“Chegaram oito pessoas; então minha mãe lhes disse que não, e aí ela chorou, e eu também, porque eu não queria ir”, diz um jovem resgatado, que havia sido recrutado à força por um grupo armado, em um depoimento em vídeo do Exército Nacional da Colômbia e do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF).
Outra vítima disse que, aos 15 anos, era estudioso e se comportava bem, até ser levado à força por um grupo armado. “Eles se aproveitam das pessoas […]. Eles veem que você está passando por algum tipo de dificuldade econômica ou relacionada ao trabalho, ou algo assim”, explica o menor no mesmo vídeo.
Esses vídeos de depoimentos e os apelos para evitar o recrutamento de menores, que são feitos a partir das estações de rádio do Exército, reforçam o trabalho das Forças Militares da Colômbia, para evitar esse flagelo no território nacional. Suas mensagens, reiteradas todos os anos, também se tornam mais visíveis em 12 de fevereiro, Dia das Mãos Vermelhas, uma jornada global para visibilizar a luta contra o recrutamento de menores em conflitos armados.
No âmbito dessa celebração, em 2025, a Colômbia ratificou seu compromisso com os direitos da infância e da adolescência, ao adotar o Protocolo Facultativo da Convenção sobre os Direitos da Criança, juntamente com mais de 150 países, informou o Ministério da Defesa. De acordo com o Ministério, entre 2022 e 2024, foram recuperados dos grupos armados 646 crianças e adolescentes, que foram colocados sob os cuidados do ICBF, a entidade encarregada de restaurar seus direitos.
“As Forças Militares trabalham em coordenação com entidades como o ICBF, a Procuradoria Geral da Nação e a Polícia Nacional, para garantir uma resposta integral”, disse à Diálogo o Comando Geral das Forças Militares (CGFFMM). “Essa colaboração inclui a entrega imediata dos menores recuperados às autoridades competentes e o apoio à judicialização dos responsáveis.”
A mensagem de prevenção do recrutamento chegou a 137 municípios durante 2024, graças à coordenação com o ICBF e as autoridades territoriais. Essas comunicações alcançaram 93.149 colombianos que vivem nesses municípios, por meio de oficinas, jornadas esportivas, eventos em massa e capacitações dirigidas à Forças Pública, com o objetivo de gerar ambientes de proteção e fortalecer as capacidades institucionais, informou o Ministério da Defesa.
“As Forças Militares da Colômbia, no decorrer de 2024, realizaram 1.493 atividades de conscientização para a prevenção do recrutamento forçado de crianças, jovens e adolescentes”, acrescentou o CGFFMM. “E até agora, em 2025 [até o final de fevereiro], 116 atividades foram geradas, entre as quais se destacam conversas com os pais, programas de rádio, anúncios de rádio, distribuição de folhetos, postos de controle, cinema no parque e atividades recreativas.”
“Graças às operações militares enquadradas no respeito aos direitos humanos e ao direito internacional humanitário, […] foram desferidos golpes contundentes contra a criminalidade no país e foi possível salvar as vidas desses menores, para os quais seus direitos foram restaurados”, informou o Exército da Colômbia em um comunicado à imprensa, no encerramento de 2024. “Em 10 departamentos do país esse flagelo era mais grave e nossas tropas chegaram lá com o acompanhamento e a ação unificada do Estado, para recuperar esses menores.”
Os casos de recrutamento estão concentrados em regiões do território nacional que historicamente foram afetadas pelo conflito armado, sendo o departamento de Cauca o mais afetado por esse problema, com 300 casos registrados, de acordo com a Defensoria do Povo. As tropas do Exército, com o acompanhamento e a ação unificada do Estado, conseguiram recuperar nesse departamento 72 menores em 2024, o maior número de menores resgatados entre os 10 departamentos em que foram realizadas operações, informou o Exército.
Os outros departamentos em que o Exército recuperou menores, em ordem crescente, foram: Antioquia, Valle del Cauca, Chocó, Meta, Huila, Nariño, Tolima, Santander e Norte de Santander. Todos esses menores foram colocados sob a proteção do ICBF.
“Em termos dos grupos armados que mais recrutam à força no país, o Estado Mayor Central [dissidência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)] foi o principal grupo identificado no recrutamento de pelo menos 135 menores, sendo janeiro [de 2024] o mês com o maior número de casos registrados”, explicou a Defensoria Pública.
Os outros grupos armados supostamente responsáveis por esses recrutamentos ilegais são: dissidências não especificadas, 162 casos; grupos não identificados, 84 casos; Exército de Libertação Nacional, nove casos; Segunda Marquetalia, sete casos; Clã do Golfo, sete casos; e crime organizado, cinco casos.
“O recrutamento forçado de crianças é um crime execrável”, publicou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em sua conta no X, em 19 de novembro de 2024, após tomar conhecimento do caso do assassinato de um menor de 15 anos em mãos das dissidências das FARC, em El Plateado, Cauca, por se recusar a ser recrutado. “Isso mostra não apenas a debilidade do grupo violento, ao qual ninguém se junta por vontade própria, apenas pela força, mas que eles estão dispostos a usar crianças como escudos humanos em combates contra o Estado.”



