Chefa da polícia da Nicarágua explica sucesso no combate ao crime

Nicaraguan Police Chief Aminta Granera Explains Success in Fighting Crime

Por Dialogo
julho 02, 2012



Este pode ser o país mais pobre da América Central, mas, no que diz respeito a prender narcotraficantes e coibir o crime, a Nicarágua realiza um trabalho melhor que qualquer um de seus vizinhos.
Essa foi a mensagem proferida por Aminta Granera, diretora-geral da Polícia Nacional da Nicarágua. Essa avó de 60 anos, que chegou a ser noviça da Igreja Católica, é bastante respeitada por seu sucesso em reduzir a incidência de crimes violentos durante os cinco anos em que comandou a força policial que tem 40% de seus 12.000 membros do sexo feminino.
A diretora ressaltou que, com apenas 17,9 policiais por 10.000 habitantes, a Nicarágua é o país menos policiado da América Central. Esse número contrasta com os 22,4 policiais por 10.000 em Honduras, 28,6 na Guatemala, 32,1 na Costa Rica, 40 em El Salvador, 46,2 em Belize e 50 no Panamá.
Os policiais nicaraguenses também são os que recebem a remuneração mais baixa – US$ 120 (R$ 248) por mês – em comparação aos outros países da América Central: US$ 232 (R$ 480) em Honduras, US$ 370 (R$ 765) em El Salvador, US$ 450 (R$ 931) no Panamá, US$ 500 (R$ 1.035) em Belize e US$ 584 (R$ 1.208) na Costa Rica.

Fazendo mais com menos

Mesmo assim, quando se trata da real estatística do crime, a Nicarágua é a última da lista da região em simplesmente todas as pesquisas. Em 2012, o país contabilizou apenas sete sequestros (comparado a 19 na Costa Rica, 29 em El Salvador, 38 no Panamá, 71 em Honduras e 133 na Guatemala). No ano passado, apenas 272 veículos foram furtados na Nicarágua – uma fração mínima dos 2.811 carros roubados em El Salvador e dos 7.334 na Guatemala.
Aminta informou à plateia que apenas 6,9% das queixas registradas no ano passado diziam respeito a crimes violentos, como assassinatos, sequestros, estupros e assaltos. O restante tinha a ver com infrações menores. Esses 6,9% estão abaixo dos 7,9% de 2010 e dos 8,2% do ano anterior, segundo ela, o que representa um progresso pequeno porém constante.
Isso se deve ao fato de a Nicarágua ter conseguido fazer mais com menos, afirmou a diretora-geral em seu discurso em 18 de junho no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, com sede em Washington, EUA.
“A Nicarágua é o único país da América Central que tem conseguido reduzir de maneira consistente as taxas de homicídio nos últimos dois anos”, orgulhou-se Aminta, ressaltando que a taxa atual é de 12 por 100.000 habitantes, a mais baixa do istmo centro-americano juntamente com a Costa Rica. Um pouco acima da média mundial de 8,8, essa conquista é particularmente impressionante, principalmente por ocorrer em uma região notória pelas mais altas taxas de homicídio do mundo, lideradas por seus vizinhos Honduras (86 por 100.000) e El Salvador (72 por 100.000).

A diretora-geral da polícia é também a servidora pública mais popular da Nicarágua

Aminta pertence à força policial desde 1979. Ao longo dos anos, ela foi responsável por uma série de reformas na polícia, tais como a criação de uma unidade de combate à violência doméstica contra mulheres, além da repressão à propina. Uma pesquisa recente sobre a popularidade de 26 nicaraguenses proeminentes classificou Aminta como a primeira da lista, com um índice de aprovação de 87%.
Entretanto, sua popularidade não é tão alta entre os criminosos. Nos últimos seis anos, a polícia nicaraguense apreendeu 59.873 kg de cocaína, US$ 31,7 milhões (R$ 65,6 milhões) em espécie, 1.417 armas, 1.234 veículos terrestres, 18 aeronaves e 168 barcos.
Além disso, o custo econômico do crime e da violência em 2011, de acordo com estatísticas do Banco Mundial, foi mais baixo na Nicarágua: US$ 529 milhões (R$ 1,09 bilhão), um valor favorável se comparado aos US$ 791 milhões (R$ 1,6 bilhão) da Costa Rica; US$ 885 milhões (R$ 1,8 bilhão) de Honduras, US$ 2,1 bilhões (R$ 4,3 bilhões) de El Salvador e US$ 2,3 bilhões (R$ 4,7 bilhões) da Guatemala.
Talvez, por todas essas razões, somente 4% dos 5,8 milhões de cidadãos nicaraguenses apontam a violência e as quadrilhas criminosas como o principal problema de seu país, de acordo com o instituto de pesquisa de opinião Latinobarómetro. Esse percentual é, de longe, o mais baixo não apenas na América Central, mas em toda a América Latina. No outro extremo encontra-se a Venezuela, onde 62% dos habitantes acreditam que o crime e a violência são o problema número um do país.

A geografia piora o problema

“A América Central fica entre o norte, que é o maior consumidor de drogas, e o sul, que é o maior produtor. Cerca de 95% das drogas que chegam aos Estados Unidos passam pela América Central por rotas terrestres, aéreas e marítimas”, afirmou Aminta.
Somado a esse problema, a Costa Rica, na fronteira sul da Nicarágua, abriga uma série de entrepostos de venda e armazenamento de narcóticos, ao passo que ao norte estende-se Honduras, local de dezenas de pistas de pouso clandestinas utilizadas por aviões carregados com cocaína colombiana.
“Os problemas que a região enfrenta não são apenas responsabilidade dos centro-americanos. Eles afetam o mundo. O crime organizado transnacional não possui fronteiras, embora os criminosos utilizem nossos territórios.”
Além desse problema, há outro que assola a América Central: o aumento das gangues. Atualmente, de acordo com a diretora-geral, a região abriga 900 grupos com mais de 70.000 membros com ligação com o crime organizado.
“Eles disputam território e os confrontos entre essas gangues são a principal causa de assassinatos no Triângulo Norte”, detalhou Aminta. “Há também a questão de 4,5 milhões de armas leves e de pequeno porte circulando legal e ilegalmente na região, o que obviamente aumenta o perigo.”
É por isso que eu tenho orgulho quando eu respondo à pergunta "de onde você é?" Eu sou Pinolero da Nicarágua !!! Eu ainda tenho razões para me sentir orgulhoso e coloco o nome da minha terra natal no alto para aqueles que me conhecem no trabalho e no lazer. Lá eles mencionam o nome da minha Nicarágua porque somos os melhores. Não há dúvida de que há muitos talentos na Nicarágua, embora eu esteja longe de minha terra natal, nos EUA. A Nicarágua é pobre, mas somos e fomos representantes da América Central e, goste ou não goste, não se sinta um Nica.
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