Peru reforça estratégia contra aliança narcoterrorista em zonas de cultivos de coca

Peru Bolsters Strategy Against Narco-Terrorist Alliance in Coca-growing Areas

Por Pedro Hurtado Cánepa/Diálogo
outubro 25, 2016

O governo do Peru estabeleceu oficialmente a intervenção direta das Forças Armadas nas zonas de cultivos de coca do paísosua contínua batalha contra os elementos criminosos dedicados ao narcoterrorismo. A medida entrou em vigor no dia 11 de outubro último e assim permanecerá por 60 dias. A ordem é desenvolver e iniciar a implementação da nova estratégia na zona do Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro (VRAEM), que compreende áreas das regiões localizadas na serra peruana como Ayacucho, Junín, Huancavelica e Cusco, cidades que têm em comum os altos níveis de pobreza e o fato de terem sido afetadas pela violência terrorista entre os anos 1980 e 2000. Segundo o Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime em seu relatório de 2015, só no VRAEM existem 18.333 hectares de cultivos de coca. O documento assinala que só no Peru são 40.300 hectares em 13 zonas de produção, sendo superado apenas pela Colômbia. O presidente do Conselho de Ministros, Fernando Zavala, anunciou nos primeiros dias de outubro de 2016, como resultado desta nova estratégia, a declaração do estado de emergência em diversos distritos do VRAEM. “Esta nova estratégia consiste em que as Forças Armadas assumirão o controle da ordem interna e terão o apoio da Polícia Nacional”, assinalou o peruano Andrés Gómez de la Torre, um perito em temas de Defesa Nacional e Inteligência. A legislação do Peru estabelece que a luta contra o narcotráfico é uma função que recai na polícia. “A finalidade da estratégia do VRAEM é que se tenha uma visão objetiva e um comando unificado a cargo do Comando Conjunto das Forças Armadas e integrado pela Polícia Nacional do Peru”, disse Gómez ao indicar que as novas ações serão mais proativas. Trabalhando juntos Segundo o Ministério do Interior, a Polícia Nacional seguirá atuando nos aspectos cuja competência exclusiva é irrenunciável como a investigação do delito como o tráfico ilícito de drogas, sob a direção do Ministério Público, para os efeitos da legalidade das atuações das forças da ordem e o respeito irrestrito aos direitos humanos. Da mesma forma, os agentes da polícia peruana seguirão sendo os encarregados pela detenção e acusação judicial das pessoas, bem como pelas tarefas de segurança dos cidadãos, entre outras. Gómez assinalou que “o problema do narcotráfico no VRAEM teve início há 10 anos e se transformou em uma guerra de desgaste pelas múltiplas ameaças à segurança nacional”. “Os remanescentes do Sendero Luminoso no Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro já não são o aparato ideológico nem político de um grupo terrorista que questiona o estado de direito; agora são os aliados das máfias do narcotráfico que operam na área”, disse o Ministro da Defesa Mariano González. Para González, a realidade atual dos grupos terroristas no Peru motiva a reorganização de algumas estratégias e da posição do setor. “Com esta norma, as Forças Armadas ficam habilitadas para lutar contra o narcotráfico”, disse ele. O funcionário admitiu que alguns dos riscos na luta contra o narcoterrorismo é a aparição de casos de corrupção nas mesmas forças da ordem (devido às grandes quantidades de dinheiro que são manuseadas) e por isso “foram estabelecidos processos de controle que evitarão que os membros das Forças Armadas caiam em tentação”, disse. O Vice Almirante (R) Carlos Tubino, congressista do Peru, opinou que estas medidas devem ser acompanhadas por outras no intuito de fortalecer a intervenção militar nessa jurisdição, além de permitir que as Forças Armadas realizem de forma direta uma interdição contra o narcotráfico. “Atualmente, existem 64 bases militares do exército no VRAEM e estas não podem fazer interdição direta, confiscar a droga encontrada e colocar os envolvidos à disposição [da Justiça]”, disse o V Alte Tubino ao considerar que as forças militares devem participar de forma direta apreendendo bens e drogas, capturando as pessoas envolvidas e entregando-as à polícia. O ministro da Defesa, Mariano González, especificará a nova estratégia militar aos parlamentares que compõem a Comissão do Congresso peruano de Defesa Nacional, Ordem Interna, Desenvolvimento Alternativo e Luta Contra as Drogas, nos primeiros dias de novembro, para determinar a sua continuidade.
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