Em agosto de 2024, Diálogo esteve presente durante a execução do exercício multinacional bienal PANAMAX. Durante o exercício, conversamos com o Brigadeiro Víctor Manuel Muñoz Curto, da Força Aérea do Peru, comandante da 6ª Ala Aérea, que serviu como vice comandante da Força Multinacional Sul do PANAMAX 24 e liderou a delegação peruana nos Estados Unidos, a partir da base do Forte Sam Houston, em San Antonio, Texas. O Brig Muñoz destacou os benefícios da participação no exercício multinacional, entre outros tópicos.
Diálogo: O Peru está liderando a Força Multinacional Sul (MNFS), junto com os Estados Unidos, para esta iteração do PANAMAX. Qual é a contribuição das Forças Armadas do Peru este ano?
Brigadeiro Víctor Manuel Muñoz Curto, da Força Aérea do Peru, vice comandante da Força Multinacional Sul do PANAMAX 24: Nesta edição do PANAMAX, participamos com 82 militares nos quatro componentes, e estamos contribuindo muito com a experiência que temos, não apenas por termos participado de outros exercícios internacionais, mas também com a experiência real que temos nas diversas operações e ações militares que temos realizado no Peru, na área do VRAEM [Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro], contra alguns remanescentes de narcotraficantes naquela região.
Diálogo: O senhor participou de várias iterações do PANAMAX desde 2013. Como o exercício evoluiu ao longo dos anos e quais são algumas das lições aprendidas que, de acordo com sua experiência, fortaleceram não apenas o exercício, mas a interoperabilidade entre as forças participantes?
Brig Muñoz: O exercício, ao longo desses anos em que participo, incrementou o número de países participantes. Isso é magnífico. Além disso, gerou o fato de que a maioria dos países participantes está mais interessada na mesma doutrina para o uso do poder militar. Também aprendemos sobre esse tipo de doutrina ao longo das conferências de planejamento e durante o início do exercício, por meio de estudos acadêmicos [atividades realizadas em preparação para o exercício] fornecidos aos países participantes pelo Comando Sul e pela equipe responsável pelo exercício. Entre as lições aprendidas, é realmente útil para todos nós aprender um novo tipo de doutrina para podermos trabalhar de forma conjunta e combinada com outros países da região, sob as mesmas diretrizes doutrinárias. Isso aumenta a interoperabilidade dos países que trabalham de forma conjunta e combinada. Isso nos permite padronizar principalmente os procedimentos que já são muito comuns entre os países participantes e, além disso, gera e fortalece os laços de amizade entre os países participantes, especialmente os oficiais que não apenas participamos de um exercício, mas também contamos com a possibilidade de reencontrarmo-nos, de poder compartilhar e interagir ainda mais com esses oficiais de outras forças e de outros países.
Diálogo: Além do PANAMAX, o senhor também participou de outros exercícios regionais e multinacionais, incluindo o UNITAS, o maior e mais antigo exercício marítimo da região. De acordo com sua experiência, por que é tão importante continuar a realizar esses exercícios com as nações parceiras da região?
Brig Muñoz: Participei do UNITAS como piloto; sou piloto de combate. Pilotei vários tipos de aeronaves e caças em meu país. Também participei de exercícios binacionais combinados, como o PERCOL, com a Colômbia, o PERBRA, com o Brasil, e o PERBOL, com a Bolívia. Esses são exercícios de interdição aérea; e também participei do planejamento e, em alguns casos, da condução do último exercício que fizemos este ano, o RESOLUTE SENTINEL 23, e também o RESOLUTE SENTINEL 24. Tudo isso melhora a interoperabilidade dos países, permite o desenvolvimento de procedimentos comuns a serem seguidos e, acima de tudo, nos permite desenvolver e atualizar nossa doutrina para o uso do poder militar.
Diálogo: O senhor foi oficial de ligação no Comando Sul dos EUA. Por que é importante que as nações parceiras do Hemisfério Ocidental tenham a oportunidade de ter um representante no Comando Sul?
Brig Muñoz: Temos ameaças comuns. Essas ameaças comuns, como o narcotráfico, o terrorismo e o tráfico ilícito de drogas, afetam, por exemplo, tanto o Peru quanto os Estados Unidos. Ter um oficial de ligação no Comando Sul permite uma interação maior e mais fluida entre ambas as forças; assim, eles estão cientes de todas as ações de operações militares que realizamos localmente no Peru. Além disso, isso nos permite gerar mecanismos como treinamentos, operações reais, que podem ocorrer a qualquer momento; os treinamentos ajudam muito para podermos estar atualizados sobre a doutrina e a forma como o poder aéreo é usado na região contra as ameaças comuns.



