Resumo
A constante evolução das tecnologias de informação e comunicação, no contexto da dinâmica global, tornou-se, por excelência, a força motriz do pulso ideológico midiático nos cenários de lutas pelo poder e de grande competição, onde o desejo imperioso dos adversários de conquistar as mentes da entidade legitimadora, resultou na gestação de fenômenos de tipo híbrido que se transformaram em ameaças não convencionais com atores invisíveis atuando no ambiente informacional, utilizando como meio de disseminação os benefícios que a era digital oferece com tecnologias de ponta que possibilitam a partir do domínio cibernético, com inteligência artificial, mediar, massificar e influenciar o imaginário coletivo da opinião pública, a fim de legitimar suas ações ideológicas e minar os sistemas democráticos das nações livres.
É nesse ponto que as diversas Capacidades Relacionadas à Informação (IRCs) enfrentam um grande desafio, pois sua missão, além de ser responsável por proteger o capital reputacional das instituições, combater ameaças não convencionais e contribuir para a estabilização das nações, é gerar espaços de integração, sincronização e articulação de ferramentas e componentes que atuam de forma coordenada nas dimensões física, cognitiva, informacional – digital, e são os chamados a liderar o combate às ameaças híbridas, a partir de eixos estratégicos de contenção, dissuasão, antecipação, prevenção e percepção.
Palavras-chave:
Comunicações, opinião pública, democracia, massificação, era digital, segurança e defesa, desinformação, Information-Related Capabilities (IRCs).
Introdução:
A comunicação, além de ser um processo inerente à formação e à evolução do ser humano, tornou-se uma arma letal. O poder da palavra, da oralidade primária, secundária, midiática e, atualmente, digital, tem permitido que as novas tecnologias da informação andem de mãos dadas, não só criar discursos ideologicamente carregados para influenciar a dimensão cognitiva do imaginário coletivo da entidade legitimadora (sociedade – populações), mas também a sua versatilidade no âmbito da era digital possibilitou que as mensagens transcendessem fronteiras em tempo real, chegando simultaneamente a lugares impensáveis, gerando ambientes e contextos de desaprovação ou aprovação de um determinado fato.
Nesse sentido, e levando em conta o poder que os processos de comunicação trazem, é que as Capacidades Relacionadas à Informação (CRI) assumem uma importância preponderante nos processos de inter-relação social, econômica e humanitária; Da mesma forma, nos processos de transferência de informações, que devem ser pensados, analisados e implementados como uma capacidade de defesa nacional que contribui e coopera, não apenas com a estabilização de um país em questão, mas também contribui para a proteção dos sistemas democráticos e para a estabilização local, regional e hemisférica em um contexto de segurança cooperativa e colaborativa.
Isso significa que as forças militares do mundo devem implementar, desenvolver e fortalecer suas capacidades no contexto da informação para operar de forma sincronizada nos novos cenários de confronto, em que a ameaça se caracteriza por ser intangível, suigeneris, sem fronteiras, que não pode ser delimitada e que, acima de tudo, desliza rápida e furtivamente pelas novas tecnologias da informação, marcando presença simultânea e virtual em qualquer parte do universo, implementando narrativas que asseguram tendências ideológicas.
Ameaças híbridas no ambiente de informação

As guerras de quinta geração caracterizam-se pelo fato de seu sistema de ameaças ser um conjunto de ações não convencionais que atuam dinamicamente no ambiente informacional e viajam rapidamente pelas estradas das novas tecnologias digitais, o que fez com que a informação fosse vista como um ativo estratégico universal.
“A ecologia da mídia analisa como a mídia afeta a opinião, a compreensão, a sensação e o valor humanos; e como nossa interação com a mídia facilita ou impede nossas chances de sobrevivência. A palavra ecologia implica o estudo de ambientes: sua estrutura, conteúdo e impacto sobre as pessoas. Um ambiente é um sistema complexo de mensagens que impõe aos seres humanos formas de pensar, sentir e agir”.
Um fenômeno que hoje os agentes geradores de desestabilização institucional utilizam como mecanismos sistemáticos de guerra híbrida não convencional, em que os cenários de confronto são travados no espectro do ambiente informacional com o uso dinâmico de tecnologias digitais, um entrelaçamento que lhes permite aumentar a receptividade das mensagens, gerando um eco informacional em nível local, nacional e até internacional, conseguindo assim não só lançar a carga ideológica, mas também massificar os conteúdos, obtendo uma maior repercussão.
