NASA e ESA assinam acordo de mudança climática

NASA e ESA assinam acordo de mudança climática

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
agosto 12, 2021

A Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA, em inglês) e a Agência Espacial Europeia (ESA, em inglês) assinaram um acordo para monitorar as mudanças climáticas que afetam a Terra. Firmado em 13 de julho de 2021, o acordo ajudará a abordar e mitigar a mudança climática graças a pesquisas, dados abertos e aplicações das ciências da Terra, disse a NASA em um comunicado.

“A NASA e a ESA abrem o caminho no espaço”, declarou o administrador da NASA, Bill Nelson, em uma reunião virtual. “A mudança climática é um desafio global que requer ação imediata.”

A NASA e a ESA proporcionam a maior parte da cobertura científica do planeta através de seus satélites, afirmou Thomas Zurbuchen, administrador adjunto de ciência da NASA. O acordo cria “uma associação internacional de ciência climática, essencial para abordar os desafios de forma integrada e estratégica”, acrescentou.

Representantes da NASA (à esq.) e da ESA (à dir.) assinam um acordo de cooperação em ciência climática, no dia 13 de julho de 2021, para ajudar a abordar e mitigar a mudança climática através de monitoramentos, pesquisas e dados abertos. (Foto: NASA)

Ameaça climática

Por sua vez, Toni Tolker-Nielsen, do programa de observação da Terra da ESA, disse que “somos testemunhas dos efeitos da mudança climática através do aumento das temperaturas, da elevação do nível do mar, do derretimento das geleiras […].”

Alguns desses efeitos na América Latina foram capturados pela frota de satélites e instrumentos da NASA para observar a Terra.

Em julho, o satélite Landsat 8 capturou uma imagem da bacia seca do Rio Paraná, na Argentina. “Um período prolongado e incomum de calor e seca no sul do Brasil, Paraguai e norte da Argentina fez com que o rio tivesse seus níveis mais baixos em décadas, deixando em terra os barcos e causando mais incêndios no delta e nas planícies aluviais”, explicou a NASA em um comunicado.

Outra imagem capturada em março pelo Landsat 8 mostra a seca de El Yeso, uma das principais represas que abastecem a cidade de Santiago, no Chile. Esse fenômeno vem se prolongando durante mais de uma década devido à redução das chuvas, com consequências de grande alcance para os agricultores; dezenas de animais de granja morreram e outras dezenas de milhares estão em risco, informou a NASA.

Em janeiro de 2020, o satélite Landsat 7 capturou uma imagem do acelerado crescimento do lírio de água, produto do aquecimento global e da contaminação da represa de Valsequillo, em Puebla, no centro do México. Quase a metade de sua superfície está coberta pela planta, informou a NASA. A invasão do lírio de água aumentou nos reservatórios de todo o mundo nas últimas décadas.

Todos os glaciares dos Andes estão derretendo. Em média, ocorreu uma perda de quase um metro de espessura por ano desde 2000, por causa do aumento da temperatura. Isso a torna a cordilheira da região montanhosa que perdeu mais gelo em todo o mundo em relação a seu tamanho, informou a agência de notícias France 24, no dia 14 de maio de 2021.

Zurbuchen explicou que a NASA e a ESA não apenas fornecerão observações, pesquisas e aplicações das ciências da Terra, mas todas essas descobertas serão gratuitas e abertas para benefício do planeta.

“Sem dúvida, o espaço é o melhor ponto de vista para medir e monitorar a mudança climática, mas unir forças é essencial para abordar esse problema global. É por isso que o acordo [firmado] entre nossas organizações é tão crucial”, disse Josef Aschbacher, diretor geral da ESA, na assinatura do acordo.

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