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Entrevista com o General-de-Divisão Guy Thibault, presidente do IADB

Interview with Lieutenant General Guy Thibault, Chair of the Inter-American Defense Board

Por Dialogo
fevereiro 10, 2012


Em dezembro de 2011, o General-de-Divisão Guy Thibault, líder da mais antiga organização de cooperação para defesa e segurança em todo o mundo, conversou com Diálogo durante a Conferência sobre Segurança dos Países do Caribe (CANSEC 2012) em São Cristóvão e Nevis.

Fundado durante a II Guerra Mundial, o Gabinete Interamericano de Defesa (IADB, por sua sigla em inglês) vem evoluindo e se adaptando para enfrentar os desafios à segurança que afetam o Hemisfério Ocidental.

Diálogo: O que é o Gabinete Interamericano de Defesa?

General-de-Divisão Guy Thibault: O IADB é um organismo único no hemisfério, criado em 1942 com foco na cooperação para a defesa desde a II Guerra Mundial. É atualmente o mais antigo mecanismo de cooperação para defesa e segurança no mundo, para organizações multilaterais. Assim sendo, ele se volta principalmente para as questões militares, questões de defesa, e tem representação na maioria dos países da Organização dos Estados Americanos (OEA); na verdade, é um organismo hemisférico com representação no Canadá, Estados Unidos, América do Sul, Caribe e América Central. Contamos com 27 nações-membros.

Diálogo: Qual é a ligação entre o IADB e a OEA?

Gen Div Thibault: Em 2006 houve uma mudança nas relações institucionais com a OEA. O IADB foi criado como uma entidade da OEA, que é nossa entidade política no hemisfério. Essa série de mudanças originou-se no reconhecimento de que precisávamos modificar a maneira como a defesa e as Forças Armadas estavam sendo integradas ao sistema político do hemisfério. Assim sendo, este organismo criado em 1942 pelas Forças Armadas e pelos ministérios da Defesa para cuidar da cooperação para a defesa, não havia evoluído e se adaptado às mudanças relativas à nossa segurança. Hoje em dia, diferentemente do que ocorria em 1942, não temos as típicas ameaças à defesa que tínhamos durante a II Guerra Mundial, e as ameaças atuais são em grande parte o que caracterizamos como ameaças multidimensionais à segurança. Em 2003 foi realizada uma conferência especial no México, a Conferência Especial sobre a Segurança nas Américas, e essa conferência desvendou uma nova série de desafios para nossos países, desafios do crime organizado transnacional, das drogas ilícitas, da proliferação de pequenas armas, da migração irregular, dos desastres naturais que ocorrem regularmente na região. Assim, o fato de tornarmos o IADB parte da organização da OEA, teve como objetivo garantir que as questões da defesa e das Forças Armadas fossem melhor integradas aos órgãos responsáveis pelas decisões do hemisfério em geral, que lidam com as ameaças multidimensionais à segurança.

Diálogo: O que o senhor acaba de dizer explica de certa forma por que a palavra “defesa” faz parte do nome do Gabinete Interamericano de Defesa, quando não existe um problema real de defesa em nosso hemisfério…

Gen Div Thibault: Reconhecemos que as Forças Armadas ou Serviços Armados em cada um de nossos países desempenham múltiplas funções atualmente. Em um país como o Canadá, temos nossas Forças Canadenses enviadas a missões em todo o mundo, nas missões de manutenção da paz das Nações Unidas como observadores. Temos também uma operação importante em curso há muitos anos no Afeganistão, e nossas Forças Armadas também são utilizadas todos os dias pelo Comando Norte dos Estados Unidos para proteger nosso espaço aéreo e realizar missões diárias de busca e apreensão. Quando pensamos no que as Forças Armadas vêm realizando, vemos que são funções múltiplas utilizando capacitações únicas das Forças Armadas em termos de equipamentos, seu treinamento, sua organização, sua capacidade de executar tarefas complexas. Exatamente a mesma multiplicidade das Forças Armadas Canadenses aplica-se a todas as nossas Forças Armadas. Temos exemplos hoje em dia, quando as Forças Armadas que são criadas efetivamente para proteger o estado, para proteger os interesses do estado, precisam envolver-se em todos os aspectos das ameaças a nossas sociedades. No Brasil temos o Exército envolvido em operações nas favelas; na América Central, na Colômbia, vemos operações realmente importantes para proteger os estados contra o crime transnacional e as atividades do narcotráfico. Assim, ainda que não tenhamos ameaças tradicionais à defesa em termos de estado a estado, as Forças Armadas são essencialmente úteis para que os mesmos possam estar preparados para enfrentar os desafios. No âmbito do hemisfério, uma organização como o IADB existe para que possamos trocar informações, experiências, para que possamos considerar como aprender com a assistência humanitária e para desastres no Haiti, no Chile, e nos prepararmos para o próximo desastre de grande magnitude que aparecer. Assim, como a defesa aparece no nome de nossa organização, fazemos parte de uma estrutura maior para a segurança.

