Maduro intensifica sua repressão à democracia

Maduro intensifica sua repressão à democracia

Por Noelani Kirschner / ShareAmerica
março 11, 2020

O regime de Nicolás Maduro e seus aliados continuam encontrando novas maneiras de reprimir a democracia e brutalizar o povo venezuelano.

Quando o presidente interino Juan Guaidó voltou de sua viagem diplomática ao exterior, em 11 de fevereiro de 2020, assassinos de aluguel pró-Maduro o atacaram no aeroporto nas proximidades de Caracas. Um deles tentou quebrar a janela do seu carro com um cone de trânsito.

Agentes da polícia transportam prisioneiros sobreviventes, depois que as celas de prisão policiais se incendiaram em Valencia, capital de Carabobo, no norte da Venezuela, no dia 28 de março de 2018. (Foto: Juan Barreto / AFP)

Enquanto Guaidó saiu ileso, outras pessoas não tiveram a mesma sorte.

Os comparsas de Maduro espancaram os jornalistas enquanto as forças de segurança observavam e não faziam nada. Seis repórteres ficaram gravemente feridos e muitos outros tiveram seus equipamentos roubados, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas baseado nos EUA.

“Quando os jornalistas tentaram prestar uma queixa formal sobre as agressões na sede do Ministério Público, agentes policiais armados bloquearam o edifício e não os deixaram entrar”, informou o Comitê.

As forças de segurança do regime apreenderam Juan José Márquez, tio de Guaidó, quando ele passava pela alfândega. O regime de Maduro alega que Márquez carregava material explosivo no voo que trazia Guaidó de volta de Portugal e suspendeu os voos da companhia aérea TAP Air Portugal para Caracas. A ministra das Relações Exteriores de Portugal, Teresa Ribeiro, disse à agência de notícias Associated Press que a decisão era “completamente infundada e injustificada”.

“Este é um esforço óbvio e cruel que visa atacar os assessores mais próximos de Guaidó e sua família”, declarou Elliott Abrams, do Departamento de Estado dos EUA.

Márquez foi visto pela última vez sob a custódia da Direção Geral de Contrainteligência Militar, uma agência de inteligência pró-Maduro conhecida por torturar cidadãos.

Mais de uma semana depois, oficiais da Direção entraram à força na casa de Márquez, estando presentes sua esposa e filhos. O governo interino e o advogado de Márquez denunciaram o ato.

Em uma declaração do Departamento de Estado, os Estados Unidos condenaram a detenção sem fundamento e pediram que o regime de Maduro libertasse Márquez. “Responsabilizaremos totalmente Nicolás Maduro e aqueles que o rodeiam pela segurança e bem-estar da família do presidente interino Guaidó e de todos aqueles que defendem a democracia na Venezuela”, afirmou.

De acordo com relatórios, em 2019 houve 2.219 prisões arbitrárias na Venezuela. Desde que Maduro assumiu o poder em 2014, houve cerca de 15.000 no total.

Em janeiro, segundo a Assembleia Nacional, o regime de Maduro saqueou ilegalmente uma estação de assistência internacional, deixando o povo venezuelano com menos suprimentos médicos, menos alimentos não perecíveis, remédios e cobertores.

“Os Estados Unidos condenam os milhares de assassinatos, ataques e detenções arbitrárias que têm ocorrido na Venezuela”, acrescentou o comunicado do Departamento de Estado. “Apoiamos as famílias das vítimas, exigindo justiça e responsabilidade.”

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