Militares agregam novas ferramentas no combate a queimadas na Amazônia

Militares agregam novas ferramentas no combate a queimadas na Amazônia

Por Nelza Oliveira / Diálogo
novembro 26, 2019

A Operação Verde Brasil e novas tecnologias foram essenciais para combater os focos de incêndios no norte do Brasil.

A Operação Verde Brasil reuniu comandos militares articulados com órgãos de segurança pública, entidades públicas de proteção ambiental e agências federais, estaduais e municipais, no combate a queimadas na Amazônia. A operação, que começou no dia 24 de agosto e finalizou em 24 de outubro, obteve nos dois meses de execução os seguintes resultados: conteve 1.835 focos de incêndio; aplicou R$ 140 milhões (aproximadamente US$ 35 milhões) em multas a serrarias, madeireiras ilegais, agricultores e pessoas envolvidas com queimadas ou desmatamento na Amazônia; apreendeu 23.000 metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente; confiscou 290 veículos e embarcações; e efetuou 127 prisões.

Para garantir esses resultados, o Ministério da Defesa utilizou a tecnologia do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), com três centros regionais, em Manaus, Belém e Porto Velho, nos estados do Amazonas, Pará e Rondônia, respectivamente. “O CENSIPAM utiliza dados gerados por uma infraestrutura tecnológica composta por subsistemas integrados de sensoriamento remoto, radares, estações meteorológicas e plataformas de coleta de dados instaladas na região amazônica. Graças a esse aparato, o Sistema de Proteção da Amazônia é capaz de promover o monitoramento da região e produzir informações em tempo próximo ao real”, informou à Diálogo a Comunicação Social do Ministério da Defesa.

A Companhia de Fuzileiros do 52º Batalhão de Infantaria de Selva faz reconhecimento de áreas de proteção ambiental e terras indígenas no Xingu, durante a Operação Verde Brasil. (Foto: Exército Brasileiro)

Amazônia SAR
Entre os principais projetos do CENSIPAM está o Amazônia SAR (sigla em inglês para radar de abertura sintética), que reúne esses radares a bordo de satélites, para realizar o monitoramento da superfície terrestre. “A tecnologia SAR é capaz de enxergar o terreno mesmo que ele esteja sob nuvens. Desta forma, durante a época de fortes chuvas na Amazônia, que dura cerca de oito meses, o radar consegue fazer imagens do terreno e monitorar o desmatamento. As informações captadas geram alertas de desmatamento que são encaminhadas para os órgãos de fiscalização ambiental”, disse o Ministério da Defesa.

O CENSIPAM também desenvolve o Sistema de Monitoramento e Alerta Hidrometeorológico, que gera boletins e alertas sobre focos de calor para as equipes que atuam na Operação Verde Brasil. Segundo o Ministério da Defesa, até o início de 2020 serão instaladas mais duas antenas em Manaus e Formosa, em Goiás, com raio de cobertura que inclui todo o bioma amazônico e também o mar territorial, possibilitando informações diretamente de satélites nacionais ou internacionais.

Olhos de Águia
Outra ferramenta importante foi o recém-criado aplicativo Olhos de Águia, uma plataforma de comunicação entre órgãos parceiros para o recebimento de informações de atividades ilícitas na Amazônia, como garimpo ilegal, pistas de pouso clandestinas, desmatamento e focos de queimadas. O novo aplicativo foi desenvolvido pelo CENSIPAM e funciona de forma simples e rápida.

O usuário faz, por exemplo, a foto de um incêndio e pode inserir diversas observações, como a intensidade do fogo, entre outras. A localização geográfica é obtida de forma automática, a partir do GPS do celular ou tablete que está usando. Como a maioria dos focos de incêndio na Amazônia está fora da área de internet, o aplicativo armazena todas as informações coletadas no banco de dados local. Quando o dispositivo entra em área com conexão, é feita a sincronização das informações com o banco de dados do CENSIPAM. O agente em campo então define as informações que deseja ter acesso.

“O aplicativo tem sido amplamente utilizado pelas Forças Armadas e por integrantes de agências governamentais por toda a Amazônia. Os agentes utilizam a ferramenta durante voos de reconhecimento ou missões em solo”, afirmou o Ministério da Defesa. Com as informações obtidas pelo aplicativo, é possível subsidiar o planejamento das operações de campo e a tomada de decisão pelo comando da missão. Além disso, as informações poderão ser usadas posteriormente pelo CENSIPAM para validar e calibrar os dados recebidos dos satélites.

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