Oferecer oportunidades de treinamento para que as nações do Hemisfério Ocidental trabalhem juntas e desenvolvam sua capacidade de planejar e conduzir operações complexas em conjunto está entre os principais objetivos do exercício PANAMAX. Para o Capitão de Fragata Bruno Luis Ferreira Pimentel, da Marinha do Brasil, o planejamento adequado, a preparação e a repetição do treinamento, antes de enfrentar qualquer crise na vida real, são fundamentais para o sucesso da interoperação. Diálogo teve a oportunidade de conversar com o CF Bruno Luis durante sua participação no PANAMAX 24, em meados de agosto, em Fort Sam Houston, Texas, que enfatizou a importância de fortalecer os laços de amizade para combater as ameaças regionais comuns.
Diálogo: Qual é a importância do Exercício PANAMAX para o Brasil e a Região?
Capitão de Fragata Bruno Luis Ferreira Pimentel, da Marinha do Brasil: Além da fase de planejamento, de todo o esforço que é feito no planejamento, a execução em si é muito importante pela troca de experiências, pelas dificuldades que foram apresentadas durante o exercício e, principalmente, por poder estudar a região e ter esse networking.
Acho que é uma grande oportunidade profissional para todos que participam, poder analisar o planejamento, ter uma melhor compreensão da região como um todo e ter essa troca de experiências antes de uma crise. Hoje, em nosso continente, não enfrentamos uma crise de grande envergadura, mas precisamos ter essa troca de experiências, esse conhecimento antes de uma crise. Portanto, nesse aspecto, o exercício é muito importante para fortalecer os laços com nossos parceiros do Brasil, parceiros dos Estados Unidos, antes de uma crise, para que, se um dia houver uma crise no continente, já tenhamos esses laços estabelecidos e conheçamos as pessoas certas.
Diálogo: Quais são as principais ameaças ao Canal do Panamá, para as quais o PANAMAX prepara os participantes?
CF Bruno Luis: O exercício apresenta uma organização extremamente violenta, que é a BML, uma organização fictícia que busca deslegitimar outros atores estatais, bem como o próprio governo do Panamá. Essa organização conta com o apoio de outros atores malignos mencionados no exercício, portanto, tem apoio logístico, financeiro e de treinamento. Em outras palavras, é um exercício muito bem conduzido para fortalecer os laços entre as nações parceiras contrárias a essa organização criminosa, que age de forma não convencional.
Diálogo: Quais foram algumas das contribuições do Brasil para esta edição do PANAMAX?
CF Bruno Luis: O Brasil esteve envolvido em todas as fases do exercício desde o planejamento. Acima de tudo, a maior participação do Brasil tem sido no componente marítimo. Nós temos um oficial general brasileiro como comandante do Comando do Componente Marítimo da Força Combinada (CFMCC). Então, todo o controle marítimo da Área de Operações Conjuntas foi exercido por um oficial general brasileiro [Contra-Almirante Jorge José de Moraes Rulff, da Marinha do Brasil], que supervisionou essa coalizão de meios navais, anfíbios e aéreos. Portanto, acredito que a maior participação do Brasil foi no componente marítimo e, obviamente, no fortalecimento dos laços com as nações parceiras.
Diálogo: Que experiência está levando consigo?
CF Bruno Luis: Eu diria que estou levando uma experiência profissional excelente. É um ganho profissional muito grande. Foi uma oportunidade de trabalhar com parceiros militares dos Estados Unidos como uma nação anfitriã e diversos outros parceiros da América Latina, com representantes aqui [em Fort Sam Houston] da Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Peru… todos os vizinhos do Brasil, e poder trabalhar com esses parceiros militares foi muito enriquecedor. Profissionalmente e pessoalmente falando, é uma oportunidade muito grande e também é um ganho pessoal que levamos para o Brasil, no que diz respeito a exercícios multinacionais.


