Operação Sicília golpeia a extorsão na Colômbia

Operation Sicilia Strikes at Extortion in Colombia

Por Yolima Dussán/Diálogo
setembro 08, 2017

Unidades do Exército Nacional da Colômbia, da Polícia Nacional e da Promotoria Geral da Nação deram um duro golpe nas quadrilhas de extorsionários em 26 dos 32 estados do país. O balanço da bem-sucedida operação foi entregue ao país pelo ministro da Defesa Luis Carlos Villegas e pelo General-de-Exército Juan Pablo Rodríguez, comandante geral das Forças Militares da Colômbia, em 28 de julho passado, nas instalações do comando geral da Polícia Nacional. “Durante a Operação Sicília, foram realizadas 42 operações com 67 mandados de busca, entre 25 e 27 de julho”, disse à Diálogo o ministro Villegas. “Neles, foram apreendidas armas de fogo, telefones celulares, entorpecentes, agendas e informações nas quais figuram os nomes de potenciais vítimas. Foram capturados 197 delinquentes; 188 foram [detidos] por ordem judicial e os nove restantes em flagrante.” A gigantesca operação foi uma ofensiva a nível nacional. Esteve voltada principalmente a desarticular organizações criminosas que se dedicaram, durante vários meses, a extorquir transportadores, pequenos comerciantes e vendedores informais em Bogotá e em 26 municípios do país. Diminuem os índices de extorsão A Operação Sicília exigiu quatro meses de trabalho investigativo. Foi um trabalho de rastreamento e acompanhamento minucioso, que terminou com uma enorme apreensão e causou grande impacto na estrutura de organizações criminosas voltadas contra a população civil, que atacavam até pessoas que desenvolvem trabalhos simples e de escala muito pequena para sobreviver. “Com esse tipo de ações focadas contra a extorsão, conseguimos reduzir esse crime. A extorsão no país caiu cerca de 44 por cento, ou seja, hoje esse crime representa a metade dos casos registrados no ano anterior nesta mesma data”, apontou o ministro Villegas. “Resultados como o da Operação Sicília nos permitem ser mais eficazes contra os delinquentes e representam uma mudança significativa na vida das populações afetadas.” Perigosas quadrilhas desarticuladas Com essa ofensiva nacional, o Exército da Colômbia desarticulou seis quadrilhas de delinquentes: “Los Congos” em Magdalena; “Los Empleados Públicos” em Medellín; “Los Parmalat” em Antioquia; “Los Cafeteros” em Arauca; “Los Socialistas” no Norte de Santander; e “Pescado Frito” em Santander. O balanço da Operação Sicília incluiu outras 37 organizações criminosas afetadas, como “Libertadores de Vichada” e “La Cordillera”, no Eixo Cafeeiro. Até o momento, em 2017, as Forças Militares da Colômbia capturaram mais de 1.600 extorsionários em todo o país. Desarticularam cerca de 80 quadrilhas e organizações dedicadas a esse crime que, muitas vezes, são controladas de dentro das prisões, situação que tornou mais rígidas as medidas de controle e vigilância nos últimos anos. Contra a extorsão à população civil A desarticulação das quadrilhas extorsionárias revelou a ação devastadora desse crime. Comerciantes, donos de estacionamentos, transportadores e condutores de veículos distribuidores de alimentos em Itagüí, Antioquia, por exemplo, eram obrigados a pagar aos delinquentes entre US$ 3 e US$ 170 por semana em troca de não se atentarem contra sua segurança. Os habitantes de algumas cidades eram extorquidos pelo consumo de água; os condutores de ônibus, bicitáxis e mototáxis eram obrigados a pagar para terem permissão de circular por determinadas vias. Existia a intimidação a pequenos comerciantes para que pudessem vender ovos, açúcar ou sal, segundo as informações entregues à Diálogo pelo Comando Geral das Forças Militares da Colômbia, que se aprofunda na radiografia das modalidades de extorsão. “A quadrilha ‘Los Pepes’ detida é acusada de extorquir feirantes de municípios do Atlântico e os integrantes do grupo criminoso ‘Los Gualiva’ estão sendo julgados por cobrar de comerciantes e transportadores de Soacha, Cundinamarca, uma suposta ‘colaboração’ para melhorar as condições de segurança”, afirmou o documento. “Em Cali, foi golpeado o grupo criminoso ‘Los Boqueños’ e foram presos 10 supostos delinquentes que pediam cotas aos habitantes do setor de Vallado, habitado por pessoas de parcos recursos.” Programa para repotencializar os GAULAS A extorsão é um dos maiores flagelos da sociedade colombiana. Esse crime pode se prolongar por causa do pós-conflito. Guerrilheiros dissidentes poderiam recorrer a ele como fonte de financiamento. “O grande desafio é trabalhar com maior contundência para combater as organizações e pessoas dedicadas à extorsão”, assegurou o Gen Ex Rodríguez. “Diminuímos os índices, mas o objetivo é chegar ao ponto zero”, afirmou. As forças militares adiantaram um programa para repotencializar os 30 Grupos de Ação Unificada para a Liberdade Pessoal (GAULAS). Esses grupos estão localizados em pontos estratégicos do território nacional, mais dois GAULAS de elite que o comando geral ativou para cuidar de situações especiais quando alguma zona é atacada por ações pontuais de extorsão. “O resultado da Operação Sicília é uma amostra clara de que o trabalho interinstitucional produz excelentes resultados contra a extorsão e o sequestro”, acrescentou o Gen Ex Rodríguez. “Todo esse esforço institucional evitou, até o momento, em 2017, o pagamento de valores calculados em US$ 2,5 milhões. Agora, nossas capacidades estão melhor estruturadas e têm maior alcance. A Operação Sicília é um exemplo disso”, finalizou.
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