Panamá: Carga de armamentos norte-coreanos preocupa ONU

Por Dialogo
julho 17, 2013



CIDADE DO PANAMÁ – O Panamá pediu a investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU), em 16 de julho, a inspeção de uma carga de supostas peças de armas que foram encontradas a bordo de um navio de bandeira norte-coreana que tentou atravessar o Canal do Panamá na semana passada.
O presidente panamenho, Ricardo Martinelli, tuitou uma foto da carga do contrabando, que especialistas identificaram como um antigo sistema de controle de radar para mísseis terra-ar de fabricação soviética.
Segundo o governo, o material estava escondido sob milhares de sacos de açúcar a bordo do navio Chong Chon Gang, que foi interceptado por suspeita de estar transportando drogas.
Autoridades informaram que, se for comprovado que a carga continha componentes de mísseis, seria uma violação das duras sanções da ONU contra a Coreia do Norte.
O ministro da Segurança panamenho, José Raúl Mulino, disse à RPC Radio que a questão deve ser investigada pela ONU.
“O Conselho de Segurança terá de enviar peritos”, disse.
Os Estados Unidos elogiaram a ação panamenha.
“Estamos prontos para cooperar com o Panamá caso peçam nossa ajuda”, afirmou Patrick Ventrell, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, destacando que qualquer carregamento de “armas ou material relacionado” violaria várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Autoridades na Cidade do Panamá informaram que continuariam a descarregar milhares de sacos de açúcar que escondiam a carga de armamentos suspeita.
Segundo as autoridades, a tripulação resistiu e o capitão do navio tentou cometer suicídio depois que a embarcação foi parada, o que levantou ainda mais suspeitas sobre a carga, segundo especialistas.
A embarcação, que partia de Cuba com 35 tripulantes, foi parada por agentes antidrogas ao se aproximar do Canal do Panamá em 12 de julho e foi levada ao porto de Manzanillo, afirmou Martinelli.
Depois de uma busca, autoridades encontraram os mísseis de contrabando escondidos em uma carga de 100.698 kg de açúcar.
“O mundo precisa parar e anotar: não se pode sair transportando armamentos de guerra não declarados através do Canal do Panamá”, disse Martinelli à Radio Panama em 16 de julho.
O navio estava retido em uma zona restrita e a tripulação foi detida, informaram autoridades. Até o momento, não foram encontradas drogas a bordo.
Luis Eduardo Camacho, porta-voz de Martinelli, estima que uma investigação do navio por peritos em armamentos possa levar até uma semana.
A Coreia do Norte, em uma atitude desafiadora, realizou seu terceiro teste de armas nucleares em fevereiro, desencadeando sanções ainda mais duras da ONU.
Especialistas disseram não saber se a Coreia do Norte tem tecnologia para construir ogivas nucleares para mísseis.
As sanções da ONU proíbem o transporte de armamentos para ou da Coreia da Norte, sendo permitida apenas a importação de armas de pequeno porte. Várias embarcações do país foram revistadas nos últimos anos.
Em julho de 2009, um navio norte-coreano com destino a Myanmar, o Kang Nam 1, foi seguido pela Marinha dos EUA por suspeita de estar carregando armamentos. A embarcação retornou ao país de origem.
Até o momento, não houve reação das autoridades norte-coreanas sobre o navio mantido no Panamá, segundo representantes do país centro-americano. Cuba reconheceu que enviou o sistema de armamento à Coreia do Norte para reparos, de acordo com nota do Ministério das Relações Exteriores cubano em 16 de julho.
Uma parcela de 5% do comércio mundial passa pelo centenário Canal do Panamá, número que deve crescer, trazendo desafios para fiscalizá-lo.

[AFP (Panamá), 17/06/2013; La Estrella (Panamá), 16/07/2013; BBC Mundo (Panamá), 16/07/2013]

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