Millonarios renunciaria aos títulos conquistados com influência do narcotráfico

Por Dialogo
outubro 04, 2012


Millonarios, a equipe de futebol profissional da Colômbia com 13 títulos conquistados na liga nacional, estuda a possibilidade de renunciar aos troféus obtidos sob a influência do narcotráfico, revelou Felipe Gaitán, seu presidente, em 25 de setembro.

Gaitán disse que os títulos em questão foram conquistados em 1987 e 1988, anos em que os poderosos líderes do narcotráfico influenciaram, com seu dinheiro, várias equipes que disputavam o torneio profissional e, no caso do Millonarios, pelo narcotraficante Gonzalo Rodríguez Gacha, que era o dono da equipe.

“Trata-se de um debate ético, muito preliminar. No entanto, faltam muitas horas de análise e discussão. Está sobre a mesa a possibilidade de mantermos apenas os títulos conquistados, de alguma forma, legalmente”, disse Gaitán, em declarações feitas na Espanha à imprensa colombiana.

As copas de 1987 e 1988 foram ganhas sob o comando do técnico Luis Augusto García, que reagiu violentamente a essa possibilidade e acusou Gaitán de ser um recém-chegado ao futebol e de “desconhecer como se conquista um título”.

“Parece-me uma infâmia que nos arranquem do coração um par de estrelas que conquistamos com um grupo de gente e uma equipe imensa de trabalho”, acrescentou ele em declarações ao telejornal City Noticias, de Bogotá.

O argentino Mario Vanemerak, uma das estrelas da equipe que conquistou esses títulos e atual diretor técnico do Real Cartagena, também rechaçou a proposta, que considerou “sem sentido”.

“Se o presidente (do Millonarios) fizer isto, nem nós nem os torcedores o perdoaremos, porque seria uma ofensa”, disse ele à emissora Caracol.

Ao contrário, o ministro do Interior, Fernando Carrillo, considerou a iniciativa positiva e disse aos jornalistas que “oxalá outros clubes seguissem esse exemplo”.

Por sua vez, o ministro do Trabalho, Rafael Pardo, qualificou de “valente” a proposta.

Outras duas grandes equipes, como o Nacional e o América, também foram influenciadas pelo dinheiro dos líderes Pablo Escobar e os irmãos Miguel e Gilberto Rodríguez Orejuela, chefes dos outrora poderosos cartéis de cocaína de Medellín e Cáli.



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