Jornalistas e médicos são alvos de Maduro, afirma novo relatório

Jornalistas e médicos são alvos de Maduro, afirma novo relatório

Por Noelani Kirschner/ShareAmerica
novembro 06, 2020

O regime ilegítimo de Nicolás Maduro tem usado a pandemia da COVID-19 para reprimir qualquer pessoa que não aja em conformidade com Maduro, informa um relatório do Observatório dos Direitos Humanos (HRW, em inglês).

Desde meados de março, “autoridades venezuelanas detiveram e processaram arbitrariamente dezenas de jornalistas, profissionais de saúde, advogados de direitos humanos e opositores políticos que criticam o governo de Nicolás Maduro”, segundo o HRW.

A organização afirma que o regime ilegítimo de Maduro criou um estado de emergência para prender, deter e torturar arbitrariamente quem quisesse.

Ao elaborar o relatório, o HRW identificou casos envolvendo 162 pessoas que foram intimidadas, detidas ou processadas pelo regime entre março e junho. O relatório fornece detalhes sobre vários casos importantes, destacando as ações puramente punitivas do regime de Maduro.

No final de março, logo após o início do estado de emergência imposto por Maduro, soldados da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) da Venezuela agrediram e detiveram Henderson Maldonado, advogado de direitos humanos, por ajudar pacientes com câncer e doenças renais a obter gasolina para seus carros. Sem o combustível, os pacientes não poderiam dirigir para receber os tratamentos vitais de que necessitavam.

No quartel-general da GNB, Maldonado foi deixado algemado a um pilar por cinco horas, sem acesso a banheiro, comida ou água. Ele foi golpeado na cabeça e na mão com uma garrafa de água congelada por um agente que disse que ele não merecia viver.

No início de abril, Andrea Sayago, bioanalista, ajudou a diagnosticar o primeiro caso confirmado de COVID-19 na Venezuela. Ela enviou uma mensagem pelo WhatsApp a seus colegas, alertando-os sobre os resultados dos exames do paciente e incentivando-os a tomar medidas de precaução para evitar a propagação do vírus.

As mensagens de Sayago foram postadas nas redes sociais. O conselho diretor do hospital a forçou a renunciar, dizendo que suas mensagens constituíam terrorismo. Poucos dias depois, o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) prendeu Sayago depois que a esposa de um político pró-Maduro pediu que ela fosse punida. O SEBIN deteve Sayago em sua sede durante dois dias.

“O estado de emergência tem incentivado as forças de segurança e os grupos armados pró-governo que já têm um histórico de tortura e execuções extrajudiciais a reprimir os venezuelanos ainda mais duramente”, disse José Miguel Vivanco, diretor da divisão das Américas do HRW. “Atualmente, na Venezuela, você não pode nem mesmo compartilhar uma mensagem privada criticando o governo de Maduro via WhatsApp sem medo de ser perseguido.”

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