Peru, anfitrião do UNITAS LVIII

Peru Hosts UNITAS 2017

Por Gonzalo Silva Infante/Diálogo
agosto 30, 2017

UNITAS (do latim unidade), o maior e mais antigo (1960) exercício naval multinacional do mundo, realizou sua edição número 58 nas costas do Peru, de 13 a 26 de julho. Mais de 4.000 militares de 19 países participaram de uma série de treinamentos nas fases “Pacífico” e “Anfíbio”, cujo objetivo foi melhorar a segurança global com o fortalecimento das operações de guerra e do desempenho conjunto no âmbito marítimo. “Fiquei impressionado com a capacidade de nossos parceiros, tanto em relação a pessoal e equipamentos, como a nível operacional”, disse à Diálogo o Contra-Almirante da Marinha dos EUA Sean Buck, comandante das Forças Navais do Comando Sul dos EUA e da Quarta Frota dos EUA. “Demonstraram habilidades marítimas complexas em um ambiente desafiador”. A variedade de cenários realizados, que incluíram guerra anti-submarinos, guerra antiaérea, guerra contra a superfície, cenários litorâneos e antipirataria, entre outros, são exercícios que exigem muita destreza e, sobretudo, trabalho em conjunto e coordenação. O UNITAS é uma excelente oportunidade para renovar as boas relações entre os países participantes, principalmente com o anfitrião, que pôde mostrar sua capacidade em todos os níveis. “As forças peruanas demonstraram mais uma vez o valor indispensável de sua associação, indicou o C Alte Buck. “Quero agradecer a dedicação e o compromisso do Peru em receber o UNITAS.” Defesa mundial A importância de conseguir coordenações exatas implica superar barreiras como o idioma. A prática constante conseguiu eliminar essa lacuna. “Em um mundo cada vez mais globalizado, devemos trabalhar juntos para competir com os adversários que têm alcance global”, assinalou o C Alte Buck. “Um exercício como o UNITAS é fundamental para a formação de uma força global com poder de dissuadir e, se necessário, derrotar os adversários.” Cada país conta com seu próprio potencial e o UNITAS é uma excelente ocasião para mostrar a tecnologia que existe disponível, e como ela pode ser usada para contribuir com este contingente, que busca defender os interesses compartilhados e desafios comuns. “Quando tivermos equipamentos sofisticados para a defesa, devemos padronizar os procedimentos”, disse o Vice-Almirante da Marinha de Guerra do Peru Fernando Cerdán, comandante geral de Operações do Pacífico. “Isso nos permite funcionar como força-tarefa integrada internacional. Este é o objetivo: integrar-nos e, caso se faça necessário, poder cumprir.” Esse tipo de eventos, que integram distintos países tanto da América como de outros continentes, serve para melhorar também as relações diplomáticas entre os participantes. O exercício multinacional garante a agenda comum em temas de defesa e colaboração mútua frente a qualquer cenário, que inclui ajuda humanitária, operações de segurança e busca de pessoas, entre outros. “Terminamos com uma ação cívica em Huarmey [povoado a 300 quilômetros ao norte de Lima, severamente afetado pelo fenômeno El Niño Costero em princípios de 2017] no dia 23 de julho, organizada pela Marinha do Peru e pela Marinha dos Estados Unidos”, disse o V Alte Cerdán. “Visitamos dois colégios e um hospital de campanha montado devido aos desastres; levamos doações e pintamos os colégios.” Exercícios no mar, em terra e no ar A grande quantidade de participantes desta edição significou também que os diversos países enviassem seus próprios veículos para cumprir as missões estabelecidas. O Chile, anfitrião em 2015, levou nesta ocasião o navio de patrulha OPV-82 “Comandante Toro” e o helicóptero HH-65, além do Grupo de Resposta Imediata da Marinha do Chile. “O OPV-82 Comandante Toro, em conjunto com o helicóptero, realizaram atividades de exploração aeromarítima frente à eventualidade de encontrar naves que estivessem cometendo ilícitos como narcotráfico ou tráfico de armas”, explicou o Capitão-de-Fragata da Marinha do Chile Roberto Fonseca, comandante do OPV-82. “Por sua vez, o Grupo de Resposta Imediata foi a equipe que materializou as atividades de registro e abordagem das embarcações.” O navio faz parte das 30 unidades navais que chegaram ao Peru, o que significou um recorde nos UNITAS, e o helicóptero foi uma das quase 30 aeronaves e mais de 30 veículos anfíbios que demonstraram suas capacidades na última edição de tão importante evento. O poder desempenhar-se como país anfitrião no exercício naval mais antigo do mundo é motivo de reconhecimento. “Poder planejar, conduzir e executar esse exercício permite desenvolver treinamentos nas distintas áreas da guerra, como a anti-submarina, aérea e de superfície, bem como completar as outras áreas de cooperação”, disse o Cap Fonseca. “Cada ano esse exercício melhora; cada um de nossos parceiros traz seus melhores talentos e habilidades para demonstrar e compartilhar com cada um dos participantes”, finalizou o C Alte Buck. A Colômbia será o país anfitrião do UNITAS 59 en 2018. Os participantes esperam continuar com a melhora constante no desenvolvimento das forças armadas da região e conseguir uma união ainda maior entre as nações parceiras.
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