Panamá lidera combate ao narcotráfico

Panamá lidera combate ao narcotráfico

Por Geraldine Cook/Diálogo
julho 12, 2021

Juan Manuel Pino Forero, ministro da Segurança Pública do Panamá, coordena um esforço nacional e regional para combater as organizações criminosas transnacionais. O trabalho interinstitucional com as agências de segurança, os acordos binacionais de fronteiras e a cooperação do Triângulo Sul fazem parte de seu compromisso contra as redes ilícitas.

O ministro Pino conversou com Diálogo durante a Conferência de Segurança Centro-Americana (CENTSEC) 2021, realizada na Cidade do Panamá nos dias 22 e 23 de junho.

Diálogo: Qual é a importância para o Panamá de ser coanfitrião da CENTSEC 2021?

Juan Manuel Pino Forero, ministro da Segurança Pública do Panamá: O Panamá sofreu em 2020 as consequências da pandemia da COVID-19 e os efeitos dos furacões Eta e Iota. Conseguimos superar essa emergência graças à coordenação interna e à colaboração da Colômbia, Costa Rica e Estados Unidos. Isto demonstra que os países devem se integrar para enfrentar as ameaças e os inimigos comuns. Por isso a CENTSEC é importante, porque nos permite essa integração para realizar o intercâmbio de ideias muito pontuais e efetivas e coordenar as ações, já que os efeitos do impacto ambiental, a luta contra o crime organizado transnacional e a migração irregular são cenários que afetam a segurança, aos quais devemos dar atenção.

Diálogo: Em que consiste o Centro Regional de Operações Aeronavais (CROAN)?

Ministro Pino: Em plena pandemia tivemos uma iniciativa interna para consolidar o CROAN com o apoio dos Estados Unidos. O CROAN une os esforços marítimos da Polícia Nacional, do Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT) e do Serviço Nacional Aeronaval, para combater o tráfico ilícito de drogas no mar através da interdição noturna e diurna. Não se realizou um grande investimento, apenas uma união de doutrina para combater um inimigo comum.

O CROAN é um centro de operações onde são dadas as instruções para a interdição marítima e tem conexão com a Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul do Comando Sul, onde o Panamá mantém um oficial de ligação. Essa iniciativa, que começou no ano passado [2020], é muito bem-sucedida. Até junho deste ano, o Panamá já havia apreendido 62 toneladas de drogas. De acordo com as cifras, este será um ano recorde de apreensões no Panamá, que é o produto da efetividade desse trabalho conjunto.

Diálogo: Quais são os avanços da estratégia entre Colômbia, Costa Rica e Panamá, conhecida como o Triângulo Sul? Como os Estados Unidos apoiam essa estratégia?

Ministro Pino: Trata-se de uma estratégia baseada na confiança mútua. O Panamá tem acordos bilaterais com o Exército, a Polícia e a Marinha da Colômbia. Da mesma forma, tem acordos bilaterais com o Serviço Nacional de Guarda-Costas, o Serviço de Vigilância Aérea e a Força Pública da Costa Rica. O Triângulo Sul é muito eficiente com o apoio dos EUA, porque o maior esforço ou o primeiro bloqueio que deve ser feito à droga tem que ser na posição mais ao sul possível, porque se a droga for levada mais ao norte, se dispersa e se torna mais dispendiosa. Se continuarmos fechando essa passagem marítima de forma conjunta, como fazemos com a Colômbia, Panamá, Costa Rica e Estados Unidos, continuaremos sendo muito mais eficientes.

Diálogo: Panamá e Colômbia incrementaram as operações de vigilância nas zonas de fronteira, no Tampão de Darién. Quais os resultados dessas operações?

Ministro Pino: O Tampão de Darién é uma zona inóspita, e por isso temos três bases binacionais com a Polícia e o Exército da Colômbia, construídas no limite da fronteira, onde uma metade pertence à Colômbia e a outra ao Panamá. Essas bases são exemplos para a região, devido ao excelente trabalho em equipe e ao intercâmbio de informações e inteligência. Essa cooperação através dos anos tem sido efetiva porque esse esforço fez com que a presença de forças irregulares dentro do território panamenho se torne quase nula.

Diálogo: Qual é o maior desafio de segurança para o Panamá?

Ministro Pino: A luta contra as drogas. O Panamá era o primeiro ponto de entrada ou de passagem da droga entre 2014 e 2015, mas essa situação já mudou. Esses grandes esforços feitos pelo meu país, investindo em capacidades, fez com que as organizações criminosas transnacionais buscassem outras rotas. Um pacote de drogas, ao tocar terra firme, se torna automaticamente um problema de ordem pública e social. A droga contamina nossas sociedades e, principalmente, a juventude. Atualmente, temos várias iniciativas para enfrentar esse desafio, como é o projeto de Lei de Extinção de Domínio que apresentamos em abril à Assembleia Legislativa, semelhante à iniciativa da Colômbia para reter os bens que foram adquiridos ilicitamente, o que nos ajudará a combater as organizações criminosas transnacionais.

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