Narcotráfico ameaça Bosque Atlântico no Paraguai

Narcotráfico ameaça Bosque Atlântico no Paraguai

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
dezembro 15, 2020

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Quatro áreas protegidas do Bosque Atlântico Alto Paraná (BAAPA) na região leste do Paraguai estão ameaçadas por tráfico de drogas, cultivos de maconha e corte de árvores, informou no dia 14 de outubro a plataforma de jornalismo ambiental Mongabay Latam, no seu relatório Cultivos ilegais de maconha destroem o Bosque Atlântico.

O BAAPA é uma ecorregião compartilhada por Argentina, Brasil e Paraguai e um dos lugares biologicamente mais importantes do mundo, pois abriga uma enorme diversidade de espécies de flora e fauna. O Paraguai conserva apenas 13 por cento de sua extensão, informou o portal da organização de conservação Fundo Mundial para a Vida Silvestre (WWF, em inglês). Em 1994, a cobertura florestal dessa região chegava a 4,3 milhões de hectares; agora sua extensão atinge apenas 2,7 milhões de hectares, acrescentou a fundação.

O ministro do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Paraguai, Ariel Oviedo, disse à imprensa, no dia 2 de junho, que “um dos principais problemas do BAAPA […] é o cultivo ilegal de maconha, uma situação que está presente em quase todos os parques nacionais do país”. O WWF informa que pelo menos 2.350 hectares são utilizados atualmente para cultivar maconha nas reservas do BAAPA.

As áreas protegidas Caazapá, Mbaracayú, Morombí e San Rafael, localizadas no Bosque Atlântico, foram invadidas por plantações ilícitas de cannabis e pelo desmatamento ilegal, revelou o Mongabay Latam; os vigias do bosque foram ameaçados, desapareceram, ou foram assassinados, e as populações das comunidades indígenas que vivem nas cercanias em extrema pobreza convivem com o narcotráfico e os acampamentos ilegais.

Augusto Salas, promotor adjunto de Meio-Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Ministério Público do Paraguai, disse ao Mongabay Latam que, para deter essa destruição, é necessário instalar destacamentos militares nessas zonas de reserva. “Já conversamos com os representantes do Senado e também com outras autoridades. Não vejo outra saída.”

Enquanto isso, as autoridades paraguaias não baixam a guarda. Agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD) apreenderam nos bosques do Alto Paraná, Amambay e Canindeyú 3.580 quilos de maconha e destruíram 23 hectares de cultivos, que produziriam 69 toneladas de maconha, anunciou no dia 22 de outubro o jornal paraguaio Hoy.

Em outra operação, a SENAD confiscou 4.800 kg de cannabis em processo de secagem no Alto Paraná e erradicou 1,5 hectare de cultivos de maconha, que permitiriam a colheita de 4,5 toneladas de drogas, informou o Hoy no dia 29 de setembro.

“As remessas de cannabis para a Bolívia e, principalmente, para o Brasil, surgem a partir do norte da região oriental, enquanto traficantes da Argentina, do Chile e do Uruguai se abastecem das plantações do sul do país, onde utilizam o Rio Paraná como via de escape e circulação”, informou a SENAD em seu site, no dia 27 de maio.

Para ampliar os cultivos de maconha, os grupos criminosos participaram dos incêndios florestais que se espalharam no início de outubro no Paraguai, uma prática recorrente dos produtores de maconha, destacou a Insight Crime, no dia 26 de outubro.

Não obstante, o Bosque Atlântico não é uma causa perdida. Graças à coordenação e ao apoio das organizações de conservação, do setor privado e dos governos, estamos evitando que o bosque desapareça, protegendo mais áreas do que nunca, restaurando os ecossistemas e voltando a conectar a superfície fragmentada das partes de bosques nativos, concluiu a WWF em seu site.

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