Diálogo: Qual é a maior contribuição para o Hemisfério Ocidental em sua opinião?

Gen Div Thibault: Com um hemisfério tão diversificado quanto o das Américas, com os Estados Unidos de um lado e o Caribe do outro, é certo que os problemas são muito diferentes e que os desafios em cada região também são muito diferentes. Então eu acho que a área onde o IADB pode realmente mostrar-se valioso é garantindo o intercâmbio de informações entre todos os países, garantindo que aprenderemos efetivamente uns com os outros. É aí que se encontra nossa maior contribuição. Neste exato momento, a troca de informações em todo o hemisfério é muito diferente. Por que ela é diferente? Em alguns casos, porque é muito complexa. Há tantas organizações envolvidas nesta questão que se torna difícil compartilhar. Vejamos como exemplo a rede que temos com nossos 27 países-membros; temos uma tarefa a desempenhar em termos de realização de um trabalho melhor na troca de informações. A segunda área onde eu acho que podemos realmente ser úteis é na eventualidade de um desastre, um desastre natural, um desastre provocado pelo homem… precisamos efetivamente agir. E para que possamos agir, precisamos ter certeza de que aqueles que tomam as decisões políticas no nível mais elevado do hemisfério possam contar com o apoio das boas informações. Assim sendo eu, como presidente do IADB, tenho a função de aconselhar o secretário-geral, a OEA como uma organização. Acho que posso, em nome dos estados-membros, ajudar e garantir que as altas autoridades possam contar com bom aconselhamento militar. Então, troca de informações e aconselhamento militar.

Diálogo: Durante sua apresentação na Cansec 2012, o senhor disse que tinha a atribuição de melhorar o intercâmbio de informações. Como o senhor planeja realizar isto?

Gen Div Thibault: A tarefa que temos é mais complexa do que o intercâmbio de informações. A tarefa que eu tenho vem da Assembleia Geral da OEA, que inclui levar adiante um plano para aumentar nossa capacidade de resposta. Assim, o intercâmbio de informações é apenas uma parte dela. Há muitos aspectos na melhoria de nossa capacidade de resposta. Um deles é sabermos onde existem lacunas em determinadas capacitações. Outro é sabermos onde a crise mais provável deverá ocorrer para então voltarmos nosso foco para ela através do trabalho com os mecanismos regionais, para vermos realmente de que eles precisam em termos de programas de apoio e aumento da capacidade, se for uma questão de falta de equipamentos ou capacitação…
Temos uma tarefa a exercer em termos de avaliação das lacunas nos problemas mais importantes, com base nas regiões, com base nos problemas específicos dessas regiões. É verdade que em alguns lugares do hemisfério não temos problemas de capacitação, temos bastante capacitação. Acho muito importante que voltemos nosso foco para as lacunas e avaliações das necessidades, sabendo que a troca de informações será uma parte importante para aumentar nossa capacidade de resposta. Assim, a troca clara de informações significa que é preciso que se tenham meios para que essa troca seja realizada. Considerando-se os atuais sistemas de informações cada vez mais abertos, não podemos deixar de ver a internet como um mecanismo capaz de criar uma comunidade que nos permita a efetiva troca de informações. Nesse caso, no que se refere à assistência humanitária e para desastres, estamos explorando um sistema como a APAN (Rede de Acesso para Todos os Parceiros), que sabemos ter muitas vantagens significativas. Ela é baseada na internet, tem acesso aberto, foi comprovada… então eu considero um sistema como a APAN uma boa opção para nós. Existem outros, mas no momento estamos voltados para a exploração do potencial da APAN como um mecanismo para a troca de informações entre todos os países do hemisfério.

Diálogo: O senhor poderia falar um pouco sobre a Escola Interamericana de Defesa, parte do IADB?

Gen Div Thibault: A Escola Interamericana de Defesa também é uma instituição antiga. Para os países que não têm muito conhecimento sobre ela, eu aconselharia que enviassem alunos para participar dos programas, voltados principalmente para oficiais militares e civis, e que foram projetados para ser um estudo avançado em termos de defesa do hemisfério e cooperação para a segurança. Temos atualmente um programa com duração de um ano com mais de 60 alunos representando 16 países, abrangendo todos os idiomas da OEA: francês, inglês, português e espanhol. Temos também um aluno da China. A experiência que esses alunos adquirem é única e uma parte importante para que conheçam o sistema interamericano.



Se uma das funções do presidente do JID é prever quando ocorrerá a próxima crise, deveria também definir o que nós entendemos por crise e de que tamanho de crise estamos falando, ou seja, sua magnitude. Meu país, a Guatemala, com cerca de 1 mil quilômetros de fronteira com o México é muito vulnerável a grupos de interesse que se aproveitam justamente dessa vulnerabilidade, dessa ausência do Estado. E assim, na parte Naval do Pacífico e do Atlântico nossas deficiências saltam aos olhos, não somente dentro do Estado, mas aos organismos Multilaterais.-
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