofreram estragos.

O INDECI capacita frequentemente os integrantes das Forças Armadas para que desenvolvam habilidades e adquiram conhecimento para preparação, resposta e reabilitação ante emergências. Oficiais do Exército, Marinha e Força Aérea recebem treinamento nos seguintes cursos: Avaliação de Danos e Análise de Necessidades, Sistema de Comando de Incidentes, Gestão de Centros de Operações de Emergência, Elaboração de Mapas Comunitários de Risco, Sistemas de Alerta Precoce e Gestão de Abrigos para Vítimas. “Desde 2010, o INDECI ministrou seis cursos com 120 horas acadêmicas e práticas sobre Gestão de Resposta a Riscos para oficiais e técnicos das Forças Armadas”, diz o Gen Murgueytio.
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