Peru, inovador de tecnologia naval

Peru, Innovator of Naval Technology

Por Gonzalo Silva Infante/Diálogo
março 22, 2018

No final de janeiro de 2018, a Marinha de Guerra do Peru consolidou sua posição de inovação naval entre os líderes latino-americanos com a inauguração do Centro de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico. O novo centro, inaugurado no dia 25 de janeiro, está localizado nas instalações da Diretoria de Alistamento Naval da Base Naval de Callao.

“Temos escritórios do SIMA [Serviços Industriais da Marinha] e da própria Marinha, onde temos projetos que estamos realizando”, explicou à Diálogo o Contra-Almirante Giancarlo Polar Figari, diretor de Alistamento Naval da Marinha. “Contudo, nos últimos anos, aumentou a quantidade de projetos e nos faltava uma infraestrutura adequada para executar projetos concentrados no espaço, na medida em que é preciso usar o pessoal que participa e que, às vezes, está envolvido em dois ou três projetos.”

O Almirante-de-Esquadra Gonzalo Ríos Polastri, comandante geral da Marinha, autorizou o estabelecimento do centro em 2017 para reunir os pesquisadores e engenheiros sob um mesmo teto. O centro recebeu a certificação do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Tecnológica (CONCYTEC, em espanhol), que é a instituição estatal peruana encarregada de gerar e estimular as iniciativas dos setores público e privado para o desenvolvimento científico e tecnológico.

Para obter a certificação do CONCYTEC, os centros de pesquisa devem demonstrar a disponibilidade de equipamentos, infraestrutura e sistemas de informações, entre outros. Além disso, devem contar com pesquisadores e especialistas com experiência para desenvolver os projetos científicos.

Sistemas próprios

O centro tem como objetivo realizar atividades de pesquisa, desenvolver e modernizar sistemas de armas e equipamentos de engenharia para integrá-los nas unidades e dependências navais, aeronavais e terrestres da instituição. Ele também conta com uma equipe de mais de 100 pessoas entre militares e civis que trabalham no desenvolvimento de protótipos e na aplicação de testes, entre outras tarefas, para melhorar as capacidades da Marinha.

“Desenvolvemos projetos que permitem modernizar elementos de marinha que possuíam sistemas antigos”, disse à Diálogo Ernesto Guevara, engenheiro encarregado de desenvolvimento de software da entidade de pesquisa da Marinha. “Estamos modernizando tecnologias de meados [da década] de 1980, para que atendam aos padrões militares internacionais, o que permite uma grande economia em relação a comprar produtos comerciais, mas principalmente em manutenção, pois permite que nós mesmos façamos modificações ao invés de comprar serviços de empresas externas.”

Autonomia e economia

Entre a gama de projetos sob a entidade de pesquisa, destacam-se dois: os sistemas Varayoc e Kallpa. Ambos são sistemas de software de comando e controle que podem ser integrados em várias plataformas navais, tanto para fragatas como para submarinos.

“Esses dois projetos são os de maior importância”, disse o C Alte Polar. “Eles surgiram da necessidade, devido ao fato de não contar com recursos para adquirir um sistema novo. Atualmente, ambos estão operacionais e validados, não apenas pela Marinha, mas também estão integrados a sistemas de armas que adquirimos. As empresas fabricantes validaram a funcionalidade do nosso sistema de comando e controle.”

O sistema Varayoc está integrado em duas fragatas de mísseis, o BAP Bolognesi e o BAP Aguirre. Em 2018, prevê-se a instalação no BAP Mariátegui e no BAP Almirante Grau. Nos próximos anos, será complementada a instalação do sistema – que permite, entre outras funções, disparar os mísseis – nas demais fragatas da Marinha. O sistema também está presente no navio-escola Unión, como treinamento para os cadetes, e será instalado no navio de uso múltiplo BAP Pisco.

“[Os sistemas Varayoc] estão integrados aos sensores, aos radares, e representam uma importante economia em termos de recursos”, disse o C Alte Polar. “E, agora, temos um grupo permanente de engenheiros trabalhando no projeto Varayoc.”

O grupo conta com a colaboração da Universidade de Piura, que dá apoio com engenheiros e doutores para o desenvolvimento constante do sistema. “Acontece que os navios normalmente vão adquirindo ou renovando sistemas distintos ao longo do tempo”, disse Guevara. “Então, se um tipo de radar for renovado, temos que modificar os sistemas de comando e controle para que possam se conectar com esse novo equipamento instalado no navio.”

O sistema Kallpa para submarinos permite a conexão com os sensores e radares para controlar o sistema de armas (torpedos). “Seu projeto e desenvolvimento permite que possamos complementar a manutenção de maior porte e a modernização de nossos submarinos”, comentou o C Alte Polar.

Atualmente, o sistema Kallpa está integrado no submarino BAP Angamos. O sistema será instalado nos outros submarinos da Marinha que estão em processo de modernização.

Rumo ao futuro

Além do convênio com a Universidade de Piura, a Marinha conta com o apoio de diversas universidades peruanas, promovendo o desenvolvimento tecnológico e dependendo dos conhecimentos dos estudantes para continuar avançando. “A ideia é a de trabalhar com estudantes para que eles próprios possam desenvolver tecnologia para a Marinha”, disse Jaime Pezo, engenheiro do centro de pesquisa. “Além disso, estar atualizado em relação às inovações tecnológicas nos permite aprender com eles e eles conosco. Conseguimos, assim, um objetivo comum.”

Embora tenha sido inaugurado, o centro está em sua fase inicial de estabelecimento e os engenheiros e pesquisadores da Marinha continuam concentrados nos projetos em desenvolvimento. Também observam as oportunidades futuras.

“Nossa intenção é a de continuar mantendo a produção para nossos próprios sistemas”, concluiu o C Alte Polar. “No entanto, mais adiante, temos a intenção de poder exportar e consolidar nossa indústria.”
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