Panamá aguarda especialistas para verificar armas no navio da Coreia do Norte

Por Dialogo
julho 18, 2013



CIDADE DO PANAMÁ , Panamá – Autoridades panamenhas aguardavam a chegada de especialistas americanos e britânicos em 17 de julho para inspecionar as armas cubanas encontradas a bordo de um navio norte-coreano, após a Coreia do Sul ter pedido à Organização das Nações Unidas (ONU) que investigasse o caso.
Autoridades cubanas disseram que as armas encontradas no navio perto do Canal do Panamá, em meio a toneladas de açúcar, eram mísseis e partes “obsoletas” de armamentos da era soviética, que estavam sendo enviados a Pyongyang para conserto.
Mas o Panamá solicitou que inspetores da ONU examinassem a carga, que poderia configurar uma violação das rigorosas sanções de armas impostas sobre a Coreia do Norte quanto ao seu programa nuclear.
“A carga é ilegal porque não foi declarada. Qualquer coisa que não for registrada, mesmo se obsoleta, é contrabando”, disse o ministro da Segurança, José Raúl Mulino. “Estamos esperando a chegada de especialistas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, por nossa solicitação, além de uma equipe técnica do Conselho de Segurança da ONU.”
Autoridades panamenhas acusaram os 35 tripulantes do navio de “crime contra a segurança coletiva”, horas depois de a Coreia do Norte exigir que a tripulação e a embarcação fossem liberadas, disse a procuradora-geral Ana Belfon, em 17 de julho.
Os tripulantes enfrentarão penas de seis a oito anos de prisão, que podem ser prorrogadas se tiverem usado documentos falsos para transportar armas.
As autoridades panamenhas afirmaram ter encontrado equipamentos militares, que acreditam ser mísseis, depois de interceptar o navio e realizar uma busca por drogas em 15 de julho. Um dia depois, Cuba, um dos poucos aliados da Coreia do Norte, declarou a carga como sua. Segundo o Ministério das Relações Exteriores cubano, o material consistia de 240 toneladas métricas de “armas de defesa obsoletas”, incluindo dois sistemas antiaéreos de mísseis.
Também foram descobertos “nove mísseis em partes e peças”, inúmeras partes do avião MiG-21 e 15 motores de avião, “todos fabricados em meados do século 20” e enviados para “serem consertados e devolvidos a Cuba”.
“Os acordos assinados por Cuba neste campo são para manter nossa capacidade defensiva para preservar a soberania nacional”, disse o Ministério das Relações Exteriores de Cuba em nota.
O presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, tuitou uma foto da carga, que especialistas, em 16 de julho, identificaram como um antigo sistema de controle de radar soviético para mísseis terra-ar.
O governo de Martinelli disse que a munição estava escondida em uma carga de 100.000 kg de sacos de açúcar a bordo do navio norte-coreano Chong Chon Gang. A Coreia do Sul elogiou a apreensão.
“Se a carga estiver violando as resoluções da ONU, esperamos que o comitê de sanções de seu Conselho de Segurança tome as medidas cabíveis rapidamente”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul em nota.
O ONU também elogiou a descoberta e disse que ofereceria ajuda se solicitada. Na ONU, diplomatas disseram que a apreensão representa praticamente uma violação de suas sanções.
A tripulação resistiu à busca e o capitão do navio tentou cometer suicídio depois que a embarcação foi parada, afirmaram as autoridades panamenhas em 15 de julho. O navio e a tripulação ainda continuam detidos. Jornalistas foram levados a bordo do navio – enferrujado e sujo, com uma cozinha úmida – em 16 de julho. O único quarto decente encontrado era o do capitão.
A embarcação saía de Cuba com uma tripulação de 35 pessoas quando foi parada por autoridades antidrogas e levada ao porto de Manzanillo.

[AFP (Panamá), 17/07/2013; La Estrella (Panamá), 17/07/2013; DPA (Panamá), 18/07/2013]

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