México e Guatemala enfrentam crime organizado

Mexico and Guatemala Strike Organized Crime

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
março 19, 2018

México e Guatemala realizam rotineiramente operações combinadas de vigilância marítima, aérea e terrestre contra as organizações do crime organizado transnacional. Graças a essa coordenação, na última semana de janeiro, a Secretaria da Marinha (SEMAR) do México conseguiu apreender quase uma tonelada de cocaína frente às costas de Chiapas.

“A Marinha do México realizou a apreensão de 38 volumes que continham cocaína, frente às costas de Puerto Chiapas, Chiapas, a alguns quilômetros da fronteira com a Guatemala”, informou a Secretaria da Marinha do México em um comunicado. A secretaria indicou também que a droga apreendida pesa 910 quilos.

Intercâmbio de informações e cooperação

A operação foi realizada com trabalho de campo e intercâmbio de informações entre ambos os países. A Marinha da Defesa Nacional da Guatemala acompanhou uma embarcação suspeita proveniente da América do Sul e avisou a Marinha do México sobre sua entrada ilegal em águas mexicanas.

“[Esta informação] permitiu posicionar na área unidades navais para localizar a carga, que foi abandonada por uma embarcação menor, quando perceberam a presença das autoridades”, disse à Diálogo o Vice-Almirante Juan Randolfo Pardo Aguilar, comandante da Marinha da Defesa Nacional da Guatemala. “A embarcação se encontrava perto da fronteira marítima entre a Guatemala e o México.”

O comando da 8ª Região Naval da SEMAR ordenou uma operação que incluiu unidades de superfície e aéreas. “Para a missão, foi mobilizada uma aeronave de combate que, ao efetuar a vigilância marítima, avistou uma embarcação infratora que lançava carga ao mar, deixando-a à deriva a 222 quilômetros da costa. A patrulha oceânica, com um helicóptero embarcado e uma patrulha costeira que estava na área, chegaram ao lugar para fazer a apreensão dos pacotes”, assegurou o comunicado.

Teoricamente, os pacotes de náilon, amarrados em série com uma corda, seriam resgatados por outras lanchas, para continuar seu transporte ilícito até os lugares de distribuição e consumo. Com base nas características da embarcação, bem como nas informações e análises da rota que seguiu, as autoridades presumem que se dirigia até as costas da Guatemala ou do sul do México.

A SEMAR explicou que “um método que os grupos do narcotráfico utilizam para transportar drogas provenientes da América do Sul para as costas mexicanas, via marítima, é o de deixar a droga amarrada boiando, “balizada” [sinalizada eletronicamente para indicar um lugar geográfico específico]. Depois, os pacotes são recuperados pelas embarcações dos narcotraficantes. A apreensão de cocaína no Pacífico está aumentando, assegura a Segurança, Justiça e Paz, uma organização não governamental com sede no México.

A ONG indica que a cocaína é localizada em navios cargueiros de linhas marítimas internacionais, em lanchas rápidas com motores de popa ou boiando frente às costas de Chiapas, Guerrero, Oaxaca e Colima. Os carregamentos vão desde 70 kg até várias toneladas. Além disso, a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes da ONU diz que 76 por cento da cocaína que entra nos Estados Unidos procedente da América do Sul atravessa a América Central e o México.

Informações e cooperação

Segundo o 5º Informe de tarefas 2016-2017 da SEMAR, como resultado das missões realizadas em 2017, foram feitas mais de 14.300 operações contra o narcotráfico, com a participação mensal média de 3.150 militares. Nos primeiros dois meses de 2018, a Marinha mexicana apreendeu 530 kg de cocaína nos portos de Guerrero e Colima. Além disso, apreendeu no porto de Manzanillo 49 toneladas de precursores químicos utilizados na fabricação de droga sintética. Nas operações, foram detidas sete pessoas, entre elas três estrangeiros.

Para fortalecer a luta contra as drogas e erradicar atividades dos grupos criminosos, a SEMAR coordena a execução de operações de alto impacto com agências do governo mexicano, como a Secretaria da Defesa Nacional, a Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República e vários estados do país, entre eles Chiapas, Quintana Roo, Michoacán, Estado do México e a Cidade do México. Adicionalmente, a Marinha realiza operações coordenadas com os países vizinhos.

“O intercâmbio de informações [entre México e Guatemala] é fundamental para lutar contra o tráfico de drogas. O sucesso se deve ao fato de que o intercâmbio é feito em tempo real, o que permite a ação oportuna para as interceptações”, ressaltou o V Alte Pardo. “A relação entre ambas as forças navais foi gerada com base na confiança e em operações combinadas com resultados positivos.”

“O mecanismo utilizado entre o México e a Guatemala para a cooperação entre suas forças navais está no âmbito da Junta de Comandantes Militares da Área Fronteiriça Guatemala-México e na boa comunicação entre os comandos da Marinha da Defesa Nacional da Guatemala e da Secretaria da Marinha”, concluiu o V Alte Pardo. “Geramos confiança e compromisso de cooperação para combatermos juntos essa ameaça transnacional."
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