Fuzileiros aeronavais do Panamá combatem crime organizado

Marines from the Panamanian National Air and Naval Service Take Territory Away from Organized Crime

Por Roberto López Dubois/Diálogo
junho 26, 2017

Para evitar que os 2.988 quilômetros de litoral e as 1.518 ilhas que existem nas águas panamenhas sejam usados por grupos dedicados ao crime organizado, o Serviço Nacional Aeronaval (SENAN) criou a Infantaria Aeronaval como um braço operacional tático que tem jurisdição em todo o istmo. “O trabalho dos fuzileiros no combate às atividades criminosas como o narcotráfico e o contrabando, entre outras, não é fácil se levarmos em conta as condições dos terrenos em manguezais, recifes e na grande extensão das praias que se deve patrulhar”, garantiu o 2º Tenente Daniel Navas, da Infantaria Aeronaval. No momento de sua criação, em 21 de março de 2014, a unidade tinha 100 militares treinados para enfrentar as adversidades impostas por seu campo de batalha. Hoje, o grupo conta com 205 fuzileiros com o objetivo de realizar patrulhas terrestres e trabalhos de ataque e reconhecimento em áreas de difícil acesso. Além disso, eles têm presença permanente em postos de observação e vigilância em áreas longe do litoral. “A Infantaria Aeronaval está presente no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico do Panamá. Ela age como elemento de apoio para o controle do tráfico marítimo em botes de interdição marítima ou de patrulhamento costeiro, nos quais realizam trabalhos de segurança durante as inspeções e abordagens das embarcações”, acrescentou o 2º Ten Navas. “Além disso, realizam operações aéreas nas quais desempenham funções como unidades táticas operacionais. Para garantir objetivos nas áreas de difícil acesso, utilizam o desembarque aéreo por meio de descida por corda feita a partir das aeronaves com asas rotativas.” Luta persistente As áreas costeiras e ilhas panamenhas são regiões que estão constantemente na mira do crime organizado transnacional, que também as utilizam como esconderijo para o transporte ilegal. Em 2016, as agências de segurança do governo apreenderam um valor recorde de 68,4 toneladas de drogas. Ao compará-lo com anos anteriores, o SENAN é o segundo dos quatro órgãos de segurança do país que apreende mais drogas todos os anos. É por isso que a Infantaria Aeronaval realiza capacitações constantes para manter os fuzileiros em condições que lhes permitam cumprir suas tarefas. Internacionalmente, o SENAN tem acordos com a Colômbia, o Chile, o Equador, os Estados Unidos e o Peru, entre outros, para receber capacitação em seu próprio território ou no dessas nações parceiras. “Esta unidade é peça fundamental para as operações estabelecidas em convênios de cooperação técnica, com outras entidades de segurança panamenhas”, disse o Subcomissário Félix Kirven, chefe da Segunda Região Aeronaval do Panamá. “Mantemos comunicação para realizar operações combinadas e de treinamento.” Treinamento constante Os fuzileiros aeronavais precisam estar preparados para estar em movimento por sete ou oito horas sem descanso, em terrenos difíceis onde imperam condições climáticas extremas, como inundações ou calor elevado. Além disso, eles devem estar alerta para enfrentar fortes ondas ou enchentes de rios, alimentando-se somente com suas reservas, enquanto se acostumam com o ambiente. “O treinamento de um fuzileiro é bastante complexo, porque seu campo operacional nos exige que nosso ambiente de trabalho seja a selva; nossos escritórios são os rios e os mares”, garante o 2º Ten Navas. “O fuzileiro precisa estar preparado para deixar sua família por vários dias, precisa estar consciente de que o trabalho é duro, que a luta contra o narcotráfico é direta e exige esforço.” Exercícios nacionais e internacionais Além dos treinamentos, a unidade participa de forma ativa dos exercícios nacionais e internacionais. Um deles é o Panamax Alpha, um exercício panamenho do qual participam várias instituições de segurança estatais que simulam condições emergenciais variadas. São capacitados, inclusive por instrutores internacionais, para fortalecer planos e procedimentos que lhes permitam trabalhar em conjunto, de forma eficiente e em diferentes situações para defender o Canal do Panamá. “A simples presença [da Infantaria Aeronaval] tem um efeito dissuasivo e, graças a essa presença, temos conseguido combater com eficácia o narcotráfico em missões de localização de drogas escondidas, de resgate de vítimas de tráfico humano e na detenção de grupos ou indivíduos fora da lei, colocados à disposição das autoridades competentes”, afirmou o Subcomissário Kirven. Além disso, a Infantaria Aeronaval participa de exercícios internacionais como o PANAMAX, um exercício multinacional patrocinado pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), que tem o objetivo de garantir a segurança do Canal do Panamá e da região próxima. No exercício, trabalham juntas as forças armadas de várias nações do continente, incluindo Chile, Colômbia, Equador e Peru, entre outras, para coordenar todas as ações relacionadas com a segurança do Canal do Panamá. Eles também participam de outros exercícios de grande importância regional, como o UNITAS, que é realizado anualmente pela Marinha dos EUA e também é patrocinado pelo SOUTHCOM. Em setembro de 2016, em sua versão número 57, o Panamá foi o país anfitrião desse exercício. Participaram as marinhas do Chile, da Colômbia, da Costa Rica, de El Salvador, de Honduras, do Peru e do Reino Unido. “É um orgulho pertencer à Infantaria Aeronaval. Nem todos podem entrar. O melhor é a sensação de dever cumprido, ver as conquistas obtidas e saber que, sempre que for necessário, haverá fuzileiros em todas as partes do país para cumprir seu dever”, acrescentou o 2º Ten Navas.
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