México é co-anfitrião Conferência Centro-Americana de Segurança por primeira vez

Mexico Co-Hosts Central American Security Conference for the First Time

Por Marcos Ommati/Diálogo
abril 27, 2017

Nas palavras do Almirante-de-Esquadra da Marinha dos EUA Kurt Tidd, comandante do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM, por sua sigla em inglês), ocorreu um evento histórico de 23 a 25 de abril na Ilha de Cozumel, na Riviera Maia do México. O país trabalha diretamente com o Comando Norte dos EUA (NORTHCOM, por sua sigla em inglês) e envia observadores para a Conferência Centro-Americana de Segurança (CENTSEC, por sua sigla em inglês) do SOUTHCOM há anos. Em 2017, no entanto, eles se ofereceram para ser co-anfitrião do evento. Os problemas com drogas, violência e tráfico humano no México não são diferentes daqueles em outros países na América do Sul e Central e no Caribe. Assim, não é surpresa que o México tenha um papel fundamental durante a CENTSEC de 2017, de acordo com a opinião dos representantes que falaram com a Diálogo na conferência. O General-de-Exército mexicano Salvador Cienfuegos, secretário da Defesa Nacional, o Almirante-de-Esquadra da Marinha mexicana Vidal Francisco Soberón Sanz, secretário da Marinha e a Tenente-Brigadeiro-do-Ar da Força Aérea dos EUA Lori Robinson, comandante do NORTHCOM, foram co-anfitriões do evento. O objetivo da CENTSEC é o de fornecer um fórum de nível executivo para o comandante do SOUTHCOM e para os chefes de defesa e segurança centro-americanos para discutir o caminho a seguir em termos de esforços e estratégias de segurança regional. O tema deste ano foi “Iniciativas de Cooperação para Fortalecimento da Segurança Regional”. “Os crescentes desafios de segurança na América Central estão ameaçando a segurança que ultrapassa a região e exigem uma abordagem unificada. Temos tanto em comum. Compartilhamos uma mesma herança. Valorizamos e apoiamos os mesmos princípios e estamos unidos pela visão de um futuro melhor para todas as nossas nações, um futuro em que nossos cidadãos estejam seguros, onde nossas instituições sejam fortes e invulneráveis à corrupção, onde nossas nações estejam livres das ameaças traiçoeiras das redes criminosas e do extremismo”, disse o Alte Esq Tidd durante a sua apresentação de abertura. “Temos certeza de que os resultados que alcançarmos nesta conferência serão vistos em curto prazo nas ações específicas que fortalecerão a segurança e o desenvolvimento de que a sociedade centro-americana necessita”, afirmou o Gen Ex Salvador Cienfuegos, acrescentando que o México e as suas Forças Armadas trabalharão em conjunto para desenvolver iniciativas para confrontar as várias ameaças que têm impacto nas Américas. “Estamos convencidos de que, através dos nossos esforços conjuntos e trabalhando como uma equipe em busca do mesmo objetivo, seremos capazes de contribuir diretamente para o bem-estar e o progresso das nossas nações.” Participantes Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá participaram do evento, enquanto Canadá, Chile, Colômbia, República Dominicana, Jamaica e Reino Unido, bem como a Conferência das Forças Armadas da América Central, a Conferência dos Ministérios de Defesa das Américas e a Junta Interamericana de Defesa participaram como observadores. Depois de cada país participante passar informações sobre a segurança da sua respectiva nação, três mesas redondas foram conduzidas durante dois dias. A primeira mesa redonda, “Cooperação Regional ao Combate de Ameaças Transnacionais na América Central”, foi moderada pelo Dr. Richard Downie, ex-diretor do Centro para Estudos de Defesa do Hemisfério; a segunda mesa redonda, “Suporte Militar à Autoridade Civil e Assistência Humanitária/Ajuda a Desastres”, foi moderada pelo Dr. Javier Ulises Oliva Posada, coordenador do curso de pós-graduação em Defesa e Segurança Nacionais da Universidade Autônoma Nacional do México; e a terceira mesa redonda, “Iniciativas de Cooperação para Fortalecimento da Segurança Regional”, foi moderada pelo Dr. Leonardo Curzio, um analista político mexicano. Inimigo comum Todas as três mesas redondas destacaram ser imperativo estabelecer protocolos de ação entre todos os países participantes e criar alianças estratégicas para melhor combater as redes criminosas transnacionais e transregionais. “Todos os países afirmaram que nosso inimigo comum é o crime organizado transnacional, que não respeita fronteiras, e é com esse objetivo em mente que todos os nossos esforços devem ser concentrados, com um respeito absoluto pelos direitos humanos”, disse o Dr. Curzio depois do terceiro painel de especialistas. “Os militares dos EUA estão buscando maneiras de aperfeiçoar a cooperação com seus parceiros mexicanos e centro-americanos para tratar de desafios de segurança que ameaçam a estabilidade na região”, disse a Ten Brig Robinson durante o discurso de encerramento. “No Comando Norte dos EUA, reconhecemos que o crime organizado transnacional representa de fato um desafio para a estabilidade de todos os países na região”, acrescentou. Para esse fim, a Ten Brig Robinson afirmou que o NORTHCOM está trabalhando juntamente com o México e o SOUTHCOM para combater esses desafios. “As ameaças enfrentadas pela América Central exigem cooperação próxima para soluções conjuntas. Os desafios na região incluem tráfico de drogas, crime organizado, segurança das fronteiras, gangues e migração. A CENTSEC 2017 permitiu a interação entre os países que compartilham problemas comuns, mas têm realidades diversas, atingindo entendimentos que lhes permitirão inibir as ameaças através de instituições de segurança”, afirmou o Alte Esq Soberón. “Com essas ações, o Exército, a Marinha e a Força Aérea do México contribuirão para fortalecer a cooperação e a coordenação de vínculos entre os países do hemisfério”, concluiu. Depois da conferência, os países participantes mantiveram discussões multilaterais e bilaterais para definir etapas específicas para alcançar os objetivos definidos durante a CENTSEC 2017. A próxima Conferência Centro-Americana de Segurança ocorrerá em El Salvador, em 2018.
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