A cooperação entre o Panamá e os Estados Unidos em matéria de segurança e defesa atingiu um novo patamar, consolidando uma aliança estratégica de longa data, fundamental para a estabilidade regional. Em uma região que enfrenta ameaças em constante evolução, como o narcotráfico, o crime transnacional e a interferência do Partido Comunista Chinês, ambos os países estão comprometidos em continuar sua sólida colaboração, com atividades de capacitação, intercâmbios de conhecimentos e apoio logístico e operacional, entre outras.
“O Panamá é um aliado estratégico dos Estados Unidos e é essencial preservar uma relação sólida e cooperativa”, disse à Diálogo o especialista em segurança Luis Fleischman, professor de Sociologia e Ciências Políticas da Universidade Estadual de Palm Beach. “Além disso, ambos os países mantêm laços comerciais históricos que fortaleceram sua parceria e desenvolvimento ao longo do tempo.”

Segurança e proteção do Canal
Em meados de março, as forças de segurança panamenhas lançaram a fase zero, também conhecida como Operação Mercúrio, do exercício binacional anual PANAMAX Alfa, realizado com o apoio do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), na defesa do Canal do Panamá. Equipes da Força-Tarefa Conjunta Bravo (JTF-Bravo) do SOUTHCOM foram destacadas no Panamá, para apoiar seus homólogos panamenhos nessa fase inicial, que se concentra na ajuda humanitária e no apoio às comunidades locais carentes. A seguir, as equipes dos EUA participarão das fases um e dois do PANAMAX Alfa, que serão realizadas no meio do ano, e consistirão em eventos acadêmicos e exercícios ao vivo.
No início de fevereiro, o ministro de Segurança Pública do Panamá, Frank Alexis Ábrego, e o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reafirmaram seu compromisso com a defesa do Canal do Panamá, um ativo estratégico de importância global, concordando em expandir a cooperação entre as forças Armadas dos EUA e as forças de segurança do Panamá.
A reafirmação dessa aliança e os compromissos para fortalecer a colaboração refletem os laços de amizade e a confiança entre ambos os países, disse Fleischman. “Historicamente, o Panamá tem sido um aliado estratégico dos Estados Unidos”, acrescentou.
Consolidação da segurança
Como parte desse fortalecimento, o Almirante de Esquadra Alvin Holsey, da Marinha dos EUA, comandante do SOUTHCOM, visitou o Panamá nos dias 19 e 20 de fevereiro, para consolidar a cooperação em segurança regional. Durante sua visita, o Alte Esq Holsey se reuniu com o ministro da Segurança Pública, José Ábrego, o ministro das Relações Exteriores, Javier Martínez-Acha Vásquez, e o administrador do Canal do Panamá, Alberto Ricaurte Vásquez Morales, para falar sobre a parceria de segurança entre os Estados Unidos e o Panamá, os desafios de segurança regional, bem como os esforços de colaboração para conter a crise migratória e combater as organizações criminosas transnacionais, que se aproveitam dos migrantes vulneráveis.
Como parte dos esforços para melhorar a segurança cibernética e garantir a continuidade operacional da infraestrutura crítica, o SOUTHCOM e a Autoridade do Canal do Panamá assinaram um acordo de cooperação cibernética. O SOUTHCOM colaborará com o Canal do Panamá para otimizar os esforços conjuntos de segurança cibernética com capacitação, intercâmbio de informações e assistência técnica.
De acordo com a Embaixada dos EUA no Panamá, entre 2023 e 2024, o governo dos EUA forneceu mais de US$ 12 milhões às forças de segurança panamenhas, para apoiar a estratégia de segurança do país centro-americano. Entre outras coisas, no final de dezembro de 2024, após um treinamento humanitário e de combate a incêndios entre as equipes da JTF-Bravo e seus homólogos panamenhos, as autoridades panamenhas inauguraram uma nova estação de bombeiros na província de Darién, doada através do Programa de Assistência Humanitária do SOUTHCOM.
Em junho, o Serviço Nacional Aeronaval (SENAN) do Panamá reforçou suas capacidades com a doação de oito helicópteros Bell UH-1N Twin Huey. Meses antes, em março, o Departamento de Assuntos Internacionais contra o Narcotráfico e Aplicação da Lei (INL), do Departamento de Estado dos EUA, doou equipamentos, transferência de tecnologia e desenvolvimento de capacidades para fortalecer as operações da Força Pública, informou o Ministério das Relações Exteriores do Panamá.
Controle de fronteiras
Como parte de seu compromisso com a luta contra o narcotráfico e o contrabando de migrantes, os Estados Unidos doaram mais de 60 veículos militares ao Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT) e ao SENAN. Esses recursos permitem aprimorar a vigilância nas fronteiras com Colômbia e Costa Rica, pontos críticos de trânsito para o crime transnacional, informou o Ministério das Relações Exteriores do Panamá.
Da mesma forma, os Estados Unidos apoiaram o Panamá na instalação de sistemas biométricos na selva de Darién, para detectar indivíduos com antecedentes criminais e fazer a verificação cruzada com agências internacionais.
Nesse contexto, mais recentemente, no final de fevereiro, a Guarda Nacional de Missouri, parceira do Panamá no Programa de Parceria Estatal do Departamento de Defesa dos EUA, intercambiou melhores práticas com membros do SENAFRONT e da Polícia Nacional, concentrando-se em operações com detidos e nas prisões, como gerenciamento de instalações, protocolos de seleção e controle, entre outras áreas críticas.
A cooperação binacional também resultou na criação do Centro Regional de Operações Aeronavais (CROAN), que desde sua criação, em 2021, luta contra o narcotráfico por via aérea e marítima. Essa aliança está produzindo resultados tangíveis. Em 2024, o Panamá apreendeu mais de 80 toneladas de drogas, em estreita coordenação com as agências dos EUA, informou a agência de notícias espanhola EFE.
“É crucial fortalecer a capacidade dos Estados latino-americanos, para exercer controle sobre seu território e impedir que o crime organizado, especialmente os cartéis de drogas, imponham seu domínio”, declarou Fleischman. “O Panamá, devido à sua localização estratégica e seu controle de áreas-chave, desempenha um papel fundamental nessa equação.”
“A cooperação em capacitação militar deve ser fortalecida e expandida para outros aliados latino-americanos. No entanto, um aspecto fundamental dessa colaboração continua sendo o respeito e a confiança mútuos”, concluiu Fleischman.


