Peru participa do Fórum de Consciência Marítima Situacional

Peru Takes Part in Maritime Security Conference

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
julho 19, 2018

Com o objetivo de trocar experiências internacionais e melhores práticas no âmbito naval, a Marinha de Guerra do Peru participou do Terceiro Fórum de Consciência Marítima Situacional 2018. O país andino foi moderador de um grupo de trabalho em Norfolk, Virgínia, nos dias 24 e 25 de abril de 2018.

O evento, denominado “Explorando sinergias para aumentar a consciência situacional marítima global”, foi organizado pela direção de Operações Conjuntas Combinadas do Centro de Excelência do Mar (CJOS COE, em inglês), um dos 24 centros credenciados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte. Participaram do evento 150 representantes das marinhas, organizações regionais e empresas ligadas ao desenvolvimento marítimo mundial de 25 países, como Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, México e Peru. A Marinha peruana foi a única organização sul-americana que teve um expositor no fórum marítimo.

“A consciência marítima situacional é a compreensão efetiva de qualquer aspecto associado ao domínio marítimo que possa afetar a segurança econômica ou o meio-ambiente”, disse o Capitão da Marinha Real Canadense Dermont Mulholland, diretor de Planos e Política Estratégica do CJOS COE, durante o evento. “A reunião permitiu a identificação dos desafios para melhorar a construção da consciência marítima em todo o mundo.”

O objetivo do fórum foi buscar a cooperação e a capacidade para realizar operações combinadas e conjuntas no mar. A missão é garantir que os desafios atuais e emergentes em segurança marítima global possam ser abordados com êxito, bem como aproveitar as sinergias da comunidade marítima mundial para facilitar um intercâmbio de informações mais efetivo.

“A participação em fóruns como esse é importante para a construção de uma cooperação que permita um intercâmbio de informações e um combate articulado frente às ameaças comuns”, disse à Diálogo o Vice-Almirante James Thornberry, inspetor geral da Marinha de Guerra do Peru e participante no encontro marítimo. “A luta contra as ameaças representa um dos pilares fundamentais de nossa missão, que garante a soberania e a integridade territorial do país nos âmbitos marítimo, fluvial e lacustre.”

Acordos alcançados

Além de identificar e compartilhar as boas práticas, identificar as ameaças ainda não avaliadas e novas e aumentar a confiança através das relações interpessoais e entre as instituições, os participantes do fórum marítimo concordaram em abordar o problema da consciência situacional. Além disso, tomaram a determinação de melhorar e estabelecer conexões entre as pessoas para construir a confiança e decidiram realizar o fórum anualmente e não a cada dois anos, o que permite uma melhor interação para fomentar a confiança entre os participantes.

“O Peru mostrou que nenhum país ou agência possui a totalidade das informações requeridas para uma consciência situacional efetiva”, declarou o V Alte Thornberry. “Os países precisam colaborar para exercer o controle dos espaços marítimos, já que uma grande variedade de ameaças é enfrentada por uma grande quantidade de agências, as quais têm diferentes enfoques e capacidades que precisam ser alinhados para que haja uma maior eficácia.”

Existem obstáculos para se atingir uma cooperação otimizada, como a falta de disponibilidade de informações, as limitações legais locais, a resistência à exposição de vulnerabilidades próprias, as lacunas nas comunicações, a falta de padrões tecnológicos e a rápida obsolescência de equipamentos e sistemas. Os participantes concordaram em despolitizar a cooperação, identificar as agências relevantes, equilibrar o intercâmbio de informações e promover os acordos de cooperação e a igualdade de tratamento.

Enfoque sistemático

O encontro naval permitiu que os participantes falassem sobre as principais ameaças comuns no mar, onde acontecem atividades ilegais como o tráfico de drogas, a pirataria, o terrorismo, o tráfico de armas, o contrabando, a contaminação ambiental e o tráfico de pessoas. Além disso, concordaram que a consciência situacional marítima constitui um elemento fundamental, já que as informações sobre as operações realizadas em um âmbito tão extenso como o mar é o elemento principal para a execução de qualquer estratégia de luta contra as ameaças.

“Sem informações suficientes e sem a consciência sobre o âmbito marítimo, o combate às ameaças fracassaria”, garantiu o V Alte Thornberry. “O tratamento das ameaças do ponto de vista estritamente repressivo e limitado ao âmbito marítimo pode reduzir a efetividade da solução dos problemas.”

Um dos resultados mais importantes da série de conferências foi “a necessidade de se manter a confiança, cujo componente mais importante são as relações pessoais”, disse o Cap Mulholland. “A consolidação da confiança é a base sobre a qual se deve construir a cooperação para que haja uma interoperacionalidade efetiva”, acrescentou o V Alte Thornberry. O próximo fórum será realizado em 2019 na sede do Comando Operacional Marítimo da OTAN, no Reino Unido.
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