Panamá enfrenta novamente uma velha ameaça

Panama Faces an Old Threat Anew

Por Dialogo
abril 19, 2016




Em 1 de abril, uma coluna de fumaça negra e espessa cobriu o céu ao redor da Cidade do Panamá. Isso ocorreu porque a polícia panamenha incinerou 6,3 toneladas de cocaína, 2,5 t de maconha e 3,8 quilos de heroína depois de destruir outras quase 9 t de drogas, principalmente cocaína, apreendidas de contrabandistas desde o princípio do ano, segundo dados divulgados pelas autoridades.

Grupos de narcotraficantes muitas vezes transportam drogas ilegais que são produzidas na América do Sul e passam pela América Central antes de chegar aos Estados Unidos e à Europa, de acordo com um recente relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2015, o Panamá apreendeu um recorde de 58 t de drogas. Autoridades panamenhas estimam ter confiscado 462 t desde 2000.

Para falar sobre as questões atuais relacionadas às drogas e outros temas relevantes ao país e à região, Diálogo
conversou com Rogelio Donadío, vice-ministro de Segurança Pública do Panamá, durante a Conferência Centro-Americana de Segurança (CENTSEC) realizada em San José, Costa Rica, de 6 a 8 de abril
.

Diálogo:
O novo comandante do Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT), Cristian Hayer, tomou posse em 15 de fevereiro. O que espera dele?

Vice-ministro Rogelio Donadío:
Esperamos que ele continue protegendo as nossas fronteiras. Sobretudo contra o crime organizado em todos os seus aspectos: drogas, tráfico de pessoas, e que proteja a soberania nacional porque, afinal de contas, temos problemas, sobretudo na região sul, onde as organizações criminosas querem chegar mais perto da fronteira do Panamá e estabelecer acampamentos permanentes que são utilizados para a fabricação das drogas e a plantação de coca e de plantas de maconha. Portanto, o que nós esperamos do Comandante Hayer é que ele proteja com muito zelo o território, que o proteja contra o movimento de drogas e quaisquer tipos de crime organizado que possam ocorrer na fronteira.

Diálogo:
A luta contra o crime organizado continua sendo a prioridade do SENAFRONT?

Vice-ministro Donadío:
Sim. Sobretudo em ambas as fronteiras; na fronteira do Panamá com a Colômbia e na fronteira do Panamá com a Costa Rica. Trata-se de um tema forçoso. Além disso, deve haver também a parte preventiva. Um elemento que conceda auxílio social, e que faça que seu pessoal tenha um componente cívico, um componente que trabalhe em benefício da população. Porque, muitas vezes, esse componente de segurança é todo o governo da República do Panamá. São eles que frequentemente oferecem saúde e educação e que representam, até certo ponto, a forma como a população convive de modo pacífico. E isso, a prioridade original, é o combate ao crime organizado, mas também são as ações cívicas que devem ser levadas à população para não permitir que essas comunidades estejam vulneráveis ao crime organizado, ao dinheiro que existe dentro do crime organizado.

Diálogo:
A derrocada das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) pode ser uma ameaça para o Panamá?

Vice-ministro Donadío:
De fato, pensamos que sim, pois pode ser que nem todos os seus membros se desmobilizem, restando assim ainda um grupo armado. Na Colômbia eles podem até se desmobilizar, mas seguirão com o negócio, sobretudo aqueles que ganham mais dinheiro. E uma das possibilidades, que não são remotas, mas reais, é que transfiram seus negócios para as fronteiras com a Colômbia, a Venezuela, o Equador, o Peru, mas também onde está o Panamá. Ou seja, é um fato acreditarmos que eles podem mudar para o território do Panamá e continuar com suas atividades criminosas.

Diálogo:
Já existem plantações de folha de coca no Panamá?

Vice-ministro Donadío:
Já encontramos plantações de folha de coca no Panamá, mas encontramos mais de folhas de maconha. No entanto, nós as estamos erradicando. A vantagem que tivemos em relação a quando esses problemas começaram, entre 2002 e 2005, é que durante esses anos começou a haver a presença dos criminosos de maneira permanente no território do Panamá. A chegada do SENAFRONT os retira do território do país de modo permanente. Hoje, como as fronteiras são cheias de bosques e extensas, eles de alguma forma entram e realizam suas atividades, mas de modo não permanente. Então, é claro que existe o plantio, mas praticamente nada de coca. Existe uma parte pequena que utilizaram para plantar maconha, que foi sendo erradicada no início deste ano. No entanto, desde que foi erradicada até esse momento, não temos visto mais plantações de maconha nem de coca.

Diálogo:
E qual é a importância da continuação do trabalho com os Estados Unidos e outros países da região, nessa luta contra o narcotráfico e outras ameaças?

Vice-ministro Donadío:
Bem, o crime organizado é um crime que toma decisões rápidas, que se modifica, não pede, não respeita soberanias, não respeita as leis. Porém, nós somos os guardiões da constituição e das leis de nossos países, e cada nação também tem de defender a sua soberania. Para podermos atuar nos territórios onde eles atuam, precisamos nos integrar, precisamos nos comunicar, deve existir confiança em nós mesmos, lealdade entre nós mesmos. É preciso fortalecer a fraternidade, fortalecer inclusive o contexto onde nós iremos atuar em determinado caso. Portanto, essa é a única forma que temos para combater o crime organizado que atua em todo o território, desde a Colômbia, e muitos mais além, até os Estados Unidos. Não há forma de combater isso senão nos integrarmos. Não há como combater isso se não estivermos coordenados, se não estivermos organizados, sem uma comunicação eficaz, oportuna e precisa. Não há como combater isso se não houver uma estrutura legal em todos os nossos países. Buscamos trabalhar em conjunto e criar uma rede integrada por ocasião desse tipo de eventos, como aqui na CENTSEC, de modo que um marco jurídico possa ser aplicado respeitando soberania dos países e o modo como cada um de nós vê a vê a solução dos problemas criados pelo crime organizado.

Diálogo:
Poderia nos falar sobre a “Operación Candado”?

Vice-ministro Donadío:
A “Operación Candado” é como a continuação da “Operación Patria”
. Como resultado, já tivemos a desarticulação de acampamentos que eram utilizados pelas FARC. A Operação Candado tem a ver com o fato de que, de alguma forma, devemos cuidar dos nossos litorais e dos nossos mares na fronteira com a Colômbia, tanto no Atlântico como no Pacífico. Se a protegermos e melhorarmos nossas embarcações, os criminosos não poderão entrar no nosso litoral e serão obrigados a passar por fora.
Excelente trabalho. Espero que tudo continue sendo bem organizado para combater todos os tipos de crime, continuem, procurando uma solução para tudo.
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