O exercício multinacional Iniciativa de Submarinos Diesel-Elétricos (DESI) está em andamento. Liderado pela Marinha dos EUA na região de San Diego, Califórnia, o exercício, que terminará em novembro, reúne um seleto grupo de marinhas, com foco no treinamento antissubmarino avançado com unidades convencionais diesel-elétricas.
“Como a Marinha dos EUA não possui mais submarinos convencionais, mas apenas nucleares, o exercício DESI se torna uma ferramenta essencial para treinar e fortalecer essas capacidades, por meio da cooperação com países que operam esse tipo de unidades”, disse à Diálogo Miguel Navarro, analista internacional chileno.
O programa DESI, estabelecido em 2001 pelo Comando das Forças da Frota dos EUA (USFFC), colabora com as marinhas sul-americanas que operam submarinos, entre elas Brasil, Chile, Colômbia e Peru. O programa evoluiu para uma plataforma fundamental de interoperabilidade técnica e tática para as marinhas com componentes submarinos.

O exercício proporciona um ambiente de treinamento único, que permite que as forças de guerra antissubmarina dos EUA treinem com submarinos diesel-elétricos, os quais constituem a maior parte da frota submarina em nível mundial e, ao mesmo tempo, promove a cooperação com nações aliadas, publicou o USFFC. A presença de unidades sul-americanas em manobras de certificação incrementa a dificuldade e o realismo dos exercícios de guerra submarina, uma vez que essas unidades se mostraram especialmente discretas e complexas para rastrear, ressaltou o USFFC.
“No caso dos submarinos, é fundamental destacar sua polivalência, o que permite otimizar um investimento de alto custo, como o que essas unidades representam e, por isso, elas são empregadas não apenas na preparação para a guerra, mas também, no caso do Chile, em tarefas como o controle da pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, bem como em destacamentos para zonas insulares”, disse à Diálogo o ex-comandante-chefe da Marinha do Chile, Almirante de Esquadra (R) Juan Andrés de la Maza. “Além disso, esses meios oferecem uma grande flexibilidade operacional, com o valor agregado de seu caráter furtivo.”
O alto custo de construção e operação de porta-aviões levou muitas nações a recorrer a meios alternativos, como os submarinos, para neutralizar grandes grupos de batalha, analisou a Revista Marina, do Chile. Embora um submarino a diesel não projete soberania como uma força de superfície, sua mera presença pode impedir a navegação de uma força adversária em águas disputadas, acrescenta.
“Durante 22 anos, o DESI destacou a importância de promover as relações de cooperação e os benefícios mútuos que essas relações proporcionam às capacidades das nações participantes”, disse, ao concluir o destacamento do DESI 2023, o Vice-Almirante William Houston, da Marinha dos EUA, então comandante do USFFC. “Os destacamentos e exercícios DESI são cruciais para fortalecer as relações entre nossas marinhas e marinheiros. Dessa forma, continuaremos garantindo a cooperação, a segurança e a interoperabilidade regionais.”
“O Chile tem sido um participante constante neste exercício, que é extremamente útil para suas Forças Navais”, disse o V Alte de la Maza. “Quando a Marinha do Chile participa de um exercício com um país como os Estados Unidos, que possui uma categoria superior à nossa e com uma quantidade maior de recursos, isso deixa em muito boa posição não apenas nossos militares, mas [também] o Chile.”
“O DESI facilita as capacidades dos EUA, porque, em um cenário real de conflito, seus principais adversários não operarão necessariamente apenas submarinos nucleares, mas também convencionais”, complementou Navarro. “Em um eventual confronto contra países hostis, a Marinha dos EUA teria que enfrentar submarinos diesel-elétricos, que são mais comuns. Diante desse cenário, o exercício DESI não é apenas um treinamento naval, mas também uma ferramenta de diplomacia e integração com a região.”
Participação do Chile no DESI
No âmbito do DESI 2025, o submarino SS-20 Thomson da Marinha do Chile partiu em 21 de julho da Base Naval de Talcahuano, com destino à costa oeste dos EUA, para participar do exercício. A tripulação de 45 efetivos operará durante um total de cinco meses junto com unidades de superfície e aeronaves da região.
“Nessa operação, ocorrerão várias interações em benefício de ambas as forças”, destacou o Contra-Almirante Federico Saelzer, da Marinha do Chile, comandante-chefe da Força Submarina. “Foi realizado um alistamento muito intenso com o apoio do Estaleiro e Arsenal da Marinha (ASMAR) Talcahuano, graças ao qual o SS-20 Thomson ficou pronto para enfrentar cinco meses de alta intensidade operacional.”
A última participação da Marinha do Chile no DESI foi em 2023. Naquela ocasião, a instituição foi a San Diego com o SS-22 General Carrera, com o qual desenvolveu exercícios de treinamento de guerra antissubmarina com o Grupo de Ataque de Porta-Aviões USS Theodore Roosevelt; a Ala de Ataque Marítimo de Helicópteros do Pacífico; e a Ala de Patrulha e Reconhecimento Nº 10. Essa iniciativa promoveu a colaboração entre o Chile e os Estados Unidos.
No âmbito do DESI 2025, também será desenvolvida a versão número 12 do exercício CHILEMAR, uma instância bilateral entre as marinhas do Chile e dos EUA, focada na resolução de emergências em submarinos acidentados, que permitiu testar capacidades de resgate, interoperabilidade de meios e coordenação tática em cenários de alta complexidade, destacou à Diálogo um porta-voz da Direção de Comunicações da Marinha do Chile.
Esses exercícios são mais do que apenas eventos de treinamento técnico; eles representam um compromisso vital com a segurança compartilhada no hemisfério. Ao fornecer à Marinha dos EUA um treinamento inestimável com submarinos diesel-elétricos e, ao mesmo tempo, aprimorar as capacidades operacionais de seus parceiros, esses programas criam uma estrutura para alianças mais fortes e uma maior estabilidade regional.


