Panamá aumenta capacidades de interceptação com lanchas Boston Whaler

Panama Strengthens Interdiction Capacities with Boston Whaler Boats

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
dezembro 07, 2017

O Comando do Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) doou equipamentos táticos no valor de US$ 1,8 milhão ao Serviço Nacional Aeronaval do Panamá (SENAN). O Escritório de Cooperação e Defesa da Embaixada dos Estados Unidos no Panamá entregou no dia 30 de agosto ao SENAN duas lanchas Boston Whaler, no Estaleiro Subteniente Rigoberto Castillo, na ilha Périco. As embarcações entrarão na função de vigilância antes do final de 2017.



“A doação dos meios navais e de comunicação aumentará a capacidade operacional para a realização de missões de maneira conjunta e combinada em tempo real,” disse à Diálogo o Comandante Belsio González, diretor geral do SENAN. “A disposição dos meios com as capacidades de interceptação trará uma maior eficácia e resposta aos alertas do narcotráfico.”



As lanchas têm 37 pés de comprimento com um casco de fibra de vidro. Estão equipadas com rádios, radares, ajustes para armamento, sanitários e cabines de descanso. Foram destinadas à frota naval que compõe a Rede de Interceptação Marítima (RIM) no litoral do Pacífico, para reforçar a capacidade de resposta tática da Unidade Naval Especial. A doação inclui binóculos térmicos e rádios portáteis de banda larga, assim como tratores para rebocá-los.



“Superaram as capacidades de propulsão e velocidade que desenvolviam as [lanchas] go-fast utilizadas para a atividade de transporte ilícito de drogas,” acrescentou o Comissário Juan Pino Forero, diretor da Direção Nacional de Inteligência do SENAN. Os novos navios somam-se às oito lanchas rápidas para interceptação marítima que o Panamá adquiriu desde 2014 como parte do Plano Plurianual de Equipamento para ampliar a frota naval.



“A ajuda entregue pelo governo dos Estados Unidos representou uma forma de amenizar e evitar que a droga transite ou entre na jurisdição marítima panamenha ou na jurisdição dos outros países da região,” assegurou o Comissário Pino. “Isso faria com que as estruturas dedicadas ao tráfico ilícito mudassem suas rotas de mobilidade em águas abertas, evitando a entrada de drogas ilícitas e uma redução nos níveis de violência e impacto social.”



De acordo com o Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Delito, a região da América Central foi convertida em um corredor de drogas devido à sua localização geográfica entre os principais produtores de cocaína no sul e os principais consumidores de cocaína no norte. As principais rotas que os traficantes utilizam passam pelo Panamá e pelo Oceano Pacífico. O informe anual de 2016 da Junta Internacional de Fiscalização de Narcóticos destaca as ações panamenhas de prevenção e repressão ao tráfico ilícito de drogas.



Capacidades conjuntas combinadas



“A estratégia de segurança determinada pelo SENAN em coordenação com outras instituições de segurança da Força Pública do Panamá pode demonstrar as capacidades conjuntas combinadas para o desenvolvimento de operações distintas,” explicou o Comandante González. “Ao conhecer as nossas capacidades e limitações, as lições aprendidas nos deram experiência para o desenvolvimento de operações e aplicação da lei, do controle e da interceptação do tráfico marítimo ilícito nas vertentes do Caribe e do Pacífico.”



O SENAN desenvolveu estratégias para neutralizar as ameaças de segurança e fortalecer as capacidades da RIM. Melhorou a frota naval e aérea com maior capacidade e autonomia e incrementou seu posicionamento ao estabelecer bases aeronavais em lugares estratégicos. Além disso, estreitaram-se os laços de colaboração com as agências de inteligência local e com nações parceiras para homologar a informação. Em 2017, as unidades do SENAN desempenharam um papel importante na apreensão de mais de 22 toneladas de substâncias ilícitas em 66 operações estratégicas.



“Uma medição comparativa no comportamento criminal dos narcotraficantes entre os anos de 2014 e 2015 aponta uma variante no aumento dos resultados operacionais anti-narcotráficos com resultados positivos,” sinalizou o Comissário Pino. “Em 2015, as autoridades apreenderam mais de 15 toneladas de drogas em 44 operações.”



Além das fronteiras



O Panamá e os Estados Unidos estão fazendo esforços para fortalecer a cooperação na luta contra as drogas e o crime organizado. O Comando Sul apoia o SENAN nos projetos de manutenção e repotencialização dos meios navais e aéreos, no treinamento, na assessoria em matéria de planejamento e procedimentos, na implementação de exercícios para a segurança da defesa do Canal do Panamá e no intercâmbio profissional para o fortalecimento das relações entre agências regionais.



“O SOUTHCOM é considerado um aliado-chave pelos esforços conjuntos combinados em suas capacidades operacionais e pelo apoio que oferece como suporte aos meios e colaboração operacional e inteligência para o combate à ameaça do narcotráfico,” ressaltou o Comissário Pino. “O Comando Sul é um sócio estratégico com o qual, há mais de 100 anos, compartilhamos valores. Já trabalhamos juntos pelo bem-estar de nossas nações, da região e do mundo,” acrescentou o vice-ministro de Segurança Pública Jonathan Del Rosário.



Os governos do Panamá e dos Estados Unidos formalizaram a cooperação para patrulhar em conjunto a costa do Panamá e sobrevoar o espaço aéreo para interceptar as aeronaves e realizar busca a suspeitos por meio do Tratado de Salas-Becker, em fevereiro de 2002. “O tratado tem ajudado a evitar que a droga transite por águas panamenhas em direção a países da América Central, ao México e à união americana”, disse o Comissário Pino.



Sob a administração do presidente Juan Carlos Varela foram assinados mais de 20 acordos em matéria de segurança com países da região, indicou o Ministério de Segurança Pública em um comunicado. “A segurança gira em torno do grau de cooperação e confiança que os governantes, as forças de segurança e organizações internacionais tiverem para formular planos além de nossas fronteiras”, disse o ministro da Segurança Pública, Alexis Bethancourt.
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