Pela primeira vez na história do CRUZEX, as operações cibernéticas desempenharam um papel fundamental. O CRUZEX 2024 apresentou o “CRUZEX CYBER”, um exercício cibernético simulado, projetado para integrar a defesa cibernética às operações aéreas tradicionais, marcando uma nova fronteira no treinamento militar.
CRUZEX, um dos maiores exercícios militares multinacionais da América Latina, tem se concentrado tradicionalmente no aprimoramento da coordenação operacional aérea e espacial. Este ano, a inclusão de cenários cibernéticos teve como objetivo expandir o escopo do exercício, destacando a interseção crucial dos domínios cibernéticos e aeroespaciais.

“Essa integração permite que ambas as forças se beneficiem do intercâmbio de informações em tempo real e da coordenação estratégica”, declarou o Tenente-Coronel Tiago Josué Diedrich, da Força Aérea Brasileira, chefe da Célula de Operações Cibernéticas. “As operações cibernéticas podem apoiar as missões aéreas, reduzindo os riscos de detecção e confronto direto, aprimorando assim a eficiência da missão e o sucesso na consecução dos objetivos estratégicos.”
Em um formato Capture the Flag, o exercício simulou uma série de desafios cibernéticos, testando ao mesmo tempo a capacidade dos participantes de defender e explorar sistemas cruciais para as operações aeroespaciais. A cada dia, a equipe concluiu diferentes missões relacionadas às operações aéreas.
“Hoje, estamos decifrando mensagens e tentando localizar áudios para descriptografar e, se somos bem-sucedidos, fornecemos essas informações e inteligência à ala para suas missões aéreas”, disse o 1º Tenente Robert Woods, da Força Aérea dos EUA, oficial de guerra cibernética da Guarda Nacional Aérea de Vermont. “No final do dia, analisamos tudo e compartilhamos as soluções uns dos outros, porque há várias maneiras, técnicas e ferramentas que podem ser usadas para resolver um problema.”
Participantes do Brasil, Colômbia, Estados Unidos, Paraguai e Peru participaram dos cenários simulados, trabalhando juntos para desenvolver respostas coordenadas, não apenas às ameaças cibernéticas, mas também às ameaças espaciais.
“Este é o primeiro ano em que o espaço faz parte do CRUZEX e, portanto, estamos tentando ajudar a estabelecer as bases de como isso será no futuro”, declarou o Terceiro-Sargento Jason Capostagno, da Força Aérea dos EUA, operador de sistemas espaciais da 107ª Ala de Ataque da Guarda Nacional Aérea de Nova York. “O exercício funciona como um catalisador para que possamos reunir-nos com nossos parceiros em um ambiente espacial e intercambiar melhores práticas.”
O CRUZEX CYBER é uma prova do fomento da colaboração internacional e do aprimoramento da experiência em segurança cibernética entre as nações participantes. O treinamento teve como objetivo fortalecer a resiliência das infraestruturas militares críticas e reforçar as parcerias estratégicas da região.
“A segurança cibernética estará presente em todos os aspectos de nossa guerra cibernética e ter uma força cibernética capaz de gerenciar e trabalhar nesses ambientes com nossos parceiros é imensamente importante”, disse o 1º Ten Woods.
Com a integração das operações cibernéticas em um exercício tradicional focado no setor aeroespacial, o CRUZEX 2024 marca um avanço significativo na preparação das forças militares para as complexidades da guerra moderna, em que as ameaças cibernéticas são tão reais quanto as físicas.