Marinha do Chile e Polícia unem forças para reforçar segurança portuária

Por Dialogo
junho 09, 2016




A Direção de Território Marítimo e Marinha Mercante da Marinha Chilena (DIRECTEMAR) está reforçando a luta do país contra o narcotráfico por via marítima com o apoio da Equipe de Operações Subaquáticas (EOS) da Polícia de Investigações do Chile (PDI) por meio de inspeção de cascos de navios internacionais que chegam aos portos nacionais. Conhecido como “técnica de parasita”, o tráfico de narcóticos afixados a cascos de navios tem aumentado “porque permite que as organizações narcotraficantes transportem com segurança drogas para portos ao redor do mundo”, diz o Comandante da DIRECTEMAR, Capitão de Fragata Zvonimir Yuras Cárdenas.

O Comissário Luis Díaz Valencia, chefe da Brigada Antinarcóticos da PDI de San Antonio, afirmou que a localização do Chile o torna um centro para o narcotráfico. “Devido à nossa proximidade com países produtores de cocaína, os portos nacionais são suscetíveis de ser utilizados para o tráfico por meio desse modus operandi.”

Operação conjunta


O Grupo de Resposta Imediata (GRI) da DIRECTEMAR e a EOS da PDI realizaram a primeira inspeção conjunta em 22 de abril no porto de San Antonio, localizado a 117 quilômetros de Santiago, a capital chilena. As equipes inspecionaram o casco do Western Baltic
, um navio de Manila, nas Filipinas, com cerca de 200 metros de comprimento e 10 metros de altura. Grupos do crime organizado escondem cargas de drogas dentro de grandes navios como os Western Baltic
que operam no porto de San Antonio. As forças navais e policiais escolheram o navio porque correspondia a um perfil de risco com base em sua rota antes de chegar ao porto. O navio chegou ao Chile vindo do porto de Callao, no Peru, e já havia ancorado anteriormente em um porto na Costa Rica, outra região propensa ao tráfico de drogas.


Utilizando a “técnica de parasita”, as drogas são afixadas ao casco do navio em um contêiner metálico semelhante a um torpedo, que é soldado à estrutura da embarcação abaixo da linha d’água. Ao inspecionar um casco, as forças de segurança examinam cada parte do navio que está submersa, devendo seguir um procedimento estabelecido pela Organização das Nações Unidas. Inicialmente, o capitão do navio é notificado, depois as forças de segurança estudam o projeto do navio para identificar, em detalhes, as partes que estão submersas. As forças de segurança, em seguida, estabelecem um plano de mergulho.

No caso do Western Baltic
, uma equipe de seis mergulhadores da Marinha e da polícia realizou a inspeção em 45 minutos. Os mergulhadores receberam apoio de lanchas LSR “Arcángel” da Capitania dos Portos de San Antonio, de um Zodiac e equipamentos, incluindo roupas secas de mergulho, dispositivos de comunicação e de visão subaquática, além de assistência médica.

Dissuasão eficaz


Não foram encontradas drogas no Western Baltic
. No entanto, “a realização dessas inspeções é uma estratégia de dissuasão para grupos criminosos porque há acordos de cooperação em compartilhamento de informações de inteligência entre os países para apoiar o combate ao tráfico no mundo todo”, explicou o Comandante Yuras. A última vez que as forças de segurança encontraram drogas escondidas usando a técnica de parasita foi no porto de San Antonio em 2010.

Essa inspeção preventiva foi a primeira e será a única ação revelada para a imprensa nacional, porque o trabalho envolve informações sigilosas e os aspectos da operação são confidenciais. Quando as forças de segurança encontram drogas, os narcóticos devem ser fotografados, filmados e pesados para que possam ser apresentados como prova em tribunal. Atualmente, as forças de segurança concentram as inspeções preventivas nos portos na região central do país antes de expandi-las para a região norte com objetivo de “evitar que portos chilenos sejam vítimas de organizações criminosas”, afirma o Comissário Díaz Valencia.

A DIRECTEMAR, também conhecida como Polícia Marítima, por meio das 11 direções técnicas e de escritórios governamentais regionais em todo o país, monitora a atividade marítima e navios que entram nas águas territoriais. A DIRECTEMAR e a Brigada Antinarcóticos da PDI estabelecerão um plano anual de inspeção, e há previsão de inspecionarem o casco de um navio internacional em junho.


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