Parcerias são vitais para a segurança do domínio espacial

Parcerias são vitais para a segurança do domínio espacial

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
setembro 13, 2021

A Space Foundation, uma ONG dos EUA que advoga pela indústria espacial mundial, em associação com a holandesa KPMG International, que presta serviços de auditoria, impostos e assessoria em 146 países, publicaram no dia 17 de agosto de 2021 o relatório Navegando pelo espaço: uma visão do espaço em defesa, que explora o domínio e o ecossistema espacial.

“O domínio espacial está cada vez mais congestionado e disputado. Novas tecnologias estão surgindo rapidamente. As barreiras para chegar ao espaço estão caindo”, disse Grant McDonald, chefe global de Aeroespaço e Defesa da KPMG. “Novos protagonistas, tanto governamentais como comerciais, competem para obter vantagens. O setor da Defesa, antes exclusivo no domínio espacial, vê-se obrigado a reavaliar o papel que desempenha nesse domínio cada vez mais crucial.”

Nesse sentido, o Chile começará uma “nova era espacial”, com o lançamento de 10 satélites entre 2021 e 2025, oito deles de fabricação chilena, que “terão acesso a constelações internacionais de cerca de 250 satélites”, informou o Ministério da Defesa do Chile em um comunicado. Em 2022, será inaugurado o Centro Espacial Nacional, acrescentou.

Por sua vez, a Agência Espacial da Colômbia (AEC), uma entidade privada sem fins lucrativos, lançará em 2022 os dois primeiros satélites não experimentais do país, informou a revista colombiana Semana. Entre os objetivos da AEC “estão a construção de um centro de operações e o lançamento de mais satélites em médio prazo, envolvendo o governo, a academia e o setor privado”, divulgou a WRadio da Colômbia.

Thomas Dorame, vice-presidente da Space Foundation, disse na apresentação do relatório que “sem planejamento e parcerias efetivas, as nações e seus aliados sofrerão consequências enormes”. O relatório se baseou em entrevistas com quase duas dezenas de líderes internacionais da indústria e da defesa nos níveis mais altos do domínio espacial.

Um dos entrevistados, o General de Exército John W “Jay” Raymond, chefe de Operações Espaciais da Força Espacial dos EUA, disse que “em longo prazo, creio que o espaço se tornará o domínio mais vital para a segurança nacional, superando ar, terra e mar. O espaço se tornará mais crucial como centro econômico”.

Como parte do domínio espacial, o Chile colocará em órbita 10 satélites entre 2021 e 2025. (Foto: Ministério da Defesa do Chile)

Previsões espaciais

O relatório ofereceu quatro prognósticos sobre o futuro da defesa no espaço.

  1. O espaço definirá o futuro da segurança nacional. Alguns países, como Austrália, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, Japão, Reino Unido e Rússia, entre outros, já têm organizações centradas no domínio espacial.
  2. O ritmo da inovação continuará acelerado. Alguns dos entrevistados preveem que as fontes públicas de dados de inteligência competirão com as fontes classificadas.
  3. As parcerias serão decisivas para o sucesso de longo prazo do domínio espacial, com especial atenção à colaboração entre aliados, operações comerciais e civis e satélites de duplo uso civil-militar.
  4. A comunicação transparente e aberta dos protagonistas militares no espaço será chave para evitar conflitos.

A comunicação transparente e aberta dos protagonistas militares no espaço será chave para evitar conflitos.

“Através do espaço, buscamos a redução da lacuna digital, da lacuna tecnológica, o aumento da qualidade de vida da população e, evidentemente, a segurança e o impulso para uma economia mais sustentável e digital”, disse o Coronel Luis Felipe Sáez, subdiretor de Assuntos Espaciais da Força Aérea do Chile, no 36º Simpósio Espacial Anual, que foi realizado em Colorado Springs, entre os dias 23 e 26 de agosto, informou a ADN Radio do Chile.

Nesse mesmo simpósio, John Hill, subsecretário de Defesa para Política Espacial dos EUA, disse: “As doutrinas militares chinesas e russas indicam que veem o espaço como essencial para a guerra moderna e veem o uso de capacidades contraespaciais como meio de reduzir a efetividade militar dos EUA e vencer guerras futuras.”

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