América Latina em 2030: Estudo do NIC prevê prosperidade, mas também aumento da criminalidade

Latin America in 2030: NIC Study Predicts Prosperity Mixed With Crime

Por Dialogo
julho 08, 2013



A economia na América Latina crescerá nos próximos 17 anos, embora a falta de segurança e a atividade criminosa transnacional continuem crescendo na região, podendo inclusive piorar. Essas são as principais conclusões do último relatório “Global Trends 2030: Alternative Worlds” [Tendências Globais 2030: Mundos Alternativos], do Conselho Nacional de Inteligência [NIC, na sigla em inglês] dos EUA.
“Nos próximos anos, o cenário global econômico e político será drasticamente alterado pelo crescimento da China e de outras potências asiáticas e pela ascensão de atores não governamentais”, diz o relatório. Na América Latina, a crescente demanda por energia, alimentos e água, juntamente com a poluição, a mudança climática, desastres naturais e novos desafios decorrentes da urbanização desenfreada, poderá levar a uma possível incapacidade do Estado nos países mais fracos, adverte o relatório do NIC.
O estudo também ressalta a “extensa mudança na última década, incluindo crescimento econômico sustentável e redução da pobreza” – com o crescimento do PIB latino-americano a uma média de 4% ao ano.
“Outras tendências, como a disseminação da violência associada ao narcotráfico e às gangues criminosas, prejudicaram a região. Dois fatores primordiais, um externo e outro interno, nortearão o crescimento econômico e a qualidade de vida na América Latina nos próximos 18 anos”, afirma o relatório. O fator externo é a demanda mundial por produtos latinos; o interno é a capacidade da região de acabar com sua dependência das exportações de commodities, investir em educação e preservar a democracia.

Relatório alerta para desigualdade de renda

Apesar disso, a distribuição de poder político e econômico permanece perigosamente desigual em toda a América Latina, de acordo com o relatório.
“Supondo que o crescimento médio do PIB na região caia para 3,5% com a redução nas projeções de crescimento global, o PIB latino-americano agregado totalizará US$ 9 trilhões até 2030, possivelmente próximo da metade da economia dos Estados Unidos.
Devido às reduzidas taxas de crescimento da população, a renda per capita anual da América Latina pode chegar a US$ 14.000 – quase 50% a mais do que os níveis atuais, segundo o relatório. “Ao mesmo tempo, o surgimento de uma classe média ainda maior na América Latina irá alimentar as expectativas políticas e econômicas com as quais os governos precisarão estar preparados para lidar.”
O analista político Sergio Bitar, ex-senador no Chile, alerta que a escassez de recursos se tornará uma questão muito mais importante do que é atualmente na região.
“Nas próximas duas décadas, a mudança climática e a ascendente classe média na Ásia, África e América Latina levarão a mudanças de padrão de vida, segurança pública e disponibilidade de alimentos e água”, avalia Bitar. “A ação governamental será necessária para prevenir essas consequências negativas, incluindo o investimento em energia limpa e tecnologia de eficiência energética.”
Em um cenário global menos favorável, vulnerabilidades em alguns países latinos – acentuadas pelo aumento da insegurança e pelas atividades do crime organizado transnacional – podem gerar crises e espalhar-se pela região, apresentando desafios aos Estados Unidos e a outros países.

NIC: América Latina e Caribe enfrentam desafios maiores

“Mesmo no caso de uma economia global relativamente robusta, será mais difícil para sub-regiões como a América Central e o Caribe lidarem com os desafios da segurança e da governança”, alerta o relatório. “O aumento dos custos de alimentos e combustíveis provavelmente será mais um fator de tensão nas estruturas governamentais mais frágeis da América Central e do Caribe. Nos últimos anos, os cartéis de drogas mexicanos têm utilizado cada vez mais a América Central para o transbordo de drogas, o que também enfraquece a governança e o estado de direito.”
Ao contrário do resto da região, a América Central e o Caribe ficaram para trás em termos de dinamismo econômico e não estão crescendo no nível necessário para gerar empregos para sua grande população jovem.
O Brasil continuará a desempenhar um papel maior e especial na região, embora o país seja vulnerável a flutuações do comércio global, instabilidade em suas fronteiras e megacidades com infraestruturas deficientes e unidades policiais sobrecarregadas pela criminalidade.
“O meio ambiente pode exercer um papel fundamental no destino do país durante os próximos 15 a 20 anos – a Bacia Amazônica produz cerca de 20% de toda a água doce que entra nos oceanos e causa o maior impacto no clima do planeta”, afirma o relatório. “Se ocorrer o “Amazon Dieback” (processo de desertificação da Amazônia) ou desmatamento, o ciclo da água pode ser alterado de tal forma que devastaria a agricultura do Brasil e boa parte da Argentina. Recentemente, modelos sugeriram que se pode chegar a um ponto crítico caso o desmatamento atinja 20%; atualmente, está em 18%.”

Educação deve continunar sendo prioridade, dizem analistas

Alejandro Werner, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), solicitou a implementação de programas para melhorar a educação e a saúde, que, para ele, são “os fatores determinantes mais importantes em longo prazo para crescimento, geração de empregos e redução da pobreza”.
Os preços dos produtos de consumo, que têm sido o suporte do crescimento de muitas economias, podem se estagnar ou cair, disse Werner à Survey Magazine, informativo online do FMI. E a taxa de juros mundial com o tempo irá aumentar, o que afetará os pagamentos das dívidas internas e externas dos países latino-americanos.
“Acredito que temos de ajudá-los na transição de uma estratégia mais baseada em commodities para outra que seja mais autossustentável e baseada em serviços, produção e construção”, disse Werner, destacando que, nos últimos 10 anos, a América Latina realizou avanços significativos em relação à desigualdade de renda e à redução da pobreza, embora alguns países ainda tenham os mais altos índices de pobreza do mundo e os piores padrões de desigualdade na distribuição de renda.
O ex-senador norte-americano Christopher Dodd, copresidente da Força-Tarefa Transatlântica na América Latina, também comentou o relatório do NIC.
Para Dodd, “a América Latina é uma região cuja importância tem aumentado, expandindo mercados, com suas riquezas naturais e oportunidades ilimitadas. E é benéfico para nós, dos Estados Unidos e da Europa, adotar uma parceria transatlântica mais forte com os países da América Latina.”
seria muito interessante e da maior importância se os grandes países do norte, Canadá e Estados Unidos, e mesmo a Europa, não permitissem que políticos corruptos investissem, comprassem ou vendessem seus países, e também trabalhassem fortemente para reduzir a demanda de drogas, ok
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