Membro de um clã de narcotraficantes colombianos entregou-se aos EUA

Por Dialogo
outubro 09, 2012


Luis Enrique Calle Serna, o último membro de um clã de irmãos narcotraficantes colombianos que ainda estava em liberdade, entregou-se às autoridades dos Estados Unidos em território panamenho, informou em 4 de outubro a Polícia da Colômbia.

“Calle Serna, por intermédio de seu advogado, entrou em contato com a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) e acertou sua entrega ao Panamá”, informou em 4 de outubro a Polícia da Colômbia em um comunicado.

O colombiano acelerou sua aproximação com as autoridades norte-americanas após a captura do líder Daniel “El Loco” Barrera, também da Colômbia, no dia 18 de setembro, na Venezuela.

Até então Calle Serna, de 36 anos, estava também na Venezuela, sob a proteção de Barrera, informou a Polícia.

Um de seus irmãos, Javier Calle Serna, vulgo “El Doctor”, já se havia entregado à DEA no mês de maio passado em Aruba (Antilhas holandesas), após meses de negociações, e Juan Carlos Calle Serna foi capturado em março, no Equador.

Os três irmãos formavam um clã conhecido como “Los Comba” (Combatentes) e controlavam a quadrilha criminosa “Los Rastrojos”, sob a máxima liderança de Javier Calle Serna.

Luis Enrique Calle Serna tem ordens de prisão na Colômbia por nove delitos, entre eles o de traficar armas da China e da Europa, acrescentou o comunicado.

A Polícia diz que, com base nos acordos entre as autoridades e os irmãos Calle Serna, outros 25 integrantes de “Los Rastrojos” poderão entregar-se em um futuro próximo.

Estima-se também que esta organização tenha sofrido, nos últimos meses, uma redução de cerca de 20 por cento de seus membros, calculados atualmente em pouco mais de 1.600 integrantes. “Los Rastrojos” são um dos principais grupos criminosos herdeiros da organização paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia, desmobilizada entre 2003 e 2006 após um acordo de paz com o governo de Álvaro Uribe (2002-2010), que lhes outorgou benefícios processuais em troca da confissão de crimes e indenização às vítimas.

Analistas colombianos consideram que a quadrilha criminosa rival “Los Urabeños” deva ser a grande beneficiada com a ausência de uma liderança clara e uma possível divisão em “Los Rastrojos”.

Até agora “Los Rastrojos” atuavam em cerca de dez estados, incluindo alguns produtores de coca
do sudoeste colombiano, como Nariño (na fronteira com o Equador) e Cauca onde, segundo as autoridades, protegiam os laboratórios de processamento de cocaína para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Após a captura de “El Loco” Barrera, o governo colombiano deu por encerrada a época dos grandes líderes de drogas que operavam no país que, ainda assim, continua registrando os maiores níveis mundiais de produção de cocaína, com aproximadamente 345 toneladas em 2011, segundo a ONU.



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