Mais de 700 membros do crime organizado transnacional foram presos na América Central em operação apoiada pelo EUA

Mais de 700 membros do crime organizado transnacional foram presos na América Central em operação apoiada pelo EUA

Por Departamento de Justiça dos EUA/Editado pela equipe da Diálogo
dezembro 21, 2020

No dia 27 de novembro, altas autoridades de manutenção da ordem pública dos Estados Unidos, El Salvador, Guatemala e Honduras anunciaram acusações criminais na América Central contra mais de 700 membros de organizações criminosas transnacionais, especialmente as gangues MS-13 e Bairro 18, que resultaram de uma ação policial de uma semana, coordenada no âmbito da Operação Escudo Regional (ORS, em inglês).

A ORS começou em 2017 e é uma iniciativa dirigida pelo Departamento de Justiça dos EUA para combater o crime organizado transnacional, que reúne promotores e investigadores de gangues de El Salvador, Guatemala, Honduras, México e Estados Unidos. Com reuniões trimestrais, esse grupo coordenou investigações em diversos países e ações simultâneas em toda a região.

As autoridades também anunciaram a prisão de 36 indivíduos em El Salvador e Honduras, envolvidos em redes de tráfico de pessoas espalhadas pela América Central e Estados Unidos. Os detidos em Honduras incluem um comissário de polícia, um inspetor adjunto de polícia e três agentes de manutenção da ordem pública. Todos os presos foram acusados de tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro e associação ilegal para cometer crimes. As acusações foram anunciadas pelo procurador-geral dos EUA, William P Barr, pelo procurador-geral de El Salvador, Raul Melara, pela procuradora-geral da Guatemala, María Consuelo Porras Argueta, e pelo procurador-geral de Honduras, Oscar Fernando Chinchilla, através do Gabinete de Imprensa do Ministério Público.

Membros da Polícia Nacional e da Procuradoria-Geral de El Salvador prendem suspeitos integrantes das gangues. (Foto: cortesia do Gabinete da Procuradoria-Geral de El Salvador)

“O Departamento de Justiça dos EUA e nossos parceiros da manutenção da ordem pública da América Central têm um compromisso de colaboração contínua para localizar e prender membros das quadrilhas e seus parceiros envolvidos em crimes transnacionais”, disse o procurador-geral Barr. “Nossos países se tornam mais seguros se trabalharmos juntos para proteger a segurança nacional e garantir a segurança pública em nossa vizinhança.”

Em 2017, o procurador-geral dos EUA, junto com os procuradores-gerais dos três países centro-americanos, se comprometeram a combater o crime organizado transnacional e reduzir a migração ilegal para os Estados Unidos, através de uma maior cooperação e da capacidade de criar parceiros de manutenção da ordem pública. Esses esforços produziram os seguintes resultados:

Procuradores de El Salvador acusaram criminalmente 1.152 membros de grupos do crime organizado do país, principalmente as gangues MS-13 e Bairro 18. Em poucas horas, a Polícia Nacional Civil capturou 572 dos réus acusados por envolvimento em terrorismo, assassinato, extorsão, sequestro, roubo de veículos, assalto, conspiração, narcotráfico, lavagem de dinheiro, violação de armamento, tráfico humano e contrabando de pessoas. Os procuradores e a polícia também apreenderam bens desses grupos do crime organizado para confisco.

Na Guatemala, o Gabinete da Procuradoria Antiextorsão, o Gabinete da Procuradoria contra Crimes Transnacionais, a Unidade Especial contra as Gangues Transnacionais e as autoridades policiais executaram 80 ordens de busca, prenderam 40 pessoas e cumpriram 29 ordens de prisão contra indivíduos já sob custódia, todos membros das gangues Bairro 18 e MS-13. As autoridades apreenderam drogas e uma arma de fogo e emitiram acusações por extorsão, associação ilícita, conspiração para cometer assassinato e obstrução por extorsão. Essa investigação envolve quatro empresas de transportes que foram vítimas de extorsão no valor de US$ 54.523.

Em Honduras, a operação conjunta ORS, que foi realizada em diferentes fases durante uma semana, resultou na prisão de mais de 75 membros da MS-13 e da Bairro 18 e de cinco oficiais de polícia, além da execução de mais de 10 mandados de busca. Armas ilegais, telefones celulares, drogas e dinheiro foram apreendidos. Os detidos foram acusados de associação ilícita, assassinato e conspiração para cometer assassinato, extorsão e tráfico de drogas.

Os esforços da ORS de combate às gangues permitiram acusações contra mais de 11.000 membros de quadrilhas desde 2017, incluindo líderes de gangues de todo o país. Muitos desses indiciamentos incluíram a apreensão de bens dos membros das gangues, incluindo armas de fogo e dinheiro. Além disso, no mesmo período, mais de 12 estruturas do contrabando/tráfico foram desmanteladas.

Os esforços para aumentar as capacidades na América Central do Escritório de Desenvolvimento, Assistência e Treinamento de Procuradorias no Exterior, (OPDAT, em inglês), do Departamento de Justiça dos EUA, desempenharam um papel fundamental para reunir procuradores-gerais de El Salvador, Guatemala e Honduras e formar operações regionais voltadas para a MS-13, a Bairro 18 e outras gangues, bem como organizações transnacionais de contrabando de pessoas.

Além disso, como consequência dos esforços do OPDAT para aumentar as capacidades, os parceiros do Departamento de Justiça na América Central fortaleceram a cooperação e desenvolveram habilidades, ferramentas e técnicas para maximizar os resultados contra todas as formas do crime organizado transnacional que impactam a região e os Estados Unidos.

Em El Salvador, Guatemala e Honduras, as investigações sobre as organizações criminosas transnacionais estão sendo realizadas por promotores regionais que recebem treinamento e orientação financiados pelo Departamento de Estado dos EUA e proporcionados pelo FBI, pelo Escritório de Investigações de Segurança Interna (HSI, em inglês), do Departamento de Imigração e Controle de Fronteiras dos EUA, e pelo OPDAT.

Com o apoio do Escritório de Assuntos Antinarcóticos Internacionais e de Manutenção da Ordem Pública, do Departamento de Estado dos EUA, procuradores do OPDAT ajudaram a estabelecer forças-tarefa na região e trabalhar com as unidades locais Antigangues Transnacionais do FBI, bem como as Unidades Transnacionais de Investigação Criminal do HSI. Esses esforços ajudaram os parceiros da América Central a condenar milhares de criminosos, confiscar mais de US$ 1 bilhão em bens ilícitos e coordenar dezenas de investigações transnacionais com seus homólogos dos EUA.

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