Presidência da Guatemala ordena repressão ao Los Zetas

Por Dialogo
fevereiro 20, 2012



O presidente guatemalteco, Otto Pérez Molina, anunciou, logo depois de assumir o cargo em 14 de janeiro, que o Los Zetas serão alvo de uma ofensiva total dos militares.
O general da reserva conclamou os militares a “coordenar e cooperar com as outras forças de segurança para neutralizar e controlar o crime organizado através de ações por terra, ar e mar.”
Em discurso às forças armadas, Pérez Molina disse que o cartel de drogas Los Zetas está tentando dominar o narcotráfico na Guatemala através da cooptação ou do assassinato de traficantes de drogas locais. O presidente prometeu equipar os diferentes setores das Forças Armadas com viaturas terrestres, lanchas e aeronaves para ajudar no enfrentamento à organização criminosa transnacional.
Pérez Molina baseou sua campanha na promessa de que iria enfrentar o crime com “mão de ferro”, prometendo aos eleitores tomar medidas rigorosas contra o Los Zetas e os crimes violentos. Em 2011, a Guatemala contabilizou 41 homicídios por 100.000 habitantes, tornando o país o quarto em assassinatos no mundo, com uma média de 16 homicídios por dia para uma população de cerca de 14 milhões.
O presidente prometeu mobilizar 2.500 tropas para confrontar o Los Zetas e quaisquer outros cartéis que desenvolvam atividades criminosas na Guatemala, além de recrutar, treinar e contratar mais 10.000 policiais.
A investida severa do novo presidente contra o crime e a violência não se limita aos cartéis de drogas. Em 24 de janeiro, Pérez Molina anunciou a criação de duas novas unidades de polícia para a prevenção de sequestros e homicídios de mulheres. Em 2011, segundo autoridades governamentais, 700 mulheres foram assassinadas na Guatemala pelo simples fato de serem do sexo feminino.

Ofensivas militares anteriores contra organizações criminosas transnacionais

Nos últimos dois anos, a Guatemala mobilizou as Forças Armadas em diversas ocasiões para missões específicas contra quadrilhas do crime organizado. Em julho de 2010, cerca de 500 tropas foram destacadas à Cidade da Guatemala para ajudar as forças policias civis. Os militares foram enviados para recuperar o controle da capital após uma série de incidentes violentos, incluindo um ataque incendiário a um ônibus.
Em dezembro de 2010, o presidente em final de mandato Álvaro Colom concedeu ao Exército poderes especiais para entrar em Alta Verapaz, no norte do país, que havia sido tomada pelo Los Zetas.
A ofensiva de Pérez Molina contra o Los Zetas é uma repercussão das ações do presidente mexicano Felipe Calderón que, logo após assumir a presidência em dezembro de 2006, convocou Exército, Marinha, Aeronáutica e Fuzileiros Navais mexicanos a unirem-se às polícias federal, estadual e municipal no confronto às quadrilhas do crime organizado.
Desde o início da guerra contra as drogas, os militares mexicanos eliminaram ou capturaram dezenas de líderes de cartéis, desmontaram um sofisticado sistema de telecomunicações desenvolvido pelo Los Zetas e acabaram com algumas importantes rotas de tráfico de drogas. Segundo um analista, o sucesso das Forças Armadas do México forçaram o Los Zetas e outros cartéis de drogas a mudarem suas operações para outros lugares.
“A pressão que o governo mexicano tem exercido sobre os cartéis de drogas os impeliu para a América Central, onde podem se mover com mais facilidade devido à limitada capacidade das forças de segurança desses países”, afirma Günther Maihold, titular da cátedra Guillermo y Alejandro Von Humboldt, no Centro de Estudios Internacionales, da faculdade El Colegio de Mexico, na capital do país.
Será um desafio para a Guatemala e outros países da América Central enfrentar as incursões do Los Zetas e de outros cartéis de drogas, diz Maihold.
Cada vez mais, a Guatemala é usada como uma grande central do tráfico da cocaína proveniente da Colômbia com destino ao México e, de lá, para os Estados Unidos.
“A geografia da Guatemala exacerba o problema, uma vez que o país está no meio do fogo cruzado entre os maiores produtores de coca do mundo [os países Andinos] e os maiores consumidores de cocaína do planeta [América do Norte]”, de acordo com um recente relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Uso das Forças Armadas no enfrentamento ao crime organizado

A Guatemala é o terceiro país da região a seguir o exemplo do México ao destacar as Forças Armadas para conter os cartéis de drogas. Em novembro, o Congresso hondurenho autorizou as Forças Armadas a combater os cartéis de drogas. Honduras possui o maior índice de homicídios do mundo e essa violência é, em grande parte, atribuída ao aumento das atividades dos cartéis de drogas mexicanos. Além disso, El Salvador tem-se valido de seus militares para combater as gangues de rua, algumas das quais colaboram com cartéis de drogas.
México e Estados Unidos têm trabalhado em estreita parceria na guerra contra as organizações criminosas transnacionais, afirma Maihold, acrescentando que a Guatemala precisará de um nível de cooperação semelhante com os dois países para obter êxito no enfrentamento ao crime organizado.
“A Guatemala precisará de apoio para combater a impunidade [dos cartéis] com uma reforma do sistema judiciário, para que as autoridades do Estado possam tomar ações decisivas”, ressalta Maihold. “O dinheiro necessário para isso deve ser gerado na Guatemala, com algum apoio dos EUA.”
México e Guatemala devem trabalhar juntos, promovendo um intercâmbio de inteligência entre a polícia e os militares, e cooperar na luta contra a lavagem de dinheiro dos cartéis, assevera Maihold, sugerindo que o governo guatemalteco também lance campanhas educativas antidrogas para tentar evitar que o país se torne um grande mercado consumidor.
Eu desejo que estas operações resultem no melhor para as autoridades que lutam com decência e honestidade para a segurança dos habitantes, no lugar onde estão fazendo isso, especialmente na América Central onde o assustador número de mortos, eu peço como pai e irmão de agentes de segurança, precaução e muita cautela quando eles forem para o confronto armado, graças a Deus não perdi ninguém de minha família, e espero que isso nunca aconteça, mas nunca se sabe até acontecer, por favor muita cautela.
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