Polícia do Panamá intensifica esforços antidrogas

Por Dialogo
novembro 11, 2011








Enquanto autoridades colombianas comemoram a morte de Alfonso Cano, o líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), agentes da Polícia Nacional do Panamá continuam obtendo pequenas vitórias na luta contra as drogas.
A morte de Cano pelas mãos das tropas do Exército colombiano ocorreu poucos dias após a destruição de uma acampamento das FARC na selva pelo Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT) do Panamá na comunidade de Madugandí, na província de Darién. Dois supostos membros da organização criminosa foram presos pelas forças de segurança panamenhas, que tentam deter o movimento de drogas na fronteira proveniente da vizinha Colômbia.

No início de outubro, policiais interceptaram um caminhão de entregas carregado com narcóticos e frutas na cidade de Yaviza. O veículo, que se dirigia ao mercado público da Cidade do Panamá, continha 50 pacotes de cocaína escondidos entre caixas de bananas e mandioca. Dois adultos e um jovem foram presos na operação.
Mas o caminhão de frutas não foi o único veículo de grande porte a ser apreendido. Uma viatura da Polícia Nacional surpreendeu quatro suspeitos em uma SUV Nissan Patrol de cor escura no corredor de Don Bosco, no sul do país, obrigando a caminhonete a fazer manobras desesperadas entre outros veículos que transitavam na pista, até atolar em uma vala de esgoto. Os suspeitos fugiram a pé e continuam foragidos, mas diversos pacotes de maconha foram encontrados, juntamente com um rifle automático AK-47 e muita munição.
Agora, os cavalos são o mais novo trunfo dos traficantes. Em vez de carregar os bichos com ouro para transporte através do istmo como faziam os conquistadores espanhóis há mais de cinco décadas, os narcotraficantes estão usando os animais para traficar drogas pelas áreas rurais do Panamá. O Serviço de Fronteiras do Estado acabou descobrindo a manobra, ao prender recentemente um cavaleiro colombiano e quatro cavalos com 14 sacas contendo mais de 340 kg de cocaína em Molilla, Kuna Yala.
Dentro dos alforjes foram também encontrados 28 cartuchos de munição para pistolas de 9mm, dois rádios, dois celulares e quatro cartões SIM para os telefones.
“Em um ano, o Panamá costuma apreender mais de 75 toneladas”, disse recentemente o presidente panamenho, Ricardo Martinelli, aos jornalistas. “E cada grama de cocaína que nós confiscamos significa menos drogas e menos crime nas ruas dos Estados Unidos.”

Drogas em meio a cargas de peixe
O mercado de peixe de Casco Viejo, na Cidade do Panamá, não está imune ao tráfico de drogas. A Polícia Nacional recebeu uma denúncia que narcóticos estavam sendo contrabandeados no local e transportados de um veículo para o outro. Uma incursão subsequente no mercado encontrou 26 kg de cocaína escondidos em um pequeno contêiner de plástico azul.
“Recebemos um telefonema à 1h dizendo que uma atividade suspeita acontecia no estacionamento”, disse o major Franklin Serrano, da delegacia de Chorillo. “Fomos avisados que a mercadoria estava sendo transferida de um veículo para o outro. A polícia municipal chegou ao local e um contêiner azul caiu de um dos veículos assim que começou a ser perseguido. Foi nele que encontramos as drogas.”
No Panamá, a cocaína tem um valor de mercado de cerca US$ 3.000 (R$ 5.200) o quilo. E Serrano disse aos jornalistas: “Nós também estamos tentando descobrir se as drogas tinham como destino o mercado interno panamenho. Suspeitamos que havia muito mais drogas naquele veículo. Os policiais que o perseguiram disseram que parecia estar bastante carregado.”
Mas mesmo os traficantes de drogas estão sendo cautelosos para não serem roubados. A Polícia Nacional recuperou mais de US$ 23.000 (R$ 40.000) de uma gangue panamenha que teriam sido roubados de traficantes no início de outubro. O dinheiro foi encontrado em duas casas durante uma investida coordenada em San Augustín, distrito de Los Santos.
Mas esse não foi o único “saque” das contas bancárias de narcotraficantes pelas forças panamenhas.
A Polícia Nacional prendeu um suposto contrabandista perto de Colón, que teria cruzado a fronteira ilegalmente vindo da Colômbia, seu país natal, com mais de US$ 450.000 (R$ 785.000).
“A segurança do país está melhorando e houve uma redução dos crimes e roubos”, assegurou Martinelli aos jornalistas. “Devemos continuar trabalhando até que os índices de criminalidade baixem a ponto de ser percebido pela população. Temos que trabalhar incansavelmente para oferecer mais segurança.”
Enquanto isso, o Ministério da Segurança Pública panamenho inaugurou uma nova base operacional no Caribe, mais especificamente em Obaldia, Kuna Yala, em um empreendimento conjunto com os Estados Unidos para impedir que narcoterroristas entrem na região.
“[Essa base] também possui um significado importante, pois é um ponto de ligação com nossa irmã, a República da Colômbia”, declarou o ministro da Segurança Pública, José Raúl Mulino.
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