Peru preparado para geadas e friagem

Peru Ready for Unexpected Cold Snap

Por Gonzalo Silva Infante/Diálogo
junho 21, 2017

No Peru, chamam de “friagem” um fenômeno climático definido pela queda repentina da temperatura que vem acompanhada de ventos intensos. Todo ano, durante o inverno, entre os meses de maio a agosto, o país sofre os efeitos dessas baixas temperaturas que podem chegar a menos 10 graus Celsius, ocasionando enfermidades respiratórias e até mortes. Diante disso, todo ano o governo elabora um plano de prevenção para mitigar esses efeitos por meio de ações multissetoriais que proporcionem abrigo, alimentação, moradia, desenvolvimento produtivo, saúde, educação, transporte e eletrificação. Este ano a ajuda se estende a 242 distritos em 16 estados do Peru. A novidade que o plano de 2017 apresenta para enfrentar os efeitos climáticos tem a ver com a inclusão do ministério da Defesa (MINDEF), por meio das Forças Armadas do Peru, nas ações preventivas, quando antes só havia ações reativas. Para isso, o Centro de Operações de Emergência Nacional (COEN) ficou encarregado de levar a cabo essas ações. “O ‘Plano Multissetorial frente às Geadas e à Friagem 2017’ foi elaborado em 16 de fevereiro pela Presidência do Conselho de Ministros com informações do Centro Nacional de Prevenção de Desastres, que estabelece os indicadores de risco, e com informações técnicas do Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia para determinar os setores afetados, explicou à Diálogo o General-de-Brigada do Exército do Peru, Jorge Chávez Cresta, porta-voz do COEN. “Queríamos evitar que nosso trabalho fosse uma ação improvisada. Por isso foi manifestado que as Forças Armadas devem participar e envolver-se no planejamento preventivo para, assim, estarem melhor preparadas para a resposta”, disse o Gen Brig Chávez. Até este momento, o MINDEF não estava incluído, porém, devido à bem-sucedida experiência das Forças Armadas no trabalho realizado frente aos desastres ocasionados pelo fenômeno El Niño Costeiro, essa instituição foi incorporada ao plano. O objetivo foi o de reduzir a zero a taxa de mortalidade, que no ano passado ceifou 69 vidas. “El Niño Costeiro e a participação das forças armadas nos auxiliaram bastante. Ganhamos muita experiência ao ajudar e contribuir com as autoridades para que tenham uma intervenção mais produtiva e mais eficiente, e também trabalhar com a referida população, para nos integrarmos mais”, confirmou o Coronel de Artilharia Miguel Jiménez Montenegro, chefe do Departamento de Apoio ao Estado da II Divisão do Exército do Peru. Aspectos a serem trabalhados A participação das Forças Armadas obedece a três funções principais que têm a ver com o planejamento de posicionamento estratégico. “Temos que ter helicópteros situados em regiões estratégicas, de forma a podermos ajudar nas evacuações ou outro tipo de ajuda se a temperatura cair ainda mais”, explicou o Gen Brig Chávez. Essas aeronaves já estão em operação nos estados de Arequipa, Cusco, Puno e em Tacna, onde ocorrem as geadas, e em Ucayali e Madre de Dios, onde ocorrem as friagens. Em segundo lugar, pretende-se contar com o pessoal nas possíveis zonas de emergência para que a resposta seja imediata. Por meio de suas brigadas, unidades navais e da Força Aérea, deve ser destacado pessoal militar nos diferentes pontos onde é possível que a temperatura caia até os limites de emergência que possam afetar a população. “Os setores vão fornecer-nos seus sistemas de comunicações para que todos tenhamos um sistema homogêneo; além disso, fornecem a relação de seus veículos para sabermos com quais deles podemos contar na área, de forma que, quando o helicóptero não puder entrar nas zonas onde a queda de temperatura for muito alta, possamos ter, em lugares definidos, ambulâncias ou veículos militares para proceder à evacuação”, assegurou o Gen Brig Chávez. Finalmente, o Ministério da Habitação, por meio do Programa Nacional Tambos, ficará encarregado de armazenar e distribuir a ajuda enviada. Os tambos são instalações que servem como sedes de apoio e distribuição de ajuda, onde há médicos, enfermeiros, policiais e militares das FF. AA. Eles mantêm a comunicação por meio do sistema de informações próprio dessas instalações, pois todas possuem internet. O Estado construiu cerca de 280 tambos em nível nacional, dos quais foram escolhidos 69 para essa zona. Vocação e profissionalismo “Nosso trabalho nos processos de emergência não se restringiu à mão-de-obra, mas partiu de um olhar profissional especializado em terra, mar e ar para salvar vidas. Isso é o que temos feito, esse é o nosso trabalho e sempre será”, destacou o Gen Brig Chávez. “Não queremos ficar como uma assistência operária; pelo contrário, queremos mostrar que nossas Forças Armadas são modernas e profissionais e podem auxiliá-los quando precisarem e, particularmente, em caso de desastre.” “Nós nos sentimos em casa, contentes, úteis, não tanto pela admiração, mas porque somos indispensáveis para a nossa população. E o que é mais importante: estamos e vamos estar no momento mais oportuno apoiando nossa gente, esteja onde estiver, com atitude profissional, que é a que tem quem ingressou nas Forças Armadas”, disse o Cel Jiménez.
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