Panamá e Colômbia se preparam contra crime transnacional

Panama and Colombia Prepare to Fight  Transnational Crime

Por Myriam Ortega / Diálogo
junho 14, 2017

Unidades aéreas da Colômbia e do Panamá se reuniram de 24 a 28 de abril passado no Comando de Combate Aéreo nº 5 da Força Aérea da Colômbia (FAC) e na Estação Aérea do Serviço Nacional Aeronaval do Panamá (SENAN) para realizar a segunda edição do exercício PANCOL II. O treinamento faz parte da preparação entre os dois países para controlar linhas de comunicações aéreas e marítimas de uso ilegal. O ato de abertura do PANCOL II ocorreu na Estação Aérea do SENAN “Teniente Octavio Rodríguez Garrido” com a assistência do Brigadeiro Jorge Tadeo Borbón Fernández, chefe de Operações da FAC, e do Vice-Comandante Luis E. Ruiz, subdiretor do SENAN. O exercício é o resultado do compromisso que as duas nações estabeleceram em 2012, quando o Ministério de Segurança Pública do Panamá e o Ministério da Defesa da Colômbia firmaram o documento Procedimientos Operacionales Vigentes [Procedimentos Operacionais Vigentes]. “Isso nos permite o intercâmbio de informações e entrega de alvos de interesse entre as duas nações de forma oportuna e direta”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel Oscar Jiménez, subdiretor de Operações da Divisão de Defesa Aérea da FAC. Por ar “Foram realizadas missões de controle do espaço aéreo, simulando a entrada ou a detecção de aeronaves não identificadas na área de fronteira”, assinalou à Diálogo o Subcomissário Armando King, chefe do Esquadrão de Helicópteros do SENAN. Dois aviões C-208, um da FAC e o outro do SENAN, cruzaram as fronteiras simulando voos ilícitos, cada um até o país vizinho. “Participaram tripulações dos dois países capazes de operar de forma coordenada, o que proporciona um grau a mais de complexidade ao exercício e, por sua vez, uma oportunidade valiosa para combater esse tipo de ameaças que não têm fronteiras”, precisou o Ten Cel Jiménez. O exercício exigiu dos participantes o intercâmbio de informações entre os dois órgãos, a entrega de alvos, a ativação de protocolos estabelecidos nos centros de comando e o controle de ambas as partes, além da interceptação das supostas aeronaves ilegais. Por mar “Realizamos simulações nas quais, durante a interceptação aérea, a aeronave-alvo (ilícita) lançava ao mar supostas substâncias ilícitas”, indicou o Subcomissário King. Nessa ocasião, o exercício envolveu o grupo naval do Panamá e a Marinha da Colômbia. A referida estratégia responde ao desejo de limitar a ação dos grupos criminosos que empregam o mar como saída. “Da parte da Marinha da Colômbia, esteve o navio de Patrulha Oceânica ARC Valle del Cauca, um helicóptero da Marinha Nacional e uma unidade da guarda-costeira que chamamos de Unidade de Reação Rápida”, informou à Diálogo o Capitão-de-Fragata Jesús González, comandante do ARC Valle del Cauca. A integração da interceptação marítima e aérea no exercício entre países com jurisdição em dois mares permite padronizar procedimentos e conhecer e interagir com as forças militares entre países. O esforço conjunto, por sua vez, agiliza a resposta frente a eventos criminosos que se desenrolam no mar. “[Buscamos] impedir o uso do mar às organizações criminosas transnacionais que tanto nos afetam e que veem no mar sua melhor rota de saída para realizar suas atividades ilícitas, transportando narcóticos, divisas ilegais, migrantes... todos esses diferentes delitos transnacionais que nos afetam na região”, disse o CF González, ao destacar a importância da estratégia realizada. Sucessos e resultados O exercício permitiu a padronização de procedimentos que buscam integrar esforços para controlar as linhas de comunicação marítima e aérea entre os dois Estados. Igualmente, o intercâmbio de informações entre países ajuda a conhecer a mobilização de embarcações a serviço do narcotráfico e outros delitos. “O SENAM mantém uma luta frontal contra o narcotráfico e, atualmente, [o Panamá] é o país com maior quantidade de substâncias ilícitas apreendidas na América Central”, informou o Subcomissário King. Além disso, acrescentou que ambas as instituições ampliaram a comunicação entre si para criar a confiança necessária no desenvolvimento de operações combinadas que controlem o uso do espaço aéreo e marítimo de ambas as nações. “O importante dessa operação é a integração dos meios da força aérea e marinha em temas de interceptação aérea e interceptação marítima em cada uma de suas especialidades. [Conseguimos] vincular um país fronteiriço como no caso do Panamá”, assinalou o CF González. Conseguiu-se o fechamento da passagem para as organizações criminosas transnacionais, “o que é demonstrado pelo fato de que durante este ano não houve voos ilegais entre os espaços aéreos das duas nações”, disse o Ten Cel Jiménez. “O exercício PANCOL II é uma experiência gratificante entre ambas as nações, pois trabalhamos sem cessar para dar à comunidade a cada dia um país mais seguro”, concluiu o Subcomissário King.
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