Militares dos países sul-americanos se juntaram às Forças Armadas do Brasil em apoio às vítimas das inundações no Rio Grande do Sul, que deixaram mais de 160 mortos e 580 000 desalojados. “Argentina, Chile e Uruguai estão cooperando diretamente com a Operação Conjunta Taquari 2 [formada por efetivos do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira em resposta à crise]”, disse à Diálogo a Seção de Comunicação Social da Operação Taquari 2.
“O primeiro momento da operação foi uma fase emergencial, de resgate de pessoas. Agora estamos numa fase de estabilização, com as pessoas tentando voltar às suas casas”, afirmou o General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, comandante do Exército Brasileiro (EB), ao Canal do EB no YouTube, em 21 de maio.
Ajuda da Argentina
Nesta etapa de estabilização, o Agrupamento de Engenheiros 601 do Exército Argentino tem colaborado com uma das principais demandas da população atingida pelas chuvas: o acesso à água potável.
“O Exército Argentino enviou oito militares especializados em Engenharia para atuar na purificação da água. A planta de purificação, instalada e funcionando junto à Base Aérea de Canoas, é operada pelos militares argentinos”, informou a Seção de Comunicação Social da Operação Taquari 2.

Juntos, os dois purificadores instalados pelos soldados argentinos podem produzir 3.600 litros de água potável por hora, segundo o canal de TV brasileiro Band. Parte da produção é usada para abastecer os hospitais de campanha montados pelo Exército Brasileiro. “Os militares argentinos ficarão no Brasil por tempo indeterminado, realizando esta e outras missões. Todos eles são engenheiros e vão ajudar na reconstrução de estradas, por exemplo”, informou Band.
Não é a primeira vez que esse contingente argentino presta ajuda humanitária a outros países. Seus integrantes também levaram estações de tratamento de água à Bolívia durante as enchentes, em 2007, e enviaram caminhões-pipa para auxiliar no combate aos incêndios no Chile, em 2022. “Nesse sentido, a Companhia de Engenheiros de Água 601, que oferece capacitações ao pessoal dos exércitos da Bolívia, do Paraguai e do Uruguai, entre outros países amigos, é pioneira na região”, disse o Exército Argentino em um comunicado, em 9 de maio.
O governo da Argentina também ofereceu ao Brasil um avião Hércules C-130 para transporte de pessoas e cargas, mas a aeronave não pôde ser recebida por limitações logísticas de operação nas bases aéreas de Canoas e Santa Maria, explicou à Diálogo o Comando da Operação Taquari 2.
Uruguai e Chile
A Força Aérea Uruguaia (FAU) enviou um helicóptero para transporte de alimentos, suprimentos e remédios às vítimas das enchentes. “O helicóptero Bell 212 FAU 035 realizou hoje sua primeira missão em Campinas do Sul, apoiando as áreas afetadas”, informou a FAU em 15 de maio. “Continuamos comprometidos com a nossa missão de assistência e apoio nestes tempos críticos”, completou a FAU.
Já a Força Aérea do Chile (FACH) enviou um avião DHC-6 “Twin Otter” para apoiar no transporte logístico. “Até o momento, as tripulações da FACH realizaram cinco missões, transportando mais de 5 toneladas de carga de ajuda humanitária em apoio direto à Força Aérea Brasileira e aos habitantes do país vizinho, na luta por superar a emergência”, disse a FACH em um comunicado, em 20 de maio.
O Major Gonzalo Silva, da Força Aérea do Chile, comandante da missão chilena, afirmou que sua tropa está “trabalhando arduamente para continuar apoiando” a grave crise no Brasil. “Estamos disponíveis para continuar realizando as missões necessárias, nas quais o ambiente aéreo é essencial”, disse o Maj Silva no comunicado.

Milhares de pessoas resgatadas
As Forças Armadas do Brasil resgataram dezenas de milhares de pessoas e animais em cerca de 460 municípios do Rio Grande do Sul, segundo o balanço da Operação Taquari 2. Participaram das tarefas mais de 32.000 militares, policiais e agentes, 4.800 viaturas, 60 aeronaves, 430 embarcações, oito navios multitarefas, 12 hospitais de campanha e 250 equipamentos de engenharia, além de drones para a localização de pessoas.
Os militares distribuíram toneladas de refeições, mantimentos e remédios. Também recolheram milhares de metros cúbicos de entulhos das ruas e estradas, permitindo o fluxo de pessoas e veículos. Em 19 de maio, a FAB realizou uma grande evacuação aeromédica: uma aeronave C-105 Amazonas do Esquadrão Onça transportou cinco pacientes de alta complexidade de Rio Grande para Canoas.
“A cidade de Rio Grande está alagada e o hospital está muito comprometido. Então a evacuação, principalmente das crianças, tinha que ser imediata”, disse o Capitão Médico Vinicius Guimarães Tinoco Ayres, médico da FAB, em um comunicado. “Devido à estrutura das estradas e à gravidade da saúde [das crianças], a melhor opção era o transporte aéreo”, completou o Cap Ayres.
Marinha dos EUA
No final de maio, a Marinha do Brasil (MB) e a Marinha dos Estados Unidos (USN) uniram esforços em apoio às vítimas das enchentes. O porta-aviões USS George Washington (CVN 73) da USN, que chegou no Rio de Janeiro em 20 de maio, como parte do exercício Southern Seas 2024, ajudou a transportar 15 toneladas de alimentos, ração animal e produtos de higiene e limpeza, doações coletadas e armazenadas pela MB.
A cerca de 110 km da costa do Rio Grande do Sul, helicópteros das duas Marinhas içaram os produtos do porta-aviões USS George Washington até o Navio-Aeródromo Multipropósito “Atlântico” da MB, que está na região prestando assistência humanitária às pessoas atingidas pelas inundações.
“A Marinha dos EUA estava passando na costa brasileira. Os navios estavam na cidade do Rio de Janeiro e nos ofereceram apoio para somar esforços nessa mobilização que existe em prol das ações de enfrentamento à calamidade no sul”, disse o Contra-Almirante Nelson Leite, comandante da Primeira Divisão de Esquadra da MB, ao programa Jornal Nacional da TV Globo do Brasil.
“Isso ajuda a fortalecer os laços de amizade entre a Marinha do Brasil e a Marinha dos EUA, bem como reforça os 200 anos de relações diplomáticas que existem entre os dois países”, disse o C Alte Leite.


