O presidente interino Guaidó pede um referendo para rejeitar as eleições parlamentares fraudulentas do regime em dezembro

O presidente interino Guaidó pede um referendo para rejeitar as eleições parlamentares fraudulentas do regime em dezembro

Por Geraldine Cook
dezembro 01, 2020

O presidente interino da Venezuela Juan Guaidó convocou um referendo (consulta popular ou voto popular), que será realizado paralelamente às eleições parlamentares do dia 6 de dezembro, promovidas pelo regime ilegítimo de Nicolás Maduro. Horacio Medina, membro do Comitê Organizador da Consulta Popular, informou que a atividade será realizada entre 7 e 12 de dezembro, em duas fases, uma digital e uma presencial.

O referendo, disse Guaidó, “não é uma luta pelo poder, é uma luta pela dignidade. Não é uma briga de direita ou de esquerda, de Guaidó contra Maduro, é pela dignidade da Venezuela”.

“O que depende de nós é levantar a voz e denunciar a necessidade de proteção”, acrescentou.

Medina explicou que os únicos requisitos serão ser maior de 18 anos, apresentar a carteira de identidade ou o passaporte, vencido ou vigente, e que poderão participar venezuelanos tanto dentro como fora do país. Ele disse que, ao ser realizado durante quase uma semana, o referendo cumprirá os protocolos de prevenção à COVID-19 em vigor em cada país estrangeiro.

Além disso, as bases de dados com os nomes dos participantes desse referendo ficarão protegidas e não poderão ser acessadas pelo regime de Maduro.

Três perguntas

O Parlamento aprovou três perguntas que serão incluídas no referendo. A primeira questionará se o eleitor apoia os mecanismos de pressão nacional e internacional para pôr fim ao regime de Maduro. A segunda indagará se o eleitor repudia as eleições parlamentares convocadas por Maduro para o dia 6 de dezembro. A terceira perguntará se o eleitor apoia a participação da comunidade internacional na restauração da democracia, na ajuda à crise humanitária e na prevenção de novas violações aos direitos humanos.

O objetivo final, informou a advogada Blanca Rosa Mármol, outra integrante do Comitê Organizador, é “que seja posta em ação a obrigação da Organização dos Estados Americanos e da Organização das Nações Unidas para preservar os direitos humanos e a democracia na Venezuela”.

“(A consulta popular) é como um processo eleitoral; os cidadãos terão que depositar, presencial ou eletronicamente, um ‘sim’ ou um ‘não’”, disse Mármol. “É o último recurso constitucional.”

Félix Seijas, diretor do Instituto Delphos, uma empresa de pesquisas venezuelana, disse ao jornal espanhol ABC Internacional que, de acordo com uma pesquisa realizada no início de novembro, o regime ilegítimo de Maduro só conta com menos de 20 por cento de apoio.

Seijas disse ao ABC Internacional, referindo-se à participação nos processos eleitorais, que as eleições legislativas de Maduro só detêm 13 por cento de participação, e a consulta popular mais de 37 por cento.

Os organizadores do referendo entraram em contato com grupos de venezuelanos em 70 países. De acordo com Medina, a expectativa é de que haja uma participação de cerca de 6 milhões de pessoas. Dessa cifra, espera-se que 3,5 milhões o façam a partir do exterior.

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