Repercussão que não só permanece vibrante nas dimensões física e cognitiva, mas também nos repositórios digitais de informações, que a qualquer momento podem ser ativados ou reativados pela ameaça para inflamar o público, gerenciando estratagemas de descrédito institucional para enfraquecer a legitimidade do órgão governamental de um Estado e minar o sistema democrático.
Entendendo o novo teatro de operações e os cenários híbridos em que a ameaça se processa, é importante especificar que, dentro desse grande pacote de fenômenos discursivos, cargas ideológicas, agitação em massa, exacerbadores da opinião público-digital e geradores de violência narrativa, há influências regionais e extrarregionais que, no contexto das competições de poder, alimentam a fogueira do confronto e da polêmica midiática, alimentando o que hoje é conhecido como o fenômeno da pós-verdade.
Em virtude do exposto, a integração e a sincronização das capacidades relacionadas à informação (IRCs) vêm desenvolvendo uma missão de vanguarda titânica, antecipando com estratégias de dissuasão, contenção, percepção, antecipação, ofensivas e defensivas as ações da ameaça, que alimenta seu sistema altamente perigoso em ambientes de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade (VICA).
Cenários de guerra de desinformação
É peremptório ressaltar que inúmeras nações não ficaram imunes a esse tipo de ameaça híbrida, que articula e sincroniza todas as suas capacidades para afetar sistematicamente, a partir do ambiente informacional, os componentes do poder estatal: social, político, econômico, cultural e ambiental, a fim de gerar percepções errôneas e equivocadas de instabilidade institucional e ingovernabilidade em nível nacional e internacional.
Nesse sistema de ataques, os estratagemas de desinformação são o bastião por excelência da ameaça, pois o exercício da desinformação dá origem a ações derivadas como: ruído, saturação, atomização e ambiguidade de informações, executando processos de alienação para influenciar simultaneamente as diferentes camadas da sociedade.
Em diferentes casos, as nações e suas instituições sofreram a convulsão midiática da desinformação que resultou na deturpação da realidade para a comunidade nacional e internacional, com o objetivo de criar o caos para enfraquecer a legitimidade da institucionalidade e minar o sistema democrático.
É imperativo ressaltar que o objetivo de toda a cadeia de eventos de desinformação é destruir o capital de reputação das instituições do Estado, incluindo as instituições militares, e ainda mais em um contexto de segurança tradicional, em que as forças militares são responsáveis pela proteção do sistema democrático.
Nesse contexto, a primeira coisa que a ameaça procura atacar indiscriminadamente é a imagem institucional das Forças Armadas, razão pela qual os estratagemas de desinformação, notícias falsas, movimentos digitais tendenciosos, saturação de informações e pós-verdade foram o mecanismo de assédio usado pelos detratores para afetar a legitimidade das instituições militares, Estratagemas que conseguiram arranhar as imagens institucionais, mas não derrubaram o progresso e o trabalho dos soldados no cumprimento de sua missão legal, a defesa e a segurança da população, a soberania do território, a proteção dos ativos estratégicos e das instituições do Estado.
Nesse panorama desconcertante, controverso e contraditoriamente ideológico, as Information-Related Capabilities (IRCs) foram de importância decisiva, pois foram a equipe de combate que enfrentou e rebateu os ataques da mídia sob a perspectiva da transparência, da veracidade e da legalidade, protegendo cuidadosamente o capital reputacional e a legitimidade das instituições do Estado.
Fortalecimento das capacidades de segurança e defesa no ambiente de informações
Considerando os novos teatros de operações, que são incertos, não convencionais, intangíveis e híbridos, as Capacidades Relacionadas à Informação (IRCs), com suas diversas competências e habilidades, devem ser revigoradas como uma força para a segurança e a defesa das nações, já que as IRCs são o músculo de combate no campo da guerra contra a desinformação, a fim de proteger a imagem institucional, zelar pelo fortalecimento do capital reputacional e proteger o ativo estratégico mais importante das instituições, a legitimidade.
Isenção de responsabilidade: Os pontos de vista e opiniões expressos neste artigo são os do autor. Elas não refletem necessariamente a política ou posição oficial de nenhuma agência do governo dos EUA, da revista Diálogo, ou de seus membros. Este artigo da Academia foi traduzido à máquina.
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